Inflação: A Revanche

1 de junho de 2017

BCB trancado na defesa


Ontem o Banco Central reduziu a taxa SELIC em 100 pontos e taxa SELIC ficou em 10,25% a.a. Até aí era o esperado pelo mercado, porém no comunicado revelou uma surpresa inesperada. Disse em alto e bom tom que vai diminuir o ritmo das quedas a partir da próxima reunião. Como havia comentado ontem, não existe nenhum motivo econômico para tal redução.

...” Em função do cenário básico e do atual balanço de riscos, o Copom entende que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em sua próxima reunião. Naturalmente, o ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação” ...

Efetuando-se uma análise mais detalhada de seus argumentos, se pode concluir que a cautela demostrada é única e exclusivamente consequência do risco político atual, e seu impacto na reforma da Previdência. Outra inferência que se pode extrair é que a autoridade monetária tem uma expectativa muito baixa de aprovação, ou que se aprovada, o será com muitos cortes em relação ao projeto original. O juro real na margem, da ordem de 7% a.a., espelha a excessiva cautela do BC!

Depois do COPOM, a Rosenberg refez suas projeções de cortes para as próximas reuniões: em julho um corte de 75 pontos e depois mais dois de 50 pontos, chegando a taxa terminal de 8,5% a.a. Desta forma, não haveria mudança no nível e sim na velocidade para atingir esse patamar.

O impacto na economia será marginalmente negativo, pois embora os juros nominais sofreram uma queda significativa ao término do ciclo, em termos de juros reais ainda continuam com níveis elevadíssimos. Para quem faz investimentos é essa última taxa que conta.

O IMD – International Institue for Mangement Development – publicou o ranking mundial de competitividade. Novamente o Brasil caiu na classificação para 61º posição, notem que o total da amostra contém 63 países. Ficou apenas na frente da Mongólia e Venezuela. Mas tem uma boa notícia, segundo Carlos Arruda, professor da Fundação Cabral, responsável pela captação dos dados brasileiros, afirmou que o Brasil não corre o risco de ir para lanterninha. Isso porque esses dois países estão muito abaixo do Brasil em competitividade. Ufa!


E ainda tem gente que apoia o governo do PT. A 7º economia do planeta tem o pior nível de competitividade, afinal Mongólia e Venezuela nem contam. Que vergonha!

Amanhã será divulgado os dados de emprego americano, e como é praxe a ADP publicou os seus resultados. Segundo esse Instituto, foram abertos 253 mil novos empregos superando as previsões mais otimistas de 195 mil. Outro dado interessante é que a maioria das contratações aconteceram nas pequenas (83 mil) e médias (113 mil) empresas, ficando a menor parcela para as grandes empresas (57 mil).  Essa distribuição é saudável, pois é um fator de maior estabilidade do emprego.


Para O FED o emprego e a inflação estão em sintonias distintas, enquanto o primeiro se aproxima do pleno emprego, o segundo não consegue atingir o objetivo traçado. Essa situação vai tornando o mercado de trabalho mais apertado e alguns sintomas já são evidentes, como a dificuldade de encontrar funcionários para as vagas, bem como a qualidade destes, como se pode ver a seguir.


O Mundo está passando por uma revolução tecnológica impressionante. Os robôs que há pouco tempo só apareciam em filmes de ficção agora se tornaram realidade. A ilustração a seguir mostra quais os tipos de trabalho e em que quantidade, os humanos serão substituídos pelos robôs, dentro de uma a duas décadas. Em cada área de atuação, o que está em preto será substituído por robôs, enquanto o que está em branco permanecerá sendo executado por humanos.


No post a-vida-continua, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” agora voltamos as premissas que havia levantado alguns meses e que se encontram marcadas no gráfico acima com os números 1,2,3. Cada uma delas tem um grau de retração. O primeiro nível apontado é de 57.000, o segundo 53.500 e por último 49.000” ...


Nada de importante aconteceu desde a data dessa última publicação, assim, parti para uma análise de mais longo prazo. Desde 2008, quando a bolsa atingiu o nível histórico de 73.900, em dois outros instantes se aproximou dessa marca: o primeiro em novembro de 2010 – 73.100; e mais recentemente em fevereiro de 2017 – 69.500. Notem que na primeira citação, o Ibovespa estava muito próximo de romper a máxima, porém deu meia volta e passou mais de 5 anos em queda atingindo a mínima de 37.000, em janeiro de 2016.

Várias razões me fizeram acreditar que o último movimento desde do início de 2016 seria uma nova fase de alta. Lógico que não estou me referindo a nenhum dado fundamentalista ou econômico, muito menos político, mas sim técnico. Para os leitores antigos vim revelando esses argumentos no tempo.

No gráfico acima tracei dois cenários possíveis que foram expostos no post no final do ano passado SP500-céu-azul. Enquanto o Ibovespa não ultrapassar consistentemente o limite de 73.100, a opção de uma correção mais forte existe, basta ver o que aconteceu em 2010, conforme descrito acima.

Nas próximas semanas e meses saberemos melhor para onde caminha nossa bolsa. Essa a razão de alocar stoploss curtos. Não estou disposto a comprar e ficar torcendo. Se ainda estamos numa correção, surgirão oportunidades de venda.

A indecisão sobre o cenário político de 2018 permite a concretização de qualquer dos dois cenários, sem contar os riscos que existem no exterior. Por essas e outras mantenho a disciplina de “escutar” o que o mercado nos tem a dizer, e não achar que nós podemos dizer ao mercado como ele deve se comportar.

O SP500 fechou a 2.430, recorde histórico e alta de 0,76%; o USDBRL a R$ 3,2475, com alta de 0,66%; o EURUSD a 1,1212, com baixa de 0,26%; e o ouro a U$ 1.265, com baixa de 0,2$%.

Fique ligado!

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