Inflação: A Revanche

22 de junho de 2017

Commodities em baixa


No campo político não faltaram surpresas desde as últimas férias de verão do Hemisfério Norte. Uma lista à primeira vista incluiria: Brexit, Trump, Macron, e o resultado da recente eleição na Inglaterra. Tudo isso sem contar os inúmeros ataques terroristas ao redor do globo. Em tempos normais essas mudanças teriam chacoalhado os mercados, mas o máximo que aconteceu foram alguns sustos. Tempos modernos!

Pela movimentação dos mercados tudo parece diferente, numa tranquilidade nunca antes vista, os preços mal e mal se mexem. Isso não significa que não sobem ou caem, porém o fazem despacito!

Os meses de férias prenuncia uma diminuição de negócios e como consequência a volatilidade. Mas esse indicador anda démodé, com baixas diárias, agora só falta ficar negativo! Hahahaha .... O Kuroda, Presidente do BOJ, entraria em êxtase.

Os hedges funds passam por um período horrível, com retornos decepcionantes, os saques continuam. Algumas notícias dão conta que mesmo os fundos geridos por modelos, estão enfrentando dificuldades em obter ganhos. A volatilidade baixa é seu maior inimigo, pois para conseguir alguma rentabilidade, que permita pagar suas altas taxas de administração e performance, sobrando alguma coisa para seus clientes, terão que se aventurar a níveis elevadíssimos de risco. Seria mais honesto devolver o dinheiro a seus clientes, como fizeram alguns deles.

Em 2015 o petróleo levou um tombo de respeito ao cair de U$ 110 o barril para U$ 25. O principal motivo apontado foi a entrada de uma nova oferta de óleo através do shale gas. Desde então ensaiou uma recuperação de preços atingindo no final de 2016 U$ 55, uma alta de 110%! Uallll .... Parece uma enormidade, mas nem recuperou metade da queda.

Com as economias em franca recuperação seria de se esperar que os preços continuassem subindo. A maioria dos analistas estimava um nível para esse ano ao redor de U$ 60 – U$ 70. Porém, nas últimas semanas os preços começaram a cair e agora estão num nível, que tecnicamente, poderão iniciar uma nova rodada de quedas, podendo atingir as mínimas recentes, entre U$ 35 a U$ 25.

O Wall Street Journal traz uma série de gráficos que apontam as consequências dessa queda, nas empresas petrolíferas.


Na parte superior apresenta o custo dos empréstimos expressos nas taxas de juros dos bonds desse setor, quando comparado com outras empresas de mesmo risco de crédito. Na parte inferior a queda nos preços dessas ações comparadas com o SP500; o volume de emissões de títulos; e a evolução dos preços do petróleo.

Esse cenário não é muito positivo para o Brasil, uma vez que, as commodities são parte da nossa pauta de exportações de derivados. É verdade, que o petróleo não é a mais importante, porém outras mercadorias também vêm sofrendo quedas. Por exemplo, o café, conforme se pode verificar a seguir, caiu significativamente desde o final de 2016.

O açúcar traçou uma trajetória semelhante ao do café, tanto em termos de movimento, como em magnitude. Também faz sentido, se tem menos gente tomando café, tem menos gente usando açúcar! Hahahaha ....


Eu não saberia calcular qual é o impacto dessas quedas em nossa balança comercial pois não conheço suas participações. Porém esse efeito deverá ser sentido mais a frente, uma vez que, o que se está exportando agora, reflete o fechamento a preços mais elevados. Outro fator que se deve levar em conta, é o volume que poderá compensar parcialmente essas quedas.

Mas que não é bom, não é! Espero que não tenha um efeito muito elevado, pois essa era uma área que estava indo muito bem – Balança comercial.

Veja a seguir se nós podemos ser considerados um país aberto ao exterior. Isso certamente tem um peso quando se pretende assinar acordos bilaterais de comercio.


Existe uma frase usada, quando se quer frisar que vários indicadores apontam para o mesmo número “Fica tudo Japonês”. Quero deixar claro que não a considero pejorativa, apenas enfatiza a característica dos japoneses de serem semelhantes entre si, por terem olhados puxados. O PIB per capta entre os EUA, Europa e Japão, tinham um crescimento bastante diferenciado no final dos anos 90. Agora ficou tudo literalmente japonês, infelizmente puxando para baixo.


No post fed-double-down, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” O pontinho que anotei em verde pode fazer toda a diferença daqui em diante, isso pode caracterizar-se como um false break e ter implicações sobre minha visão da moeda única” ...


O que eu tenho para oferecer de diferente hoje? Nada! O euro praticamente não saiu do lugar, não deixando nenhuma pista se a máxima atingida recentemente foi ou não um false break.

Uma parte da alta do euro se deveu ao fluxo de recursos canalizados para as bolas europeias, haja visto que, os investidores ficaram mais otimistas com a Europa. As estatísticas recentes, apontam uma desaceleração desses recursos como se pode verificar a seguir.

Acredito que não são só os hedges funds que estão sofrendo pela falta de volatilidade, o Mosca também. Observei a planilha que contém as operações deste ano, e fiquei impressionado com a quantidade de trades cancelados, sendo a maior parte deles no ouro e no euro. Os motivos na maioria dos casos foram por mudança de planos.

Para enfrentar a realidade e encarar a situação atual de mercado, deveria propor trades mais arriscados e com um foco de curto prazo. Para poder compensar, pediria para os leitores dobrarem o tamanho das posições, ao contrário do que normalmente faço quando tenho dúvidas.

- É isso aí David, vamos para as cabeças!
Se algum leitor deseja isso que meu amigo sugeriu, vou ter que “devolver o dinheiro”, não vou fazer! Não gosto de me sentir “empurrado” para o risco, só porque não tem nada interessante no radar. Os mercados são cíclicos e em algum momento a volatilidade voltara a subir, quanto tempo vai demorar, não tenho a menor ideia.

Vivemos momentos de baixos retornos e não vou arriscar dinheiro tirando leite de pedra. É assim que eu aprendi, não vai ser agora que vou mudar por uma forma que eu não acredito.

O SP500 fechou a 2.434, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3352, sem alteração; o EURUSD a € 1,1150, com queda de 0,14%; e o ouro a U$ 1.249, com alta de 0,31%. Eu grifei as variações do dia de hoje só para enfatizar meus argumentos do post. Imagine qual o volume de euros deveria ser vendido para gerar algum retorno. Não esqueçam que não existe nada sem risco.
Fique ligado!

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