Inflação: A Revanche

19 de junho de 2017

Final imprevisível


Assim como eu, vocês devem estar surpresos com a quantidade de acusações que se tornam públicas a respeito da corrupção generalizada vivida no Brasil nas últimas décadas. Desde a revelação da gravação de conversa entre Joesley e Temer, o rumo dos acontecimentos ganhou uma nova dimensão.

Através de meios não convencionais, o dono da JBS vem surpreendendo dia após dia. Até o momento, quem se prestou a uma delação premida fazia suas confissões que logo se tornavam públicas. Em seguida, esses participantes, via de regra, saiam de cena e se limitavam a comunicar por meio de seus advogados que estavam colaborando com a justiça.

Mas Joesley inovou, veio a público com novas acusações periodicamente, acirrando novas dúvidas. Também vem gerando especulações disseminadas, que estaria em combinado com o Procurador Janot, com objetivo de desestabilizar o atual governo. Dentro dessa linha, também causa estranheza o fato de poupar Lula. Em todo caso, não confio em nenhuma palavra desse empresário, não que o que esteja relatando não é verídico, mas a forma como vem revelando deixam dúvidas se não omite fatos. Um bandido confesso!

O público conhece os detalhes das operações reveladas pelas construtoras, mas a “novela” JBS e as possíveis delações de Palocci e do doleiro Funaro tornam o desfecho totalmente imprevisível. Por outro lado, vários leitores se dizem perplexos com as repercussões nos mercados. Vou mostrar hoje alguns dados para dimensionar o impacto até o momento.

O mapa abaixo mostra o estágio econômico e a política monetária em diversos países. No caso brasileiro, a política monetária é de afrouxamento e o ciclo econômico de recuperação.


Dentre os países considerados emergentes, a situação brasileira ainda é a mais frágil. No gráfico a seguir, nas ordenadas (eixo x), a evolução média do PIB entre 2014 – 2016; nas abcissas (eixo y), a projeção para o período de 2017 - 2018. Notem que nossa situação é a pior de todas, enquanto a China e Índia se encontram no extremo oposto.


Um trabalho elaborado pela BMI, uma empresa do grupo Fitch, elenca os riscos políticos de curto prazo (1-2 anos) com os de longo prazo (5-10 anos). Como se pode notar, nossa caso se equipara a da Turquia, África do Sul e México.

 
Os três mercados onde se pode avaliar o impacto dos últimos acontecimentos são: juros, câmbio e a bolsa de valores. Vamos analisar nesta ordem. A taxa de juros pré-fixados implícita nos títulos brasileiros de 10 anos encontra-se levemente superior ao de antes, que estava em 10% a.a. e agora se encontra em 10,5% a.a.


Considero o impacto bastante limitado nesse mercado. O principal motivo é a queda vertiginosa da inflação. Ilan, quando assumiu o banco central há 1 ano, recebeu o país com uma inflação de 9,5% a.a., agora encontra-se abaixo de 4% a.a. Como consequência, os juros reais estão elevadíssimos e, caso essa equipe continue, é de se esperar algumas quedas da taxa Selic.


Já a situação no câmbio não é tão confortável, depois de sair de uma cotação de R$ 3,10 e atingir R$ 3,40 no dia da revelação da fita, busca atualmente um patamar, porém mais próxima daquela máxima.


Como poderão ver a seguir, a bolsa de valores tem uma configuração semelhante à do dólar.

Na minha visão, o mercado está dividido sob duas forças: por um lado, os estrangeiros estão confiantes que tudo que acontece no país é bom no longo prazo, e acreditam que a corrupção tenderá a diminuir significativamente tornando o ambiente mais propício para os negócios; por outro lado, os brasileiros estão mais preocupados com os eventos de curto prazo e buscam algum tipo de proteção, caso a situação saia de controle. O Mosca acredita que nos gráficos para definir seus prognósticos!

No post bcb-trancado-na-defesa, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...”agora voltamos as premissas que havia levantado alguns meses e que se encontram marcadas no gráfico abaixo com os números 1,2,3. Cada uma delas tem um grau de retração. O primeiro nível apontado é de 57.000, o segundo 53.500 e por último 49.000” .... Também tracei alguns cenários de longo prazo do qual recomendo sua leitura.


Como observado, o Ibovespa está próximo a mínima atingida em maio de 60.300. Infelizmente, não tenho uma sugestão clara sobre o futuro próximo do índice. Como apontado abaixo, teria alguns níveis dos quais suspeitará sua trajetória.


Poderia na verdade definir um intervalo como terra de ninguém – 60.000 a 65.000. Na parte superior, as chances de uma alta se elevam, porém, tenho que frisar que somente acima de 70.000 fica mais seguro. Contrariamente, abaixo de 60.000, os dois intervalos definidos no post citado acima passam a valer.

Acho que nem o Joesley, especialista em inside information, também não teria um trade claro a ser feito; a não ser que tenha uma gravação entregando uma mala com dinheiro para o Temer! Hahaha ....

- David, mas só para efeitos especulativos, com uma arma na cabeça, qual seria sua aposta?
Na venda, com um stoploss a 64.000. Mas, sem muita convicção até o momento.

O SP500 fechou a 2.453, com alta de 0,83% - recorde histórico!; o USDBRL a R$ 3,2890, com queda de 0,10%; o EURUSD a 1,1149, com queda de 0,43%; e o ouro a US$ 1.244, com queda de 0,67%.
Fique ligado!


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