Inflação: A Revanche

9 de junho de 2017

Theresa Mayday ou Maydie?


Mais uma vez o mercado foi enganado pelas pesquisas. Desta vez foi novamente na Inglaterra, onde a Primeira Ministra Britânica perdeu sua maioria no Parlamento. Tudo se deve a uma jogada arriscada que Teresa May tentou, ao anunciar inesperadamente que estava dissolvendo o Parlamento e convocando eleições legislativas. 

Sua aposta era vencedora: na época, ela tinha maioria no Parlamento, uma maioria pequena. Mas para enfrentar o Brexit queria uma maioria forte, por isso tentou esmagar o partido trabalhista e conquistar uma grande superioridade. Mas essa vantagem que a Primeira Ministra imaginou não se materializou e acabou com uma quantidade de assentos inferior ao que tinha antes da votação.

 
Em situações como essa o sistema parlamentarista tem uma desvantagem em relação ao Presidencialista, pois sem uma maioria, o Primeiro Ministro fica de mãos amarradas, sendo obrigado a negociar qualquer assunto.

O esperado era que ela renunciasse, mas pelo que indicou, vai procurar fazer um acordo com um partido, mesmo que seja pequeno, pois necessita de poucos votos a mais para ter a maioria. Mas, ficará à mercê desse acordo, e terá que se sujeitar aos desejos desse pequeno partido, pois sem ele nada feito.

O Brexit já foi uma decisão difícil dentro da Inglaterra e sua votação mostrou uma grande divisão da população inglesa, um cenário cada vez mais presente em vários países. Caso decida permanecer, aquela Primeira Ministra confiante que se via a pouco tempo, vai dar lugar a uma outra posição muito fraca na mesa de negociações com a Europa. Como anotei no título, eu antevejo: ou uma Teresa Mayday, pedindo socorro para os políticos; ou Teresa May die, renunciando e jogando novamente a Inglaterra num terreno incerto. Qual será seu novo sobrenome?

Já no mercado americano, os investidores cada vez mais apostam que o FED subirá os juros na próxima reunião, terminando as altas deste ano. Nesse cenário, não se concretizaria a expectativa da própria autoridade monetária, com mais uma alta restante. Nos mercados futuros, essa probabilidade de duas altas caiu de 44% há um mês, para 25%. Assim, ao invés de 1,5% segundo projeção do FED, o mercado aposta em 1,25%, para o final de 2017.

Um dos motivos para esse recuo é a inflação que diminuiu. O PCE, medida seguida pela autoridade monetária, recou de 2% a.a. em fevereiro para 1,7% em abril. Um membro do FED, Lae Brainnard, em discurso no final de maio disse: “ Se a inflação permanecer baixa, isso será preocupante e poderá me induzir a rever a política mais apropriada a ser implementada”.

Além disso, impactado pelo resultado negativo de emprego da última sexta-feira, o PIB projetado pelo FED de Atlanta, recuou para um nível ainda robusto de 3,5%. Porém, a se confirmarem os resultados a serem publicados, na mesma direção, esse nível poderá cair mais.


Como mencionei algumas vezes, o diferencial de juros entre os títulos de 2 anos e 10 anos, é um indicador se a economia entrará em recessão, principalmente quando fica negativo. Dificilmente, num processo de elevação dos juros pelo FED, se contempla uma configuração como a atual. Isso só seria esperado – a compressão dessa diferença – se o ciclo de alta tivesse terminado; ou quando o mercado julgue que a autoridade subiu demais os juros e terá que recuar em breve. A aposta do mercado se encontra no segundo caso.


A ilustração a seguir apresenta uma estatística interessante, nos últimos 16 ciclos de alta implementados pelo FED, apenas 3 não geraram uma recessão logo a seguir.


No post trump-era-uma-criança-chata, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” disse que caso o intervalo de 2,10% - 2,15% não seja respeitado, os juros iriam para casa dos 2%” ... ...” acompanhar atentamente para ver o que acontece no primeiro patamar e talvez entrar na venda de juros. Se os juros romperem esse nível e flertem no segundo patamar, aí sim entraremos com mais disposição” ...


Como poderão observar, os juros chegaram a 2,13% nesta semana, dentro do intervalo proposto acima.
- David, você mesmo disse que poderia entrar na venda de juros, por que não executou? Estou achando que depois do evento JBS ficou mais tímido! Hahaha ...
Bem esta é a sua opinião, mas quero lembrar o meu amigo que dinheiro não é capim! Leia bem o que eu escrevi acima: ...”acompanhar atentamente para ver o que acontece” .... E é esse o motivo porque não comprei. Vocês terão que confiar em mim, pois não vou entrar na tecnicidade. Em todo caso, frisei em verde um movimento que me deixa desconfiado que outra formação, diferente da que eu imaginava, está em andamento.


Acredito que está em desenvolvimento um triângulo, que é esperado numa correção deste tipo. Se estiver correto, vou fazer uma aposta de compra de juros – apostando que irão baixar – ao nível aproximado de 2,37%, conforme tracei em cinza acima. Também tenho consciência que em correções se pode esperar de tudo. Mas esse trade me parece um risco retorno melhor que apostar na alta de juros agora. Posso estar errado, e se estiver o stoploss vai me limitar.


O SP500 fechou a 2.431, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2881, com alta de 0,84%; o EURUSD a 1,1193, com queda de 0,18%; e o ouro a US$ 1.266, com queda de 0,91%.
Fique ligado

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