Inflação: A Revanche

2 de junho de 2017

Trump era uma criança chata


Ontem deve ter sido mais um dia de gloria para Donald Trump. Ao anunciar o rompimento dos EUA no acordo para diminuição na emissão de gases, assinado por seu antecessor em Paris. Foi notícia em todo mundo. Os governos de inúmeros países incluindo o Japão que, raramente se posiciona nessas ocasiões, entidades religiosas como o Papa Francisco e diversos governadores de estados americanos, repudiaram sua ação.

Como costumeiramente tem se posicionado desde que assumiu, suas razões se voltam a defender os interesses dos EUA e cidadãos americanos, além de taxar o acordo assinado como péssimo. Parece que ninguém no Universo é melhor que ele para negociar,

Não sei porque, mas ultimamente penso como teria sido Trump na sua infância. A imagem que fico, é do menino que arrumava encrenca com tudo. Aquele que numa partida de futebol, por não saber jogar, entrava no campo e atrapalhava o jogo. Devia ter poucos amigos, se é que tinha algum. Desse modo que aprendeu a viver, chamando a atenção sempre pelo lado negativo.

Os EUA são responsáveis por 14% da emissão global de dióxido de carbono ficando atrás da China que representa quase 30%.


A Bloomberg aponta 5 motivos para que não ficar aflito:

1.       Trump não pode parar a descarbonizarão da economia em andamento.
2.       Já foi feito muito progresso nessa área.
3.       A tecnologia e não o Trump, vão direcionar as decisões corporativas.
4.       Revolução do carro elétrico em substituição ao carro a combustão.
5.       Os acionistas das empresas estão demando dos CEO de Companhias de petróleo, que se posicionem sobre problemas ambientais.



Além disso, os especialistas dizem, que mesmo o abandono o acordo de Paris, seus efeitos só serão percebidos em 2020, ano que um novo Presidente assumira a Casa Branca e poderá voltar atrás nessa decisão.

À primeira vista parece que, ao romper o acordo, Trump se indispõe com quase a totalidade do globo, mas ao mesmo tempo inviabiliza a sua continuidade. Um acordo de meio ambiente, cujo país da dimensão dos EUA não aceita, como os outros poderão “compensar” essa falta?

Parece que o paralelo que tracei do menino atrapalhando o jogo de futebol se aplica, ele não ganha e ninguém ganha. Vamos ter que conviver com um Presidente da maior economia do mundo, querendo chamar a atenção de forma negativa.

E agora José, como interpretar os dados de emprego americano? Vou colocar os números para que entendam minha dúvida. Foram criados 138 mil novos postos de trabalho resultado muito inferior ao esperado de 185 mil. Pior, as revisões dos meses de março e abril foram reduzidas em 66 mil.


Os ganhos por hora ficaram em 0,2% no mês, em bases anuais se reduziram a 2,5%. Esse resultado coloca os rendimentos ao menor nível desde março de 2016 conforme apontado no gráfico abaixo.



O Labor Participation Rate sofreu uma queda depois de ter se recuperado nos últimos tempos, voltando a 62,7%. Lembrem que esse indicador mede a percentagem da população ativa em relação a população total.


Até esse ponto, esses dados seriam apontados no mínimo como desapontadores. Acontece que a taxa de desemprego caiu para 4,3%, colocando no menor nível desde 2001! Tudo isso implica que menos americanos estão no mercado de trabalho. Será que todos estes milhões de americanos estão no Central Park com seus Iphones fazendo algum bico?

No post exuberância-irracional, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” o mercado está consolidando para atingir o objetivo traçado. Entretanto uma correção de curto prazo pode acontecer conforme ilustrado a seguir. Por esta razão resolvi liquidar a posição e aguardar os próximos dias” ... ...” Quero deixar claro que estou “arriscando” essa correção para entrar novamente na posição. Mas posso me enganar, e o mercado continuar caindo sem que dê essa oportunidade. Vocês já sabem, correções são imprevisíveis” ...

O mencionado no 2º parágrafo acabou acontecendo, e deixamos de ganhar alguns pontos. Depois que uma situação dessas acontece, e natural que se fique com raiva: “Porque eu fui mexer”! Ex-post tudo fica mais fácil, e sem risco. Mas isso passa logo. Se estivesse com a posição, ficaria preparado para liquidar ao redor de 2,15%, existem muitas confluências ao redor desse nível.

- David, agora que perdeu o barco da queda, vai entrar a 2,15% apostando na alta?
Desde o caso Joseley notei que você ficou mais “tímido”, é por algum motivo ou só ficou decepcionado perdendo seu sendo de humor? Hahaha .... Respondendo a sua pergunta, não vou entrar não, se você recordar, disse que caso o intervalo de 2,10% - 2,15% não seja respeitado, os juros iriam para casa dos 2%.

Então meu plano é o seguinte, acompanhar atentamente para ver o que acontece no primeiro patamar e talvez entrar na venda de juros. Se os juros romperem esse nível e flertem no segundo patamar, aí sim entraremos com mais disposição. O recado está dado, não recomendo mais apostas na queda dos juros a partir de agora.

Para terminar, queria atualizar o gráfico de previsão do PIB feita pelo FED de Atlanta. Continua firme e forte na casa dos 4% e acima das expectativas dos economistas.



Com seu bom track record passado e considerando que esse dado será publicado no final de julho, certamente um resultado desses faria a taxa de juros se moverem na direção de alta. Parece que esse ativo vai oferecer uma boa oportunidade a frente.


O SP500 fechou a 2.438, com alta de 0,36%; o USDBRL a R$ 3,2521, sem alteração; o EURUSD a 1,1282, com alta de 0,64%; e o ouro a US$ 1.277, com alta de 0,98%.
Fique ligado!

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