2018: Vestibular Político

15 de fevereiro de 2018

Bolsas sem folia



Enquanto a folia corria solto aqui no Brasil, e infelizmente os casos de violência e assaltos no Rio de Janeiro não cessam, as bolsas de valores ao redor do mundo encontram-se mais comportadas, mas sem excessos.

Percebo que a grande maioria dos analistas que fazer crer que o que ocorreu na semana passada foi um fato isolado e em pouco tempo tudo voltará ao normal. O Mosca não descarta essa hipótese, mas tem dúvidas. Em situações como essa o que se deve fazer é deixar o mercado falar - Let´s the market speak!

Com intuito puramente estatístico, a análise a seguir coloca em contexto como foi o desenrolar das últimas 11 correções onde não se seguiu uma recessão.



É verdade que até o momento, essas oscilações ficaram restritas ao mercado acionário. Normalmente as quedas na bolsa de valores afetam diretamente o risco de crédito das empresas. O gráfico a seguir mostra a correlação existente entre ambos. Os eventos recentes quebraram esse encadeamento de forma expressiva.



Muita gente andava com o dedo no gatilho, esperando algum momento para deixar a bolsa. O fluxo de saída nos ETF’s foi enorme durante as oscilações presenciadas na semana anterior. O movimento no futuro vai depender em parte da reação do público.


Quem não gosta quando se reduz os impostos? O problema é que se uma economia já apresenta déficit, essa é uma jogada perigosa, pois se não houver crescimento de forma a compensar a queda de receita, o déficit tende a aumentar. Olha que beleza é a estimativa do déficit americanos considerado pelos analistas.


Outro fator que vem preocupando o mercado é a possibilidade de a inflação retornar. Incrível, que o mercado sempre está preocupado com alguma coisa, no passado era a deflação agora é a inflação. Mas ao se verificar o nível de emprego nas economias avançadas esse receio é pertinente. Veja seguir como esse indicador se encontra na mínima da história econômica recente.


Especificamente sobre esse indicador, ontem foram publicados o índice de inflação CPI, que mesmo não sendo o indicador que o FED usa, é uma boa fonte de referência utilizada pelo mercado. O índice cheio ficou em 2,1% a.a., acima da expectativa do mercado, embora o indicador que exclui alimentos e combustíveis ficou em 1,8% a.a.


Quando se observa a inflação em bases anuais, se perde uma informação importante, de como a inflação está se comportando observando os dados num período mais curto. O que pode ocorrer, é que, uma elevação no curto prazo tem um efeito mais lento no indicador. No caso do CPI, no ano anterior houve uma influência grande pela queda dos serviços telefônicos em março e abril daquele ano. No gráfico a seguir se nota a aceleração da inflação mais recente, quando o índice é calculado em bases anuais, considerando os três últimos meses.



Quando foi divulgado esse número ontem, o dólar chegou a reagir com a alta dos juros. Porém foi por pouco tempo, logo em seguida voltou a cair. Por exemplo, em relação ao euro, a moeda única se encontra próximo das máximas, desafiando a lógica que prevalecia no passado de que, juros altos era bom para essa moeda.

Alguns economistas de respeito vêm pintando um quadro mais nebuloso para os EUA no futuro próximo. Seus argumentos são de que a economia americana se encontra no final do ciclo de crescimento. Sendo assim, os estímulos anunciados pelo governo americano têm um caráter de apenas prolongar o final desse ciclo para algo em torno de 2019 ou 2020. Talvez esse seja um dos motivos dessas distorções.

Como tudo isso ainda são ideias, mas que se concretizadas, terão impacto importante nos ativos. Vale ficar bem atento, uma vez que, os mercados tendem a se antecipar. O pior que pode acontecer é a inflação subir mais que o desejado obrigando o FED a agir de fora mais rápida, num momento que seria bom tomar mais cuidado com a política monetária.

No post fuja-do-cdi, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” o mercado atingiu nosso nível de venda do dólar a R$ 3,23. O stoploss foi definido a R$ 3,30, e mesmo que sejamos stopados não significa que mudarei de ideia, a de que o dólar continuará caindo frente ao real. Somente acima de R$ 3,50 a situação se complica” ...


Na semana passada fomos stopados na quinta-feira pois o dólar atingiu o nível de R$ 3,30. A máxima foi de R$ 3,32 antes do Carnaval. Ontem o dólar apresentou uma queda expressiva de mais de 2% e agora se encontra em R$ 3,23.

- Puxa David que azar, você não errou no stoploss?
Depois do fato ocorrido é mais fácil concluir. Talvez você tenha razão, o nível de R$ 3,35 seria mais “correto”. Por outro lado, minha visão do ponto de vista técnico me indicava que aquele seria um nível que apresentava conforto, dado o que eu estava buscando. Mas assim é a vida. Em compensação, a sugestão do trade de euro quase foi estopada, mas reverteu. Aproveito para elevar o stoploss ao nível de entrada à 1,23.


Em relação ao dólar, como vocês podem verificar acima, continua contido entre as retas do triângulo em verde. O ponto de encontro cada vez mais se aproxima, e em algum momento haverá a ruptura. Minha ideia é que será pela queda do dólar. Por enquanto não vou sugerir nada, vamos manter as posições que se encontram em aberto.

O SP500 fechou a 2.731, com alta de 1,21%; o USDBRL a R$ 3,2274, com alta de 0,32%; o EURUSD a 1,2497, com alta de 0,38%; e o ouro a U$ 1.352, com alta de 0,14%.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário