2018: Vestibular Político

23 de fevereiro de 2018

Inflação, inflação, inflação ....


Hoje o assunto mais debatido no mercado internacional é a inflação americana. Nos últimos dias diversos artigos foram publicados apontando para altas da inflação no curto prazo, enquanto outros acreditam que não deveria ter nenhuma grande surpresa.

Os investidores estão buscando formas de obter informações mais recentes sobre esse indicador. O State Street Bank, que é um banco não muito conhecido internacionalmente por especializada em custodia de títulos, publica a inflação medida por medidas de alta frequência, que consiste em levantar os preços de milhões de itens vendidos on line. Segundo essa medida a inflação americana está subindo de forma consistente e encontra-se próxima de 2,5% a.a.



Um outro fator que pode ter impacto nas expectativas, se é que a inflação realmente está caminhando para cima, é a inexistência de surpresas nesse campo nos últimos anos.




Outro argumento sobre esse tema é a elevação do déficit americano que conforme o gráfico abaixo aponta caminha para uma relação despesas x dívida nunca antes visto. Esse efeito tem influência na moeda e nos juros, independente da inflação.




Um outro fator que é usado como argumento pelos analistas, que não acreditam numa alta mais importante da inflação, diz respeito a lentidão da recuperação desse ciclo. Notem a seguir como essa recuperação tem sendo muito lenta.




- Bem David, qual é a sua opinião?
A minha opinião é que se está sim formando um foco inflacionário, e sobre essa tônica os juros estão muito baixos. Provavelmente, se eu estiver certo, o FED agirá mais rápido pegando o mercado de surpresa.

Já aqui no Brasil está acontecendo exatamente ao contrário. Conversei com diversas pessoas de bancos e todos esperam que a inflação suba no próximo ano, nada dramático, porém o suficiente para projetarem que a taxa SELIC suba para 8% a.a.

Porém, o que estamos presenciando são continuas publicações do IPCA, que se mostra estável, ou até em ligeira queda. Hoje foi publicado o IPCA-15 do mês de fevereiro que variou 0,38%, levando o índice de 12 meses a 2,86%. Na Tabela a seguir, se nota uma estabilidade na maioria das categorias, com um destaque para desaceleração dos alimentos in natura.



Continuo reforçando que aplicações em taxa fixa, embora mais arriscadas, tem um prêmio muito interessante.

No post pisando-em-ovos, informei os possíveis níveis para os juros de 10 anos, com uma visão de médio prazo ...” estou reforçando essa visão de longo prazo para que os leitores memorizem esses níveis. Muito simples “ 3% cuidado - 3,3% ação! ” ...


Como no longo prazo estaremos todos mortos, fico atento aos movimentos de curto prazo, e sob essa ótica, os juros tem mostrado uma certa indefinição. O gráfico a seguir, com uma janela mais curta, se nota que os juros estão “cuidadosamente” se aproximando do nível de 3%. Tanto que os que apostam na alta, bem como quem aposta na baixa, estão incomodados. Os primeiros para saber se, uma nova onda de apostas levaria os juros a ultrapassar esse nível, e o segundo com o temor de prejuízos em suas carteiras caso isso aconteça. Briga de cachorro grande!


Como nós somos cachorros pequenos prefiro ter uma posição mais cautelosa. Alguns dados se mostram positivos e outros negativos:
Positivo - O ângulo que apontei é saudável característico de um mercado em alta, sempre avança para novas altas, e as baixas são acima das baixas anteriores. Isso é uma configuração de um mercado em alta.

Negativo: O momentum está apontando “cansaço” o que é na maior parte das vezes é um indicador de queda.

Pelo sim, pelo não, vou atualizar novamente o stoploss para 2,80%, e deixe os cachorros grandes resolver essa parada.

Só para adiantar o expediente, caso o mercado não consiga ultrapassar o nível de 3%, fazendo com que os juros recuem para 2,6%, vamos ter que refletir bastante sobre as perspectivas dos juros.

Não posso adiantar absolutamente nada, nem que a queda ganhou força levando os juros abaixo de 2%, nem que ultrapassarão o nível de 3% para galgar novas máximas. O que posso dizer é que o cachorro grande dos que apostam na queda latiram mais forte.



O SP500 fechou a 2.747, com alta de 1,60% ; o USDBRL a R$ 3,2374, com queda de 0,38% ; o EURUSD a 1,2292, com queda de 0,29%; e o ouro a U$ 1.329, com queda de 0,17%.

Fique ligado!

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