Puxão de orelha #ibovespa #10y TBond

 

Hoje no final do dia será anunciada a decisão sobre a taxa de juros pelo Fed — e pelo Banco Central do Brasil. Acho praticamente impossível que o Fomc anuncie algo diferente de 50 pontos, mesmo que alguns participantes tenham indicado que poderia ser 75 pontos. Já aqui no Brasil esperamos 100 pontos, levando a taxa Selic a 12,75%.

Esses dois bancos centrais se encontram em momentos diferentes. Enquanto o primeiro tem um bom caminho até atingir a taxa final, o brasileiro estaria próximo do final, se é que esta alta não for a última. O mercado estima a taxa final entre 12,75% - 14,25%, sendo a mais provável 13,25%.

O Fed vem recebendo muitas críticas pela forma como conduziu a política monetária e, principalmente, por dormir no ponto no ano passado, ao insistir que a inflação era temporária, o que originou o quadro denominado de behind the curve.

Um de seus maiores críticos, Mohamed El Erian, publicou uma artigo na Bloomberg sugerindo que não basta subir os juros — seriam necessárias mais ações. ‎O Banco Central deve avançar em quatro questões críticas para recuperar a credibilidade e estabilizar a economia.‎

Com tantos analistas, sem mencionar os preços de mercado, tendo entrado em acordo quanto a um aumento de 50 pontos base na taxa de juros pelo Federal Reserve esta semana, seria compreensível supor que é um "negócio fechado" quando se trata do que o Banco Central anunciará no final de sua reunião de política. A situação não poderia estar mais longe da verdade.‎

‎Várias questões importantes permanecem para o Fed fazer progressos e deixar de ser parte do problema do mal-estar econômico e financeiro para fazer parte da solução. Aqui estão minhas quatro principais:‎

‎Recuperar a narrativa política através de orientação política confiável sobre taxas‎

‎Sem uma orientação política confiável do Fed e testemunhando números de inflação que tendem a surpreender consistentemente pelo lado positivo, os mercados correram para precificar um caminho de taxa de juros historicamente agressivo para este ano. Quanto mais funcionários do Fed mudaram para uma narrativa cada vez mais hawkish para alcançar os preços do mercado, mais os mercados inclinaram-se para precificar não apenas mais altas mas também um maior aumento inicial nos juros. No início desta semana, os preços do mercado embutiam três aumentos consecutivos de 50 pontos-base.‎

‎O Fed precisa desesperadamente recuperar o controle da narrativa política se quiser ter alguma chance de aterrissar a economia suavemente. Repetidamente, o Fed falhou em influenciar os mercados com proteções de políticas claras e confiáveis.‎

‎Quanto mais o Fed continua a perseguir os mercados em vão, maior a probabilidade de outro erro político grave, pois é forçado a uma de duas alternativas desagradáveis: ou valida as expectativas do mercado e arrisca uma recessão cara, ou decepciona-as e piora ainda mais as expectativas inflacionárias.‎

Estabelecer um caminho para o enxugamento‎

Os mercados procurarão sinais sobre a velocidade e a magnitude da redução do balanço do Fed. Sem tais sinais, há uma preocupação crescente de que o enxugamento possa, por si só, perturbar tanto a estabilidade do mercado quanto o bem-estar econômico.‎

‎Isto é mais difícil do que parece. Tendo aumentado seu balanço para US $ 9 trilhões, não há nenhuma cartilha histórica sobre como gerenciar uma redução gradual e ordenada.‎

‎Os desafios são agravados porque o Fed, já tão atrasado em reconhecer os problemas de inflação e tomar as ações políticas necessárias, agora tem que simultaneamente encolher seu balanço e elevar as taxas de juros. De fato, com o tempo como inimigo, o Fed precisará de muito mais habilidade e sorte para evitar que um problema de especificação insuficiente se torne um de especificação excessiva.‎

Mudar de uma função política reativa para uma proativa ‎

‎O chamado Fed dependente de dados está muito atrasado para pivotar de um quadro de política monetária fortemente reativo para um mais proativo e futuro. Isso requer mais do que apenas palavras sobre sua função de reação política. O Fed deve evoluir seu "novo quadro monetário" ou reverter para o que estava em vigor antes de agosto de 2021.‎

‎Mais uma vez, isso é mais fácil dizer do que fazer.‎

‎Leva tempo para evoluir um quadro que foi projetado para um mundo de demanda agregada deficiente, mas tem sido realizado em um mundo de oferta agregada deficiente. Embora a alternativa de reverter ao quadro anterior seja menos demorada, envolveria mais um constrangimento para um Fed lidar com sua credibilidade danificada.‎

Assumir os erros do passado recente‎

‎Ao contrário do Banco Central Europeu, que emitiu um boletim sobre esta última semana, o Fed ainda não divulgou uma avaliação de por que suas ferramentas de previsão falharam tanto para prever a inflação em 2021 e até agora em 2022.‎

‎Sem essa avaliação, juntamente com uma explicação de como as ferramentas foram melhoradas, a credibilidade da inflação danificada do Fed continuará sendo um obstáculo à sua eficácia na contenção de expectativas inflacionárias instável e cada vez mais desancoradas. Embora o conjunto de medidas implícitos no mercado e na pesquisa da inflação futura varie, eles concordam em uma coisa: a inflação provavelmente permanecerá acima da meta de inflação de 2% do Fed por vários anos.‎

‎Nenhum desses desafios são fáceis. Deixá-los sem resposta só tornará mais incerto o futuro do crescimento econômico inclusivo e da estabilidade financeira genuína ainda.‎

Observando as sugestões de El Erian, o mesmo sugere que seria necessário o Fed assumir seu erro mostrando no que errou, além de explicitar o que estaria fazendo para consertar seus modelos. Um verdadeiro puxão de orelhas.

Assim como o ser humano, o Fed demorou para reagir e mudar. Me recordo que no ano passado publicou uma nova sistemática de cálculo de inflação, que levaria em conta a média de um período longo. Como ela ficou muito abaixo por diversos anos, garantiria que uma pequena elevação levaria a média para seu objetivo de 2%. Mas com inflação de 8% atingida recentemente não tem como a média ficar nesse objetivo. Sempre achei essa ideia meio esdruxula: como compensar a inflação com o passado? Ela já era e ponto, política monetária se faz na margem!

Uma situação que me preocupa para o futuro tem a ver com a análise técnica nos títulos americanos de 10 anos. No gráfico de mais longo prazo a seguir, se pode notar que o nível em que se encontra agora está prestes a romper a linha de longo prazo traçada desde o início dos anos 80. Caso isso ocorra de forma consistente, poderia se esperar que as taxas atingissem algum nível entre 6,2%/8,0%/9,9%, num intervalo de tempo de anos.

Esses níveis são impensáveis hoje, mas assim como juro negativo o foi durante toda a História, não são impossíveis —tanto é assim que o economista do Deutsche Bank projeta que cheguem a 6% a.a. no espaço de 2 a 3 anos.                             


No post barata-tonta fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “Tudo indica que a onda a) em laranja tenha terminado, embora com a alta de hoje não é possível ter certeza” ... Essa primeira frase já fez com que eu interrompesse o conteúdo acima, pois a queda não terminou nesse ponto. Muito bem, isso altera minha análise? Não, veja a seguir.


Minha afirmativa acima é valida se o Ibovespa mostrar uma recuperação nos próximos dias, pois caso contrário o que ocorreu de dezembro passado até o hoje foi uma correção que o levaria para níveis inferiores a 100 mil.


Eu delimitei uma área em azul no gráfico, compreendida entre 104 mil/ 100 mil, que merece cuidado. O movimento da onda a) em amarelo não deveria penetrá-la, mas se for, vou descartar o cenário atual quando o nível ficar abaixo de 100 mil. Essa dúvida deverá ser esclarecida num espaço curto, pois no caso mais sombrio o Ibovespa deveria cair mais acentuadamente nos próximos dias.

- Puxa David, logo agora que você estava ficando mais animado!

Animado sem ser torcedor. Você sabe do meu ceticismo, que não tem a ver com nada fora o mercado, embora tenha inúmeras razões para estar também cético fora dele. O Ibovespa nunca saiu do campo da correção durante esse vários anos que o sigo. No curto prazo imaginei, e ainda imagino, que poderia haver uma tentativa. Em todo caso, não jogue a toalha, nem tampouco dê uma de engraçadinho e se envolva com uma compra, só porque caiu muito. Espere o Mosca dar alguma sugestão.

O SP500 fechou a 4.297, com alta de 2,94% ( o mercado gostou do Fed, mais comentários amanhã); o USDBRL a R$ 4,9093, com queda de 0,98%; o EURUSD a 1,0603, com alta de 0,77%; e o ouro a U$ 1.882, com alta de 0,80%.

Fique ligado!

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