Inflação: A Revanche

4 de fevereiro de 2015

A inflação da deflação

Antes que meu amigo pergunte se estou ficando louco pelo título sem sentido de hoje, vocês já devem ter notado a quantidade de vezes que a deflação vem sendo usada, para definir como se encontram alguns países. Talvez o Japão seja o caso mais recente, a buscar sair deste estado letárgico nos últimos 20 anos. Conceitualmente, pode-se definir a deflação de uma maneira simples, como o aumento da oferta em relação à procura, ou uma mudança abrupta no consumo, gerando uma certa redução nos preços. A causa principal do BCE, ter finalmente agido, é o resultado direto da deflação se enraizando na Europa.

A deflação é um termo amplamente utilizado nos círculos financeiros, no entanto, sua popularidade é ofuscada pela seu "irmã", a inflação. O cidadão médio, provavelmente, não se preocupa com a deflação, e até seria simpático a um ambiente de preços caindo. Logicamente, este estado é condicional a que seus rendimentos mantenham-se os mesmos, ou subam, o que não é possível, haja visto que, os lucros das empresas estarão sob pressão todos os meses. A recente queda dos preços do petróleo é um bom exemplo, as empresas pressionadas por preços significativamente menores, ocasionada pelo aumento da oferta, reagiu com a suspensão de projetos e demissões de funcionários. Neste caso, a deflação é perversa para quem está no setor, mas positiva para os outros cidadãos.

Para você ter uma ideia de como o assunto vem ganhando destaque, veja no gráfico abaixo o número de vezes que esta palavra apareceu nas manchetes. Somente no mês de janeiro deste ano, o aumento foi de mais de 350% em relação a todo ano de 2014. Esta elevação percentual não é inflacionária? Ou melhor, Hiperinflacionária! Hahahah....


Uma definição dada pelo Morgan Stanley, cujo trabalho publiquei no post o-FED-vai-recuar?, define bem este estado: ..."A origem da força global deflacionária é causada pelo excesso de poupança em relação a oferta de investimentos".... Esta parece ser a forma de deflação que vem deixando os mercados receosos, e que está sendo combatida pelos Bancos Centrais, através de maciças injeções de liquidez. Assim, dois ingredientes necessários para a deflação estão presentes: Um desequilíbrio entre oferta e demanda, e uma forma dominante de medo.

Uma prova do efeito deste fator no mercado de juros, pode-se verificar abaixo. O gráfico compara a curva de juros nos USA e Alemanha, através de uma média de 15 anos, contra a situação atual.

Atualmente, houve uma queda de aproximadamente 2% a.a., em todos os vencimentos, e os juros de curto prazo implicam taxas de juros reais e até nominais, negativas.

O fator cultural pode ter efeitos diferentes em vários países. Com os números de consumo nos USA mostrando crescimentos persistentes, e a elevação na forma de liquidez das empresas e valorização dos ativos, a experiência da deflação naquele país, pode ser bastante diferente das atualmente vistas na Europa e Japão. Ciclos deflacionários e inflacionários, sempre têm um momentum que mantem a tendência por mais tempo, depois que a pressão foi abatida.


A duração do ambiente deflacionário atual, pelo menos internamente nos USA, parece que está na pressão salarial, que está se construindo no sistema, lentamente. A história mostra que, quando a capacidade de produção encolhe, existe uma posterior necessidade de trabalhos mais qualificados, ocasionando a diminuição no estoque desta mão de obra, pressionando os salários, como parece estar indicando o gráfico acima. Este efeito pode indicar uma pressão inflacionária oriunda dos salários, o que parece ser a tese do Deutsche Bank, exposta no post de ontem fed-behind-curve.

Figurativamente a deflação é associada ao gelo e a inflação ao fogo, razão da minha foto acima.
Mundo complicado!

Na sexta-feira serão publicados os dados de emprego nos USA, referentes ao mês de janeiro. A expectativa é para a criação de 230.000 e manutenção da taxa de desemprego em 5,6%. Na minha humilde opinião, uma oscilação de +/-30.000, teria variações marginais no mercado. Se caso a diferença for maior que essa, tanto para cima como para baixo, poderão gerar movimentos. Um número menor, teria um impacto sugerido pelo Morgan and Stanley, enquanto um número maior, prevaleceria a ideia do Deustche Bank.

No post enquanto-isso, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...Um teste importante para o ouro, será o nível de US$ 1.320/1.340, se ultrapassar as chances aumentam de um movimento mais duradouro. Por outro lado, abaixo de US$ 1.250, começa a ameaçar esse objetivo. No momento vou esperar...


O ouro não foi nem acima de US$ 1.320, nem abaixo de US$ 1.250, respeitando os limites colocados pelo mosca, que moral hein! Hahahahah .... Tecnicamente, nada de muito a acrescentar, e a situação, não me motiva a nenhum posicionamento.

A proposta de trade proposta ontem, de comprar USDBRL a R$ 2,66/2,67, não foi confirmada uma vez que a mínima foi de R$ 2,6840. Assim, fica cancelada essa ordem. O próximo objetivo é de R$ 2,80.

O SP500 fechou a 2.041, com baixa de 0,42%; o USDBRL a R$ 2,7416, com alta de 1,77%; o EURUSD a 1,1362, com queda de 1,02%; e o ouro a US$ 1.265, com alta de 0,52%.
Fique ligado!

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