Inflação: A Revanche

19 de fevereiro de 2015

Se correr o bicho pega

Depois de terminado mais um Carnaval, onde eu não me enquadro como um grande fã, voltamos as postagens do Mosca. Nada de muito importante aconteceu, e os mercados ficaram com os mesmos tons. Falando nisso, o filme cinquenta tons de cinza, têm tido uma repercussão divergente. De um lado as críticas são extremamente negativas, e por outro lado, é recorde de bilheteria em todo mundo. Achei interessante a classificação da minha enteada, uma moça de 21 anos: "Um filme pornô light". Será isso mesmo? Sem entrar no mérito das cenas, acho que fica uma mensagem que é verdadeira nos dias de hoje, os jovens com um certo grau aquisitivo tendem a ter uma postura imediatista e selfish. Outros, embora sejam raros, tem uma atitude mais romântica e "honesta" de sentimentos. O filme mostra que esta última balança as crenças da primeira, sem entretanto vencê-la.

Ontem foi publicado as minutas da última reunião do FED, e o mercado que esperava alguma pista mais clara, se frustrou. A expressão muito conhecida, "se correr o bicho pega e se ficar o bicho come", é exatamente a conclusão desse documento. Vários participantes notaram que, uma saída tardia da política monetária excessivamente acomodativa, pode levar a uma elevação indesejável da inflação. E a manutenção das taxas de juros no seu limite mínimo, poderá forçar o FED a ter que elevar rapidamente os juros, se isso revelar-se necessário, afetando adversamente a estabilidade financeira.

Outros participantes observaram que, uma elevação prematura  das taxas de juros pode abortar a sólida recuperação aparente na atividade real e nas condições do mercado de trabalho, o que prejudicaria no progresso em direção aos objetivos do Comitê de máximo emprego e inflação em 2% a.a. Além disso, o FED poderia se ver obrigado, em consequência de maus resultados econômicos, a ter que voltar a taxas de juros de 0% no futuro. Isso poderia colocar em questão, a credibilidade da autoridade monetária.

A tabela abaixo é extraída das taxas de juros explicitas nos mercados futuros. O objetivo é calcular quando é esperado uma elevação dos juros. O documento quando essa probabilidade é superior a 50%.


Alguns analistas acreditam que o FED esteja entrando no que se convencionou chamar de "Guerra Cambial". No relatório é comentado que a alta do dólar é "uma persistente fonte de contenção" das exportações americanas. A grande maioria dos BC's ao redor do mundo, vêm cortando suas taxas de juros, com o intuito de induzir a desvalorização de suas moedas, e evitar um risco eminente de deflação, que ronda o planeta.

O mapa do mundo, pode dar uma ideia de como estão sendo praticadas as políticas monetárias, em cada país. Notem que o Brasil e a Rússia, são os únicos países de certa expressão, que praticam juros, "amarelo pálido", superiores a 10% a.a.


A conclusão é que não existe consenso dentro do FED, e é prudente adotar uma postura pragmática. Por enquanto, com os dados recentes em mente, os juros deveriam começar a subir no 2º semestre de 2015, o que já é uma previsão incerta, daí para frente, é melhor apostar usando o critério mais correto nestas situações, o cara ou coroa!

No post Picasso-on-sale, eu fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...Tecnicamente não dá para afirmar que o movimento de alta reverteu, porém existe um intervalo que deverá ser respeitado, caso contrário, o ouro corre o risco de cair abaixo de US$ 1.130, nível mínimo atingido recentemente. Este intervalo está apontado no gráfico acima em vermelho, entre US$ 1.200/1.220...

E foi exatamente o que aconteceu, testou os níveis que apontei anteriormente. Nos próximos dias teremos uma ideia melhor de qual o rumo que o ouro irá tomar. Para vocês terem algum parâmetro, enquanto estiver abaixo de US$ 1.265, as chances de mais quedas continuam no radar, e se negociar abaixo de US$ 1.195, aumenta a probabilidade de níveis abaixo de US$ 1.135.
Conclusão: Nada a fazer!

O SP500 fechou a 2.097, com baixa de 0,11%; o USDBRL a R$ 2,8663, com alta de 1,05%; o EURUSD a 1,1363, com baixa de 0,27%; e o ouro a US$ 1.206, com queda de 0,52%.
Fique ligado!

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