Inflação: A Revanche

14 de dezembro de 2015

Juros de 10 anos

Como comentei, hoje começo minhas previsões de mais longo prazo, para os ativos que acompanho. Vou começar pelos juros de 10 anos americanos, antes da reunião do FED da próxima quarta-feira.

Alguns artigos publicados colocou em dúvida se seria o melhor momento para esse movimento do FED. As principais argumentações pesam sobre os baixos níveis de inflação, que podem ser ainda mais amplificados pela queda ininterrupta das commodities.

Embora os Bancos Centrais estejam prevendo que a inflação irá atingir seus objetivos em 2016, eles vêm fazendo as mesmas previsões nos últimos quatro anos. Se o FED se enganar novamente, poderá concluir futuramente, que era muito cedo, arriscando levar a economia para a recessão.

Inflação baixa - e preços baixos - parece bom, mas pode inibir aumentos de salários e lucros. As dívidas ficam mais difíceis de serem pagas sem inflação. Para os BC's, quando a inflação é muito baixa, os juros também são, deixando pouco espaço para cortá-los, e estimular a economia numa recessão.

O enigma de hoje sobre a inflação baixa, marca uma reviravolta. O ex-presidente do FED, Paul Volcker, domou uma inflação persistentemente alta, de dois dígitos em 1980, após uma década de estagflação, que é  um período de aumento dos preços com crescimento lento e desemprego elevado. Depois durante anos, os Bancos Centrais adotaram metas de crescimento baixas e uma inflação constante de 2%.

A medida preferida do FED de inflação - PCE - subiu uma média de 2,04% ao ano entre 1992 e 2007, reforçando a confiança que os economistas entendiam como a inflação funciona.

Os BC's pensaram que esta queda foi conquistada em função de suas políticas. Jon Faust, diretor do Centro de Economia Financeira da Universidade Johns Hopkins, que serviu dois turnos no FED durante esse período. disse: ..."Pensávamos que descobrimos como controlar a política macro, e nós poderíamos entregar inflação baixa e estável, baixa taxa de desemprego e todas as coisas boas."...

A crise financeira diminuiu em muito  essa confiança. Confrontados com inflação baixa e crescimento econômico lento, os EUA e o Reino Unido quase sete anos atrás, e os da zona do euro, três anos depois, cortou as taxas de juros para perto de zero.

Os BC's criaram dinheiro e usaram para comprar bonds, na esperança de puxar para baixo as taxas desses títulos, encorajando os indivíduos e homens de negócio a se endividarem para realizar projetos de maiores riscos.

Mas passados esses nove anos, desde a última elevação de juros, parece que o mundo ficou "viciado" com a existência de helicópteros por toda parte. Agora com a menor intenção de voltar ao normal, coloca o mercado em alta tensão, com medo da abstinência.

A configuração técnica dos juros de 10 anos, deixa totalmente aberta a possibilidade de uma alta ou de uma baixa. No gráfico a seguir pode-se observar que seu comportamento é tipicamente de correção. Desde 1981, os juros iniciaram um processo de queda que ficou contido na linha azul até 2008, quando temporariamente em dezembro daquele ano rompeu esta reta ( círculo verde). Acontece que logo em seguida retornou, o que pode ser encarado como uma ruptura falsa.

Depois disso, em agosto de 2011 (círculo preto), o mesmo fenômeno aconteceu, só que desta vez parecia que os juros tenderiam para níveis abaixo de 1% a.a. Foi quando em abril de 2013, o até então Presidente do FED, Ben Bernanke, alertou o mercado que estava preparado para subir os juros.

E mais recentemente, em janeiro deste ano (círculo roxo), os juros ameaçaram romper a reta azul, mas reverteu em seguida em fevereiro.

No post que publiquei ontem us$-The return, elaborei três cenários possíveis que, de certa forma, são consistentes com os que irei descrever.

Como vocês podem verificar a seguir, os juros está se encaminhando para uma decisão, pois encontram-se contido no triângulo vermelho, abrindo assim dois cenários:

"Uhhhhh..."

Finalmente a economia americana pega no breu e todos os temores de deflação, recessão, e outros "ãos", darão espaço para um crescimento mais saudável.
Os juros, ao romper o nível de 2,4% a.a., pode-se esperar uma alta até o nível de 3,3% - cenário By The Books do DXY. Caso ultrapasse, o próximo ponto vai buscar 4,4% a.a, ainda compatível com o mesmo cenário. Somente níveis superiores a esse último, o cenário deveria migrar para - Behind The Curve.

"Don't even think"

Da mesma maneira que pode romper para cima, poderia romper para baixo, numa situação em que a deflação passa a ser real - nem quero pensar!
Vocês estão sentados? Agora veja o que poderia ocorrer. Ao romper inicialmente o nível de 2,0% a.a., o próximo ponto seria 1,1% a.a., que se não for contido, rumaria para 0,60% a.a. Como os juros já perderam a vergonha de ser negativo, não posso deixar de mencionar o último ponto a -0,90% a.a.

Mas a opção do Mosca é o cenário "Uhhh....". Mas estamos abertos a qualquer cenário, afinal o compromisso é sempre com o bolso. Quero deixar claro que, se o cenário "Don´t eeven think" se materializar, vou me aposentar, afinal justo agora que preciso de renda, vou ter que pagar para investir? " To fora!"  Hahaha...

O SP500 fechou a 2.021, com alta de 0,48%; o USDBRL a R$ 3,8764, com alta de 0,13%; o EURUSD a 1,0990, sem alteração; e o ouro a US$ 1.062, com queda de 1,12%.
Fique ligado!

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