Inflação: A Revanche

3 de dezembro de 2015

Na corda bamba


Na corda bamba foi o título de um filme da década de 50 sobre um colar que foi encontrado dentro de um piano por  um afinador, e que vai passando de mão em mão. Dentro do elenco encontrava-se Zé Trindade, um precursor do cinema nacional. A Presidente Dilma encontra-se também na corda bamba, depois da abertura do processo de impeachment iniciado por Eduardo Cunha. Não sei exatamente qual foi a estratégia traçada pelo PT ao colocar seus aliados a favor do processo contra Cunha. Não precisa ser nenhum grande estrategista para prever que Cunha teria duas opções: renunciar e sair de cena, ou morrer atirando. Ele preferiu esta última, e parecia o mais provável, pois com atitudes psicóticas de perseguição, acha que os problemas que enfrenta são manobras elaboradas pelo governo.

Acredito que o Presidente da Câmera cometeu um erro de julgamento, pois o que está ocorrendo hoje no país é uma onda de moralização, que ganhou um dinamismo sem controle dos que são contrários, ou tem algo a perder. Por sinal, o delegado Moro, parece ser tão correto que nenhum vazamento ocorreu, ao não ser quando tinha algum interesse de intimidação. Ele é o maior insider deste país, e suas informações valeriam uma fortuna na mão de qualquer operador. Porém nada disso se observou. Tem se mostrado íntegro.

O que vai acontecer? Ninguém consegue fazer uma previsão, mas na minha humilde opinião, sem o povo aderir, será difícil imaginar que o impeachment ocorra. Agora se o do Collor durou 28 dias, este agora se aprovado, deverá durar muito mais. Além disso, o calendário é favorável a Dilma, uma vez que, o processo não cancela as férias dos políticos.

A Yellen reforçou ontem que, caso não aconteça nenhum desastre na criação de empregos amanhã, o FED vai subir os juros em dezembro e esse deverá ser presente de Papai Noel para o mercado. Ontem foi publicado os dados do ADP, que é uma proxy do que se pode esperar amanhã.

O resultado de 217.000 foi um pouco acima da previsão de 190.000, porém como se pode verificar no gráfico acima, a correlação não tem sido muito boa. O número que o mercado espera para a publicação oficial é de 190.000. Embora esse não seja o único dado importante, será analisada também a taxa de desemprego, as evoluções de ganhos dos salários e o participation rate.

A China, não se sabe bem, se tem um Coringa na mão ou um mico, essa dúvida será carregada para o próximo ano. Alguns dados foram publicados apontando o crescimento de sua dívida desde a recessão de 2008.



Em uma comparação, em relação aos outros países, de sua dívida em relação ao PIB, fica evidente o excessivo endividamento contratado.
Nos últimos dias o Yuan vem sofrendo leve desvalorização e agora o dólar se aproxima das máximas atingidas em agosto, depois do movimento inesperado do Banco Central da China. Como já havia comentado antes, o mercado aposta em níveis superiores para o dólar no próximo ano, só depende das autoridades chinesas estarem de acordo.

No post memórias-de-infância, aventei a hipótese do ouro buscar uma recuperação do nível de US$ 1.080: ...Tecnicamente, quando um mercado tenta romper um nível e não consegue, é provável uma reação em sentido contrário, quando isso acontece por duas vezes, chama mais a atenção ainda. Parece que o mercado está esperando o movimento do FED em dezembro. Não podemos descartar a famosa frase: sobe no boato e caí no fato. Mas por enquanto é tudo wishfull thinking. Nada a fazer neste mercado... E foi só wishfull thinking!
O gráfico acima de médio prazo não deixa a menor dúvida, que a situação do ouro é semelhante a da Presidente, está na corda bamba. O nível de US$ 1.050 é importantíssimo, caso seja rompido, podem esperar o metal abaixo de 3 dígitos, muito distante dos US$ 1.920 de quatro anos atrás. 

Acho que a batalha não será fácil, o mercado encontra-se fortemente posicionado para a queda, e qualquer fato inesperado, pode alterar este quadro, com uma forte reação de alta. Mas mesmo que isso aconteça, não é garantia de que o ouro, que saiu completamente das manchetes, vire um pop star novamente.

O Super Mário resolveu dar um susto no mercado, ao anunciar hoje, que vai manter as taxas de juros do euro. O mercado já dava como certo que ele iria abrir as torneiras. Como eu estava desconfiando síndrome-do-vermelho, fiz lá os seguintes comentários: ...as posições vendidas na moeda única estão bastante elevadas. No gráfico a seguir (veja o post), pode-se ter uma visão de como as apostas a favor do dólar se proliferaram recentemente, especialmente no euro... ...Em relação ao euro, não vou fazer nada neste preço, aguardo a confirmação do rompimento, ou um nível melhor para entrar...


Entre a mínima do dia a 1,0525 para a máxima a 1,0980, o euro oscilou 4,3%, e fez a desgraça dos vendidos. Vou esperar mais algumas horas e decidir se fazemos uma posição especulativa na compra de euro. Dúvida: Será que o Super Mário anda lendo o Mosca? Hahahaha...

O SP500 fechou a 2.049, com queda de 1,44%; o USDBRL a R$ 3,7590, com queda de 1,95%; o EURUSD a 1,0944, com alta de 3,15%; e o ouro a US$ 1.062, com alta de 0,82%.
Fique ligado!

3 comentários:

  1. David,
    Não só o calendário é favorável aos governistas. Desde a virada de setembro para outubro, com a assunção do ministério e gestão política por Lula, tudo se passa como num novo jogo. A oposição perdeu o rumo. E a iniciativa. Os governistas escolheram o momento atual com precisão, e não por acaso.
    Nesta semana o Congresso mudou a meta fiscal e, com isso, excluiu qualquer alusão à pedalada neste ano. O argumento de que houve manobra em 2015 desaparece. (Palavras do ex-presidente da OAB).
    O presidente da Câmara teria surpreendente e aparentemente bobeado, deixando passar a mudança da meta fiscal, para então disparar o impeachment. Não teria percebido que assim fez o jogo dos governistas: aproveitar o período tradicionalmente de baixa mobilização popular, para supurar de vez - entre agora e o Carnaval, a ameaça do impeachment.

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  2. @Jael, não vi em nenhum lugar a interpretação dada pelo ex-Presidente da OAB. Sabemos que as decisões do Judiciário aqui no Brasil nem sempre seguem a lógica, tudo é possível.
    Tenho dificuldades de acreditar que tanta gente teria "comido bola", principalmente Eduardo Cunha, que estava com a faca e o queijo na mão para não passar o orçamento, se assim o desejasse.
    Em todo caso, como frisei acima, tudo é possível.
    Ainda continuo achando muito difícil passar o impeachment se não houver manifestações de rua a "la Collor".

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  3. Segue o link da entrevista do ex-presidente da OAB:
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/12/1715482-pedalada-fiscal-e-desculpa-diz-autor-de-pedido-de-impeachment-de-collor.shtml

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