Inflação: A Revanche

16 de dezembro de 2015

Ouro




Parece que o gato já estava no telhado a um bom tempo, o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy "salvador da pátria", está preparado para sair do governo. Na semana passada deu o seu sinal que, se o superávit fiscal não fosse de 0,7% do PIB, positivo é claro, pediria as contas a-put-de-Levy. Acontece que sua saída efetiva não será tão tranquila, pode demorar algum tempo.

Eu me pergunto, que profissional competente aceitaria o cargo de Ministro da Fazenda, com a possibilidade de seu chefe ser demitido no curto prazo? Mesmo que não aconteça o impedimento, como esse novo Ministro poderá fazer um bom trabalho, sem nenhum apoio político?

Acredito que essa função tão almejada é o maior "mico" dos últimos tempos. Só vejo uma chance de dar certo, se por muita sorte o preço das commodities voltarem a subir, e aqui não me refiro a uma recuperaçãozinha, seria uma com gusto! Como o petróleo de volta a US$ 80. Mesmo assim, tenho minhas dúvidas, pois para resolver o caso do Brasil é necessário um "louco".

- David, como é que é?
Deixa eu explicar o o que eu quero dizer "louco", necessitamos de um Presidente que tenha apoio da população para implementar mudanças profundas: Previdência social, aposentadoria, indexação de tarifas, mudança da regra do salário mínimo, reforma tributária, e assim vai. Em outras palavras, desamarrar as despesas orçamentárias do governo. Alguém se candidata? Um Collor II, sem os defeitos de seu antecessor.

- David, Collor? Vai perder muitos leitores assim.
Eu sei que corro o risco de muitas críticas, e aqui não defendo o que ele fez na "pessoa física", mas é indiscutível que na "pessoa jurídica" ele foi o mais corajoso dos Presidentes que conheci, e é dessa coragem que esse "novo" Presidente precisa. Caso contrário, o Brasil está fadado a períodos de melhora, seguidos de piora. Parafraseando Luis Paulo Rosenberg ... "Enquanto isso, vamos ficar enxugando gelo"...

Hoje teremos um dia histórico, o FED vai subir os juros. Mas vou ficar de olho na secção de perguntas e respostas, talvez complemente algo no final do post.

Ontem foi publicado o CPI americano e embora não seja o índice que o FED usa para suas projeções é um bom indicador do que se pode esperar.


Inflation Measures

















O índice cheio ficou em 2% a.a., enquanto o que exclui gasolina e alimentos permaneceu baixo em 0,50% a.a. Notem que, a medida do governo PCE - verde, e o CPI - vermelho, estão divergindo ultimamente.

Como tenho frisado ultimamente o ouro encontra-se num ponto delicado, uma queda consistente abaixo de US$ 1.050, abre caminho para novas baixas. Diferentemente dos outros mercados, no ouro vou ficar totalmente aberto para os dois cenários descritos a seguir. E não adianta reclamar, dinheiro não é capim!

"Renasce o pop-star"

Boas épocas em que era só comprar ouro para ganhar dinheiro, desde 2000 até 2011, o metal subiu de US$ 250 para atingir US$ 1.920, uma alta de 670%. Mas desde então, vem caindo. Comentei como o nível de US$ 1.050 é crítico. Mesmo que caia abaixo deste nível, não elimina necessariamente esse cenário, mas certamente irá prolonga-lo.
O gráfico acima é de longo prazo, e como a linha verde esta indicando, o ouro precisaria começar a se mexer já. Um primeiro nível a ser rompido, seria ao redor de US$ 1.200, ultrapassando a linha azul, em seguida US$ 1.500 - US$ 1.600. A partir daí, e dependo do shape, poderemos ter uma pista melhor se novas altas estarão no radar. O nível que vai reafirmar seu status de pop-star é US$ 1.920, acima disso, novas fronteiras se abrem.

" Metal comum"

O ouro é um metal diferente, prevaleceu por milênios como precioso. Realmente não sei se é porque é de fácil transporte de valores elevados, ou pelo seu uso como joia! Hahaha... Durante uma época foi classificado como o hedge contra a inflação. Sobre este assunto tive acesso a um estudo, há alguns anos, que desmitifica essa ideia. Mais recentemente, é encardo como um substituto de moeda quando essa perde a credibilidade. A verdade é que o ouro sempre foi objeto de controvérsias, mas continua como um ativo que tem valor.

O rompimento do US$ 1.050, levaria o ouro para o primeiro ponto ao redor de US$ 1.000. Nesta situação já vejo o metal "On Sale" a US$ 999! Hahaha... Mas tem o aspecto psicológico e será manchete dos jornais. Depois disso, o próximo ponto seria US$ 880 e em seguida US$ 750. A partir daí, fica a dúvida, se continua a queda ou essa seria uma tremenda oportunidade de compra. Mas estamos muito longe de ter que decidir sobre isso.

Tenho uma preferência mínima por um dos cenários, mas prefiro não revelar, assim fico livre para tomar qualquer direção.

O SP500 fechou a 2.073, com alta de 1,45%; o USDBRL a R$ 3,8883, com alta de 0,44%; o EURUSD a 1,0911, com queda de 0,45%; e o ouro a US$ 1.072, com alta de 1,04%.
Fique ligado!

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