Inflação: A Revanche

6 de outubro de 2016

Aperte o cinto: O piloto é você!


Um artigo publicado pelo Wall Street Journal relata as consequências do movimento observado nestes últimos anos, de proteção da Indústria e também do setor de serviços, pelos governos. Esse movimento é global e já se verifica as consequências no movimento de comércio entre as nações.

Desde 2012, o comércio mundial cresceu apenas 3% a.a., menos de metade da taxa das três décadas anteriores. Entre 1985 e 2003, cresceu duas vezes mais que o produto interno bruto global; nos últimos quatro anos, o comércio quase não conseguiu manter o ritmo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.

Além do mais, essa desaceleração tem sido em todas as frentes, afetando os países desenvolvidos e as economias emergentes, o comércio de serviços, bem como de mercadorias.

A Organização Mundial do Comércio está agora prevendo que o comércio mundial deverá crescer apenas 1,7% este ano, tornando este o primeiro ano, nos últimos 15 anos, onde este indicador é menor que o crescimento da economia mundial.

Esta desaceleração é preocupante, uma vez que pode comprometer a saúde, a longo prazo, da economia global. A globalização das últimas décadas tem sido um dos principais motores do aumento do nível de vida, em todo o mundo. Os cidadãos de países desenvolvidos se beneficiaram da queda dos preços, enquanto aqueles em economias emergentes se beneficiaram de melhores empregos.

Tem sido um princípio de pensamento econômico durante dois séculos que o comércio beneficia ambas as partes, por meio de maior especialização, maior eficiência, a troca de ideias e finalmente, maior inovação e produtividade. É o crescimento da produtividade que, em última análise, eleva salários e o crescimento.

A "boa notícia" é que, até agora, três quartos da desaceleração parecem ser o resultado de uma queda dos investimentos, em vez de ações deliberadas por parte dos governos, de acordo com uma análise do FMI.

A este respeito, a queda do comércio mundial é, sobre tudo, um sintoma do mal-estar econômico mais amplo que o mundo tem lutado, desde o início da crise financeira global: Se os formuladores de políticas podem encontrar uma maneira de elevar os investimentos, quer seja por um aumento da procura ou desbloquear impedimentos da oferta, o comércio deve crescer também.

Mas o FMI também concluiu que o resto da desaceleração foi explicado, em grande parte, pela redução no ritmo de liberalização do comércio e o aumento do protecionismo. Entre 1985 e 1996, as tarifas globais caíram cerca de 1%a.a.; entre 1995 e 2008, desacelerou para 0,5%a.a.; e desde 2008, a redução tarifária foi amplamente estancada. Da mesma forma, o ritmo de novos acordos de livre comércio, caiu de 30 por ano na década de 1990, para apenas 10 por ano desde 2011.

Enquanto isso houve um pequeno aumento acentuado no número de novas barreiras comerciais - sob a forma de medidas “antidumping” ou direitos em retaliação nos últimos dois anos.

Anos de crescimento lento, salários estagnados e aumento da desigualdade, estão alimentando uma reação política crescente contra o que alguns dizem que é a concorrência desleal de empresas estrangeiras, e os trabalhadores estrangeiros entre os países desenvolvidos, mais claramente observados na campanha eleitoral dos EUA e na votação do Brexit.

Isso, por sua vez, está levantando temores entre empresas, de que novas barreiras ao comércio surgirão, não menos importante entre as da Grã-Bretanha e da União Europeia. Ao mesmo tempo, a instabilidade política está tornando mais difícil para os governos em prosseguir as reformas estruturais necessárias para incentivar os investimentos, e assim estimular o crescimento e produtividade.

Até agora, os bancos centrais têm sido capazes de responder ao fraco crescimento global, através de taxas de juros baixas, numa tentativa de incentivar o investimento. Mas com as taxas de juro já perto zero ou, em alguns casos, abaixo de zero em todo o mundo desenvolvido. Muitos temem que os riscos de política monetária “ultrafrouxa”, fazem mais mal do que bem, minando modelos de negócios bancários, a tal ponto, que eles podem acabar restringindo a oferta de crédito ou cobrando mais por empréstimos. No caso do Deutsche Bank, a dúvida sobre seu modelo de negócios tem levado alguns a questionar até mesmo a sua sobrevivência.

Neste ambiente frágil, cada choque político levanta mais dúvidas sobre o futuro dos riscos da globalização, empurrando a economia global mais perto do precipício, uma vez que cada downgrade para previsões de crescimento global leva à uma redução das expectativas de inflação. Isso empurra para cima as taxas de juros reais, levando a um aperto indesejado da política monetária.

O Brexit fez com que o risco aumentasse. Na conferência esta semana do Partido Conservador em Birmingham, Inglaterra, os ministros do governo conversaram animadamente das oportunidades para o comércio livre, que surgem como resultado de abandonar a UE. Mas essa retórica ainda tem de ser testada pela realidade: nos bastidores, a conferência foi inundada com lobistas, exigindo proteção contra o que a primeira-ministra Theresa May, denominou de "redutores de velocidade" à frente.

Enquanto isso, aos olhos do resto do mundo, o Brexit foi visto como um claro voto contra a globalização. É um momento potencialmente crucial, em que as forças centrípetas que a 70 anos alimentou o aprofundamento da integração econômica europeia, dá lugar às forças centrífugas de desintegração, levantando o espectro de contágio político que resulta em mais impedimentos ao comércio entre fronteiras.

O mundo pode estar lutando para viver com a globalização, mas não sabe como viver sem ela também.

Queria lembrar os leitores que a crise de 29 foi precedida de um movimento semelhante ao que se observa atualmente, naquela época os países buscavam políticas para desvalorizar a sua moeda, além de criar barreiras alfandegárias, no intuito de preservar os empregos em seus países. Não acredito que situações passadas possam ser projetadas no futuro de uma forma “past copy”, as circunstâncias normalmente são bem distintas. Por outro lado, as razões podem sim se repetir, bem como suas consequências.

Esse quadro econômico tem levado a busca, pelos cidadãos, por políticos de direita, cujo discurso se baseia nesses princípios. Da mesma forma que o radicalismo de esquerda leva a grandes prejuízos à economia. O mesmo se pode dizer para o radicalismo de direita, cuja história nos lembra do Nazismo, predominante na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Acredito que é nesse cenário que viveremos os próximos anos e o grande desafio em termos de investimentos, será navegar nessas águas turbulentas. Apertem os cintos que o piloto é você mesmo!

Eu pretendia comentar sobre o euro hoje, porém o dólar se encontra numa situação interessante, além de não haver nenhuma definição ainda, sobre a moeda única. No post procura-se-um-candidato-presidente, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” O gráfico não deixa dúvida, brevemente o dólar terá que decidir se continua subindo, ou irá buscar novas mínimas ao redor de R$ 2,90” ...


Parece que o mercado resolveu respeitar exatamente as retas traçadas pelo Mosca, vejam vocês mesmos no gráfico abaixo, onde realizei um zoom para melhor observação.


Vou transcrever também, outra observação que considero importante do ponto de vista de comportamento humano: ...”os fatores psicológicos têm um efeito importante em relação às expectativas futuras de um movimento. ”... Por exemplo, hoje o dólar está caindo mais de 1% e nos dias atuais, é um movimento expressivo. Ao se observar o gráfico, existe uma tendência a se pensar: ...“está na cara que vai romper para baixo, vou vender rápido antes que não dê mais tempo”... É nesse momento que a disciplina se torna muito importante, para que você não entre numa possível armadilha” ... E foi o que aconteceu, no dia seguinte o dólar subiu, e agora está nitidamente contido entre as linhas traçadas acima.

É provável que nos próximos dias teremos uma indicação se o dólar está querendo subir ou cair, lembro que amanhã serão publicados os dados de emprego nos EUA. O movimento de ruptura deverá ser mais forte, pois na “briga” entre os comprados e vendidos, um deles deve jogar a toalha, impulsionando as cotações. Acompanhem os próximos dias, enquanto o Mosca sem posição, poderá escolher em qual ponta irá apostar tranquilamente.


 O SP500 fechou a 2.160, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,2241, com alta de 0,16%; o EURUSD a 1,1151, com baixa de 0,46%; e o ouro a US$ 1.253, com queda de 1,% a.a.
Fique ligado!

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