Inflação: A Revanche

5 de outubro de 2016

Os juros cairão pelo motivo certo


Antes de abordar sobre o assunto de juros no Brasil, queria lembrar que esta é a semana onde se publica os dados de emprego nos USA. Como é de costume também, é na quarta-feira que antecede esta data que, a ADP publica um dado que funciona como uma previa do oficial.

Por essa métrica foram criados 154 mil empregos, um pouco abaixo dos 165 mil previstos pelos economistas. O gráfico a seguir mostra a evolução desse resultado comparado como NFP – Non Farm Payroll. Os detalhes apontam para criaçãopositiva de empregos no setor de serviços com uma continua perda de empregos do setor de manufatura.



Embora o mandato do FED tem como objetivo o emprego e a inflação, nesse momento acredito que o último é de maior interesse da autoridade monetária, haja visto que, o primeiro encontra-se muito próximo do que se denomina em economia de pleno emprego.

A inflação está saindo da zona de deflação, que permanecia como uma grande ameaça, para buscar, e até ultrapassar, o objetivo de 2% a.a. traçado pelo FED. O gráfico a seguir, elaborado pelo Deutsche Bank, parece apontar para uma inflação crescente sob ótica de vários indicadores.


Os mercados precificam uma alta de juros para dezembro com uma probabilidade de 60%, o maior nível desde que o FED anunciou seu ciclo de normalização. A não ser que algo fora do controle aconteça, a chance de não haver uma elevação até dezembro é muito baixa. Na reunião de novembro é pouco provável, em função da eleição.

Eu frisei inúmeras vezes que o nível de taxa de juros, não pode ser simplesmente baseado em argumentos qualitativos, está muito alta ou muito baixo. Hoje em dia, sofisticados modelos econométricos são usados para estimar a inflação futura. Uma das variáveis que são imputadas no modelo é a expectativa futura de inflação, projetada tanto pelo BC como pelo mercado.

Com a nova equipe comandada por Ilan Goldfajn não esperem declarações nem “dicas” do que ele pretende fazer, sugiro analisar o relatório de inflação, as atas, e acompanhar os dados. E é por estas razões, que o mercado começou a precificar um corte de juros já na próxima reunião do COPOM em outubro.

Se fosse só pela atividade econômica os juros já teriam caído, assim, essa varável só reforça o movimento de queda, sem liderar.  O que realmente indica a futura baixa são três motivos básicos: queda do preço dos alimentos mais forte do que se esperava, além da reversão de alta dos preços livres, que agora aponta para baixo (vide gráfico a seguir); possibilidade concreta de aprovação das medidas de contenção de gastos proposta pelo governo; e queda na expectativa de inflação para 2017, situando-se em 4,9% a.a.


- David, vamos nessa, por que não comprar papéis de taxa fixa?
Hahaha ..., acho que você teve a ideia um pouco tarde, uma vez que, o Mosca não cobre o mercado de juros locais. Mas já que você lançou a ideia, o mercado precifica um corte de aproximadamente 350 pontos para o final de 2017, ou seja, uma taxa SELIC de 10,75% a.a. Assim uma boa parte da queda já está contabilizada, restaria saber em que nível o BC terminará esse ciclo de queda de juros. Pode ser abaixo desse nível? Tranquilamente, afinal o nível dos juros aqui no Brasil é cavalar.

Na reunião de hoje na Rosenberg, o economista Luis Paulo Rosenberg disse acreditar que a queda é maior que a precificada pelo mercado. Acredita que se pode esperar taxas de um dígito. Eu o conheço a mais de 30 anos, e nessa convivência identifiquei que na grande maioria das vezes ele sempre advoga que o juro tem que cair. Não sei dizer qual seria o motivo, e ao lhe perguntar, sempre dá uma resposta lógica “o nível no Brasil sempre foi absurdo”. Desconfio que pode ser outro motivo, mas esse é um assunto dele com sua analista! Hahaha .... Atualmente, se a situação melhorar da forma que as pessoas estão vislumbrando, a queda poderá ser maior que a espelhada nos mercados.

Vou tratar dos juros de 10 anos. No post existe-inflação-boa, fiz a seguinte proposta de trade: ...” sugiro um trade de compra de juros, caso o nível de 1,45% a.a. – fechamento em NY, seja atingindo, com stop a 1,60% a.a” ...


Esse é mais um caso instrutivo quando o mercado não atingi um determinado nível. Nada se deve fazer. Vocês notaram que em algumas situações, o nível proposto é pior, em termos de preço, que o nível na hora da recomendação. Porém não deve ser motivo de impedimento, nem tampouco lamentação. O gráfico a seguir apresenta mais em detalhes o que acabou ocorrendo após a recomendação sugerida no post.


A região grifada em rosa foi onde houve a reversão do mercado, a taxa chegou na mínima de 1,54%, fechando o dia em 1,61%. Desta forma, não atendeu a recomendação do trade que sugeri. Em seguida os juros continuaram subindo, e agora encontram-se a 1,72%.

Vejam que minha recomendação vai passar de apostar na queda dos juros para a alta, sem que eu fique vermelho!

Se as taxas subirem acima de 1,75% eu projeto um primeiro objetivo de 1,80% / 1,85% e se superado 1,95%/ 2,00%.

- David, quero ver se é assim que pensa, propõe então um trade!
Poderia sem problemas, se alguém quiser pode se envolver caso o fechamento de NY seja superior a 1,75% com o stop a 1,65%. Mas por que não vou propor? Primeiro, por que não é um trade com bom risco x retorno; segundo que esse ainda deve ser um movimento de correção de curto prazo, no longo prazo, a tendência ainda é de baixa de juros. Somente após o longínquo 2,45%/ 2,50% poderia indicar que o movimento de longo prazo reverteu. Prefiro esperar e observar.

Além de uma projeção dos preços futuros dos ativos, o bom analista deve examinar se o movimento que espera é impulsivo ou uma correção. Também deve calcular quanto é o seu potencial ganho e perda. Se o trade passa nesses exames, pode-se envolver, pois dinheiro não é capim! 

O SP500 fechou a 2.159, com alta de 0,43%; o USDBRL a R$ 3,2191, com baixa de 1,14%; o EURUSD a 1,1202, sem variação; e o ouro a US$ 1.266, com baixa de 0,16%.
Fique ligado!

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