Inflação: A Revanche

7 de outubro de 2016

Descontinuidade nos mercados


Já faz muitos anos que minha preferência de atuação é no mercado de câmbio, mais comumente referido internacionalmente como FX. O principal motivo é que esse mercado opera 24 horas, de segunda à sexta-feira. Já passei muitas situações onde um fato importante acontece e o mercado, que seria fortemente afetado, não está aberto. Um exemplo local que alguns de vocês podem ter presenciado, foram as maxidesvalorizações de nossa moeda. Felizmente nessas ocasiões estava na ponta correta. Outra que me recordo, foi no mercado de ouro, não me lembro bem o motivo, mas houve 9 limites de altas diários – oscilação permitida de 10% ao dia. Felizmente também estava na ponta correta, mas imagino a contraparte, que era uma mineradora estrangeira. Se não fosse esse o caso, imagino que a bolsa teria grandes problemas de liquidez. Em muitas outras também estive na ponta errada, mas não quebrei!

Nessa madrugada aconteceu uma oscilação nada desprezível na moeda britânica, a libra. É natural que, mesmo nesse mercado de FX , exista o risco do final de semana, entre o fechamento de NY na sexta-feira e abertura na Ásia no domingo à noite. Porém não seria de se esperar que houvesse uma oscilação da magnitude que ocorreu, com uma queda de 10 % em questões de minutos. 

Como isso pode acontecer? Posso elencar alguns motivos:

1.    A libra é a quarta moeda mais negociada no mercado mundial, depois do dólar, euro e yen. Assim não tem a mesma liquidez.


2.   Existe um momento que os traders de FX denominam de “buraco negro”, que é entre às 19hs em NY equivalente às 7hs da manhã em Hong Kong, onde praticamente nenhum banco está totalmente em ação.

3.    O movimento pode ter sido causado por investidores como hedge funds e high frequency traders, que são ordens executadas em milionésimos de segundos por computadores, e de forma automática.

4.    E por último, o decréscimo da participação dos bancos nesses mercados, dando lugar aos investidores, como os acima citados. Em 2009 as instituições financeiras representavam o equivalente a 61,5%, e agora 44,7%.

Mas independente de qual seja o motivo, é importante que se conheça essa “falha” no mercado de FX. Na verdade, o melhor é considerar como 23 horas, e isso pode ser crucial em determinados momentos.

Meu objetivo hoje foi o de alertar para esses detalhes que, em 99% do tempo não faz a menor diferença, mas em 1% pode quebrar alguém. Assim, se existirem no futuro situações de risco, é mais prudente fechar as operações no horário de NY e recolocar as ordens quando Hong Kong estiver já funcionando. Veja a seguir como foi a negociação da libra esta madrugada.


O evento durou menos de 2 minutos entre as mínimas de 1,14 e a máxima de 1,24, nível que se encontra no momento.

Do ponto de vista econômico, a Grã-Bretanha sem fazer nada por enquanto, já está conseguindo ajustes muito mais significativos que a Europa, pois com uma desvalorização acumulada na libra de 21% e uma perspectiva de elevação da inflação, sua posição em termos de troca melhorou muito. Será que o Brexit não será tão ruim assim?

Em relação aos dados de emprego nos EUA não demanda muitos comentários, com a criação de 156 mil vagas e a taxa de desemprego com pequena elevação para 5%, não causaram grandes impactos nos mercados. Fica a opção de alta dos juros pelo FED em dezembro, como o mais provável de acontecer. Naturalmente, o movimento da libra não pode entrar em queda livre daqui em diante, essa seria uma situação de reconsideração pela autoridade monetária americana.

A publicação do IPCA de setembro no Brasil, vai de encontro com os comentários do post -os juros-cairão-pelo-motivo-certo. O resultado foi de 0,08% e a taxa em 12 meses 8,5% a.a. Na tabela a seguir destaco o índice de difusão que passou para 56,8%, levando essa métrica a níveis quase de normalidade, bem como a inflação dos preços livres que desacelerou para 8,69%.


Por tudo isso, e se a PEC 241 for aprovada antes da próxima reunião do COPOM, podemos esperar uma queda da SELIC em outubro. O Mosca tem uma visão diferente do mercado, que aposta num movimento de 25 pontos básicos, eu acredito que será de 50, afinal o juro é tão elevado que o BC vai apontar que tem muito mais para vir.

No post o-que-faria-o-tio-patinhas, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” não elimina a visão que o Bovespa está num período de correção, pelo menos não antes do nível atingir 60.500. O gráfico a seguir aponta as novas duas possibilidades para compra” ...


Como vocês podem notar, eu estava trabalhando com uma correção que acabou não se materializando, e nesse meio tempo o índice acabou ultrapassando a marca que havia sugerido para uma compra: ...”Por outro lado, caso o índice ultrapasse os 60.500 no fechamento, vamos comprar novamente”...


Meu target é de 66.000, mas já vou adiantando que não será uma linha reta, meus outros indicadores mostram certo “cansaço”. Mas não tem o que conversar, tecnicamente indica compra e o futuro a Deus pertence. Vou estabelecer o stoploss em 59.000 e preparem-se para um bump road!

A título de curiosidade, vejam como era o mundo há 300 milhões de anos.



Por um lado, teríamos um vizinho melhor ao Norte, que era os EUA, em compensação a oeste coladinhos na África, além de não ter acesso ao Oceano Atlântico. Melhor agora! Hahaha...



O SP500 fechou a 2.153, com queda de 0,33%; o USDBRL a 3,2190, com queda de 0,16%; o EURUSD a 1,1201, com alta de 0,45%; e o ouro a US$ 1.256, com alta de 0,16%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário