Inflação: A Revanche

3 de outubro de 2016

Procura-se um candidato a Presidente


Os resultados das eleições que se encerraram ontem já foram amplamente noticiados, porém vou fazer alguns comentários que considero importantes e que não foram suficientemente enfatizados. Também vou me focar na eleição de São Paulo, onde pude acompanhar mais de perto.

A derrocada do PT era algo esperado, com os acontecimentos da lavajato não poderia ser diferente, ou melhor, ainda bem que foi dessa forma. Porém existe um outro fator que atualmente é de menor importância, mas que poderá ter mais peso em 2018 que é o afastamento mundial de eleitores dos partidos de esquerda. Movimento neste sentido já pode ser visto em vários países da Europa – Itália e França, bem como nas eleições presidenciais dos EUA. Movimentos liberais e de direita ganham espaço, num mundo que tende a se voltar mais às questões internas de cada país.

Mais especificamente a vitória de João Dória como prefeito de São Paulo, um resultado histórico por ser no primeiro turno, não deixam dúvidas que os paulistanos queriam mudanças. Ao se conclamar como um candidato que não era político, mas sim um empresário bem-sucedido, o levou a ganhar a prefeitura da cidade mais importante do Brasil. O que passou despercebido foi a grande quantidade de votos brancos e nulos que, se somados, conquistaria o segundo lugar com 16,94%. Se os ausentes fossem também computados, essa soma seria maior que o total de votos do candidato vencedor.

Esses dois fatores deixam um recado bastante claro para mim: os eleitores querem mudança e ainda não estão satisfeitos com os candidatos que lhe são apresentados.

Outro equívoco que notei e que poderá custar muito caro ao PSDB, o grande vencedor dessas eleições em conjunto com o PMDB, é acreditar que Alckmin seria um bom candidato para as eleições à Presidente em 2018. Se minhas conclusões estiverem corretas, o atual governador não se enquadra nessa nova demanda dos eleitores. Se os resultados conquistados nessas eleições servirem de indicativos, sugiro que se contrate uma empresa de Head Hunter para a busca de algum empresário disposto a concorrer ao cargo máximo, o difícil será encontrar quem possui uma ficha limpa. O partido que enxergar essa oportunidade, poderá eleger seu candidato como foi o caso de Collor em 1990. O melhor a fazer no momento, é colocar uma plaquinha na porta das fábricas, residências, restaurantes: Procura-se um candidato a Presidente do Brasil!

Mas como não queremos enganar ninguém, é bom anexar o gráfico abaixo para que ele tenha bastante consciência do desafio que terá que enfrentar. A trajetória do endividamento do governo, com trajetória preocupantemente ascendente.


No post a-democracia-não-está-funcionando, fiz os seguintes comentário sobre o dólar: ...” em uma semana voltamos praticamente ao mesmo nível que o da semana passada, sem ainda uma definição clara para onde o dólar pretende caminhar. Marquei no gráfico as duas retas que podem fazer a diferença quando rompidas, e como podem notar estão muito próximas. Esses níveis são R$ 3,28 na parte superior e R$ 3,20 na inferior. Isso não significa que você deveria se envolver numa operação de compra ou venda de dólar, respectivamente, caso isso aconteça. Sugiro aguardar os níveis definidos acima, considerando na parte superior R$ 3,37” ...


Poderia repetir exatamente as mesmas palavras esta semana, o dólar coincidentemente encontra-se no mesmo nível! Depois de ameaçar romper a reta apontada abaixo, retornou ao triângulo e agora ameaça romper a parte inferior.


O gráfico não deixa dúvida, brevemente o dólar terá que decidir se continua subindo, ou irá buscar novas mínimas ao redor de R$ 2,90.

Os fatores psicológicos têm um efeito importante em relação às expectativas futuras de um movimento. Por exemplo, hoje o dólar está caindo mais de 1% e nos dias atuais, é um movimento expressivo. Ao se observar o gráfico, existe uma tendência a se pensar: ... “ está na cara que vai romper para baixo, vou vender rápido antes que não dê mais tempo” ... É nesse momento que a disciplina se torna muito importante, para que você não entre numa possível armadilha.

Vou exemplificar com números, o dólar está neste momento a R$ 3,23 e vamos imaginar que a R$ 3,15 seja nosso preço de venda técnico. Se você resolve se precipitar e vender agora, está arriscando um potencial ganho adicional de 2,5 % (R$ 3,23 para R$ 3,15) para um eventual prejuízo de 8,3% (R$ 3,23 para R$ 3,50). Se ao invés disso, aguardar o rompimento dos R$ 3,15 sua recompensa será de 8,6% (R$ 3,15 para R$ 2,90).

É lógico que todos nós queremos ganhar mais, e se tivesse “certeza” que o dólar está no movimento de queda, é melhor ganhar mais 2,5%. Mas as decisões levadas por impulso tendem a ser ruins, pois do mesmo jeito que o dólar está caindo hoje, poderá subir amanhã por algum outro motivo – ex. a PEC 241 fica mais difícil de passar. Já nessa nova situação podemos ser levados a uma ação contrária.  


Os pontos tecnicamente importantes, quando rompidos, permitem uma melhor atuação no mercado, sem que isso signifique garantia de sucesso, apenas com melhores chances.

O SP500 fechou a 2.161, com queda de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,2083, com queda de 1,55%; o EURUSD a 1,1209, com queda de 0,26%; e o ouro a US$ 1.312, com queda de 0,31%.
Fique ligado!

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