Inflação: A Revanche

18 de outubro de 2016

De quanto estamos falando?

Na semana passada o governo conseguiu uma vitória importante com a aprovação da PEC 241. O assunto foi e é polêmico, pois ainda existem manifestações populares contra a sua aprovação. Como dizia um colega, o mundo se divide em dois grupos, os comprados e os vendidos, este é um grupo, e o povo complementa o segundo. É no primeiro grupo que se encontram os ganhadores e perdedores, enquanto no segundo grupo tanto faz. Nesse caso específico os “vendidos” são os funcionários públicos, pois é no bolso deles que recairá boa parte da conta.

A Rosenberg elaborou um relatório que explica o significado desses cortes, bem como seu impacto nas contas públicas: ...”A PEC impõe uma nova dinâmica para o crescimento das despesas, que é uma das maneiras mais inteligentes de reequilibrar as contas públicas sustentavelmente, em linha com diversas experiências internacionais bem-sucedidas. Note que não há cortes de despesas de fato, mas sim uma alteração do seu ritmo de crescimento, atrelada à inflação do ano anterior, de modo a preservar o gasto real e alterar de maneira suave ao longo do tempo, a dinâmica do crescimento do gasto. Deste modo, sem corte real de despesas (mas também sem aumento real, ao menos enquanto a inflação estiver estável), o reequilíbrio das contas públicas será diluído de maneira suave ao longo do tempo, conforme a retomada do crescimento da economia aumente a arrecadação, reduzindo a participação das despesas em relação ao PIB”...

O objetivo principal da reforma fiscal é garantir que a dívida do governo não exploda. Hoje temos déficit primário, ou seja, se gasta mais do que arrecada. A fim de estabilizar a dívida pública, é necessária a geração de resultado primário da ordem de 2,5% do PIB. Através de uma simulação efetuada para os próximos 10 anos, caso a PEC seja integralmente cumprida,  as premissas são de que a receita cresça de acordo com o PIB, e que o PIB retome o crescimento, onde se considerou uma média para o período de 2,5%. Outra assunção é que o juro real retorne ao patamar de 4% a.a. Notem que as despesas retornariam ao patamar de 2003, ao redor de 15,5 % do PIB, enquanto as receitas se manteriam no patamar atual de 17,6%.


Com essas premissas acima, o resultado primário pode ser observado a seguir. Desta forma, existe uma melhora gradual, zerando ao redor de 2020 e atingindo 2,3% do PIB em 2026, o suficiente para estabilizar o crescimento da dívida pública.


Com essa dinâmica, a dívida bruta segue se eleva até atingir seu ponto máximo de 95% em 2023, e depois estabiliza nesse patamar.

Como se diz em português coloquial, o papel aceita tudo. As premissas acima são factíveis, porém é necessário um grande rigor fiscal por muito tempo Do ponto de vista político até 2026 teremos dois mandatos de Presidente, cujos potencias vencedores são de difícil visualização. Por outro lado, o governo atual está tomando as medidas na direção correta, entretanto seus benefícios só serão sentidos no médio prazo.

Outro dia em conversa com empresários, apontaram que a situação somente parou de piorar e suas vendas ainda são ruins, um empate em relação ao ano anterior na melhor das hipóteses. Fico pensando se a sociedade brasileira terá a paciência de esperar disciplinadamente esse tempo.

Amanhã à noite saberemos a tão aguardada decisão do COPOM, que opostamente o esperado no EUA, o BC deverá cortar a taxa de juros básica SELIC. O mercado se encontra divido em relação ao tamanho do corte, se 25 ou 50 pontos básicos.  O Mosca mantém sua previsão expressa no post juros-cairão-pelo-motivo-certo de 50 pontos. E um detalhe, é só o começo.

No post descontinuidade-nos-mercados, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” Meu target é de 66.000, mas já vou adiantando que não será uma linha reta, meus outros indicadores mostram certo “cansaço”. Mas não tem o que conversar, tecnicamente indica compra e o futuro a Deus pertence. Vou estabelecer o stoploss em 59.000” ... O gráfico que acompanhou essa publicação encontra-se a seguir.


Com uma visão de mais longo prazo apresentado a seguir, o movimento tem se mostrado firme, e se pode vislumbrar um objetivo inicial ao redor de 72.000, uma alta de 15 % dos níveis atuais.


- David, mas você não tinha previsto o nível de 66.000, o que mudou?
Você tem razão, a dúvida é cabível, o cálculo do primeiro target foi feito avaliando os dados numa janela diária, enquanto o segundo semanal, assim, ambos podem estar corretos. Quando se estabelecem limites em análise técnica eles não são definitivos, conforme o mercado evolui novos limites são traçados.

Se você se recordar sugerimos a compra do Bovespa no início do ano a 38.000, praticamente a mínima do ano. Acontece que eu resolvi realizar o lucro no objetivo que havia traçado e o mercado continuou subindo. Houve um erro? Visto de hoje, sem dúvida. Porém naquele momento eu resolvi colocar o lucro no bolso, ao invés de seguir na operação arriscando devolver parte do resultado. São estratégias distintas, que ex-post é fácil decidir qual é a melhor.

O Bovespa é dos mercados em que acompanho com melhor nível de momentum. Desta forma, sem querer fazer análises futurísticas muito cedo, mas ao mesmo tempo com a obrigação de visionar o futuro, se o índice ultrapassar os 72.000 com firmeza, calculo 80.000 e 105.000.

- David, você está louco, 105.000?  Usou a taxa SELIC para corrigir? Hahaha...
Primeiro não imagine que esse nível vai acontecer amanhã e nem no próximo mês, é de longo prazo. Depois pense um pouco, no mundo atual faltam alternativas de investimento. Ontem um dos membros mais sênior do FED, Stanley Fisher, declarou que o BC americano, bem como os outros bancos centrais, tem poucas ferramentas para incentivar o crescimento, num mundo estagnado e com graves problemas demográficos. Sem considerar se vai acontecer ou não, é indiscutível que existam centenas de projetos de desenvolvimento em infraestrutura por aqui. Sonhar as vezes é importante para não ficar estagnado.

Assim, estamos falando de 105.000 para o Bovespa no médio prazo, praticamente dobrar dos níveis atuais. Muita lição de casa será necessário, porém é isso que a análise técnica sugere desde que o nível de 72.000 seja ultrapassado.


 O SP500 fechou a 2.139, com alta de 0,62%; o USDBRL a R$ 3,1865, com baixa de 0,44%; o EURUSD a 1,0977, com baixa de 0,17%; e o ouro a US$ 1.261, com alta de 0,49%.
Fique ligado!

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