Inflação: A Revanche

11 de outubro de 2016

Contabilidade Chinesa


Os bancos estão sob fogo cruzado, com taxas de juros negativas, na Europa e Japão a rentabilidade das instituições financeiras ficou muito comprometida. Não consigo imaginar um banco fazendo um empréstimo a uma empresa sem juros. Isso permitiria uma adaptação na frase popular: “de graça até injeção”; que passaria a: “de graça até empréstimo de banco!”. Os bancos italianos estão na mira já algum tempo e, nos últimos dias, um banco com dimensão de causar um terremoto financeiro global, entrou no rol das ameaças, o alemão Deutsche Bank. 

Ao ler as notícias pela manhã, me deparei com uma reportagem publicada pela Reuters, que chamou muita minha atenção. Segundo essa agência, os bancos chineses terão que captar US$ 1,7 trilhão, haja visto que é esperado um aumento das perdas em empréstimos, segundo a S&P reportou nesta terça-feira.

Esse estudo imagina uma pequena chance para melhoras em 2017, em função de elevadas alavancagens e excesso de capacidade, em praticamente todos os setores. A dívida vem crescendo e é um dos maiores desafios da China, com um endividamento atingindo 250% do PIB. Segundo a pesquisa da S&P, com 70% são de empresas estatais, e uma dívida acumulada de US$ 2,8 trilhões.


O pior é que o governo Chinês está incentivando as empresas a continuarem contratando mais créditos nos próximos 12-18 meses, implicando que os riscos deverão crescer bastante daqui há 2 anos.

Uma métrica muito observada pelos analistas para avaliar a saúde de um banco, é o que se denomina Non Perfoming Loan, que é o quociente entre os créditos em liquidação sobre o total da carteira de empréstimos. O reportado às autoridades é de 2%, porém outros analistas acreditam que esse coeficiente possa ser algo entre 15% a 35%, uma vez que, muitos bancos são “devagar” em reconhecer problemas nos empréstimos, ou classificá-los em liquidação. Alguns bancos também são pressionados politicamente pelos governos locais para refinanciar essas dívidas, a fim de prevenir perdas de emprego e quebras de companhias.

Eu quase caio da cadeira, será necessário US$ 1,7 trilhão de Capital?  Dívidas não pagas atingindo 15% do total? O que dirá de 35%! Se isso for fidedigno, é algo terrível. Todos sabemos da dificuldade em obter informações confiáveis quando se trata da China, e esse é mais um caso onde a grande maioria dos analistas não se sentem seguros em acreditar nos dados publicados. Agora, quando o assunto é banco, tudo isso fica ainda mais delicado, confiança é tudo.

Outro trabalho feito pelo Goldman Sachs revela uma forma mais criativa, que os chineses estão usando para driblar as condições impostas pelo governo Chinês, na compra de moeda estrangeira.

As saídas de divisas da China podem ser maiores do que lhes parecem, de acordo com a Goldman Sachs, observa-se uma quantidade crescente de capitais que saem do país em yuan, e não em dólares.

Enquanto as reservas cambiais do país se estabilizaram, e as compras líquidas de divisas dos credores para os clientes caíram perto das mínimas de um ano atrás, os dados oficiais mostram que US$ 27,7 bilhões, através de pagamentos em yuan, deixaram a China em agosto. Isso é comparado com uma média mensal de U$ 4,4 bilhões, em cinco anos até 2014. Esses grandes movimentos fronteiriços, não podem ser explicados por fatores de mercado e precisam ser levados em conta quando se mede as saídas de moeda.

"Existe uma orientação do banco central Chinês que limita a conversão do dólar das empresas onshore, então eles movem o dinheiro para o exterior em yuan", disse Harrison Hu, economista chefe do Royal Bank of Scotland. "Como eles não têm vontade de manter o yuan, devido as expectativas de depreciação, eles trocam por dólares no mercado offshore. Isso pressiona a taxa de câmbio do yuan offshore. " Para nós brasileiros, poderíamos chamar essa transação de dólar turismo, para não chamar de “black”, pois circulavam outros tipos de transações.


A Goldman Sachs passou a incluir fundos de yuan em sua análise das saídas em julho, depois de notar que o movimento fronteiriço da moeda mascarou pressões reais. O banco estima que 56% e 87% das saídas, tiveram lugar através do mercado de yuan no exterior em julho e agosto, respectivamente. Um medidor Bloomberg - que não inclui saídas diretas de yuan - estima que mais de US$ 550 bilhões deixaram o país este ano, até agosto.

O yuan se enfraqueceu 3,3 % em relação ao dólar este ano, a maior em um ranking de moedas asiáticas. A moeda encontra-se em 6,71 em relação ao dólar, o mais fraco desde setembro de 2010.

Embora necessário para ajudar uma economia que cresce no ritmo mais lento desde a década de 1990, a moeda chinesa exacerbou pressões de saídas, que por sua vez, levou as autoridades a reprimir os canais para tirar dinheiro do país.

Os freios foram reforçados depois de uma desvalorização do yuan no ano passado, que estimulou um êxodo de recursos, enquanto o custo do over-night para emprestar a moeda offshore em Hong Kong, subiu acima de 20 % duas vezes este ano, em meio às especulações de que o PBOC enxugou a liquidez para impulsionar a taxa de câmbio. O banco central no mês passado negou que interveio.

As desconfianças são inúmeras quando se trata da China, essa insegurança é ocasionada pela falta de transparência que as autoridades chinesas comunicam suas informações. Com essa atitude, os investidores são levados a acreditar nas informações oficiosas que podem ser incorretas, mas esse é a contrapartida quando se desconfia.

Até o momento o governo Chinês tem tido sucesso em administrar os momentos de stress, naturalmente por que possuem reservas enormes, ninguém quer se meter a besta! Porém, se uma situação estrutural, que fica escondida do mercado, aflorar de forma contagiosa, a reação do mercado será explosiva. Mas essa é a maneira que a China quer se comunicar com o mundo, o risco é não ter aliados na hora que precisar. 

No post ---nova fase--- afirmei que enquanto o SP500 não ultrapassasse 2.200, meus cenários continuavam válidos:

... “Verde escuro (1) – Uma correção mais branda com o índice recuando até o nível de 2.100 – 2.080, em seguida o SP500 voltaria a subir para buscar os níveis apontados acima. ”...

...”Rosa (2) –Neste caso a correção seria mais profunda atingindo o nível de 2.000. Esse movimento demandaria mais tempo e não poderia violar o patamar de 1.950, que indicaria se tratar mais do caso 3 abaixo. ”...

...”Verde limão (3) - Nesta situação o SP500 poderia atingir 1.800, sendo mais importante o que deve acontecer em seguida, pois ficará a dúvida se voltaria a subir, ou este primeiro movimento indica uma mudança de mercado de alta para baixa” ...


Diariamente se multiplicam análises, comprando a evolução do mercado hoje com o crash que aconteceu em 1987. No post acima publiquei um gráfico com esse potencial paralelo. Mas comparações como essas, mais parecem recomendações de cartomantes do que realmente riscos. Agora, se o analista acertar, e uma queda expressiva ocorrer, será considerado um visionário e dali em diante consultado sempre que houver alguma situação mais delicada. Posso afirmar que a quase totalidade dos visionários do passado, acertaram uma única vez, por uma razão simples, o futuro é incerto e não é replicável.


Hoje a bolsa está tendo uma performance mais negativa com queda de 1,5%. No gráfico acima se pode ver que as cotações romperam um pequeno triângulo. Os cenários que citei acima voltam à tona, e até agora não se pode afirmar qual deles irá prevalecer.

Novamente a disciplina teve suas recompensas, quando afirmei que não poderia comprar o SP 500 só porque achava que iria subir: ...” enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários acima continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas! ” ...

O SP500 fechou a 2.136, com queda de 1,24%; o USDBRL a R$ 3,1999, com queda de 0,16% - On Sale? Hahaha ...; o EURUSD a 1,1053, com queda de 0,76%; e o ouro a US$ 1.252, com queda de 0,55%.

Fique ligado!

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