Inflação: A Revanche

20 de outubro de 2016

O banco central afinou


No post de-quanto-estamos-falando, comentei a frase de um colega que repito a seguir: ...”o mundo se divide em dois grupos, os comprados e os vendidos são um grupo, e o povo complementa o segundo”...

Antes de começar os comentários de hoje quero dizer que, em relação aos juros estabelecidos pelo COPOM estou no segundo grupo, ou seja, não tenho nenhum interesse financeiro, assim não posso ser acusado de defender minha posição.

Como já foi amplamente divulgado, o BCB decidiu baixar a taxa SELIC em 0,25%, contrariando minhas expectativas de uma queda de 0,50%. Além disso, ficou mais clara a magnitude para os próximos cortes, pois ainda há dúvidas quanto ao ritmo de queda da inflação. Assim uma eventual aceleração dependerá da melhora adicional dos seguintes itens:

(i)            que os componentes do IPCA, mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, retomem claramente uma trajetória de desinflação em velocidade adequada;
(ii)          e que o ritmo de aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia, contribuam para uma dinâmica inflacionária compatível com a convergência da inflação para a meta. O Comitê avaliará a evolução da combinação desses fatores.

Só para relembrar a trajetória da taxa SELIC nos últimos anos, vejam o gráfico a seguir. Notem que desde 2012, os juros não caem.


Antes de entrar na análise das razões dessa queda e, principalmente o alerta ao mercado de: “vá devagar ao pote”. Vou calcular a taxa de juro real: Incialmente para o ano de 2016, considerando a estimativa do IPCA em 7% e a taxa SELIC para o ano aproximadamente em 14,20%, chega-se a um juro real de 6,7% a.a. Fazendo um exercício para o futuro, nas informações divulgadas pelo BC, o mesmo espera uma inflação de 4,3% a.a. para 2017.Em relação à taxa SELIC vou considerar um nível de 12,50%, nessas condições o juro real para 2017 seria de 7,9%, superior ao de 2016!

Com esses resultados, porque então o BC não reduziu os 50 pontos que imaginei? Posso elencar 3 possibilidades:

1)    Uma atitude conservadora que prefere a certeza absoluta dos dois itens que foi mencionado pelo BC. É verdade que sobre a inflação eles tem mais controle que sobre o Congresso, poderia ser aí seu conservadorismo.  Ou ainda, o polêmico projeto do próximo ano, sobre a reforma da previdência, item muito importante para a reversão das contas públicas.

2)    Algo que vocês talvez não acompanhem é a estrutura das taxas de juros embutidas nos contratos de DI futuros. Antes da reunião, por exemplo, o DI com vencimento em 01 de janeiro de 2019 embutia um juro médio 11,4% a.a., uma queda de 285 pontos em relação a taxa atual. Percebam que essa taxa não é a taxa de janeiro daquele ano, e sim a média de hoje até lá. Como espera-se que o juro caia, a taxa SELIC naquela data seria muito inferior aos 11,40 %. Depois dos motivos levantados pelo banco central, talvez eles acreditam que o mercado exagerou nesse otimismo.


3)    E por último, o banco central sabe de alguma coisa que nós não sabemos!

Não saberia imputar uma probabilidade para cada um desses cenários, mas em relação aos dois primeiros, somente a preocupação com a área política poderia justificar essa atitude conservadora. Já em relação ao último, pode ser algo mais preocupante.

Em todo caso, independente do motivo, se as premissas das minhas contas acima estiverem corretas, o banco central está subindo os juros, pois o que importa é o juro real.

Não gostei! Mas mesmo assim, vou dar um voto de confiança, afinal a equipe é de alta qualidade.

No post quando-o-receio-prevalece, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...”vou acompanhar nos próximos dias a fim de verificar se 1,80% bastou, fazendo com que a queda dos juros prevaleça novamente, ou ainda se pode esperar que atinja o segundo patamar por volta de 2 % a.a.” ... O gráfico abaixo mostra a negociação após essa postagem.


As indicações são que o mercado está consolidando em relação a alta recente e se prepara para buscar o nível que apontei acima, ao redor de 2,00%, talvez um pouquinho menos 1,96%. Na parte da queda, poderá chegar até o nível de 1,65%, abaixo disso vou começar a considerar que o movimento de baixa de juros começa a ganhar mais força.

Entendo que existe o risco das eleições, cujo resultado é assimétrico, se a Hillary ganhar tudo bem, mas se for o Trump, teria grande impacto nos preços. Dada às últimas pesquisas, o candidato republicano é como uma opção fora do preço com prêmio baixo, mas não dá para ficar a descoberto! Minha leitura é que a Hillary já ganhou essa eleição, e o próprio Trump assumiu ao se esquivar à pergunta do mediador, se ele apoiaria sua adversária caso a mesma fosse a vencedora.

- Epa David, explica melhor sua conclusão.

Trump é um empresário e grande jogador, ele sabe que essa reposta tem um peso muito grande para os americanos, democracia! Se ele considerasse ter chance de ganhar, poderia dizer que sim, pois teria efeito zero, caso contrário, como pretende ser um ferrenho opositor, não quis se comprometer, assumiu assim o ônus da repercussão negativa de sua reposta.

O SP500 fechou a 2.141, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,1426, com queda de 0,84%, danod início ao trade de venda proposto no post esqueceram-de-mim: ..." Um fechamento abaixo de R$ 3,16 poderá ser o estopim para novas quedas e assim, proponho um trade de venda de dólar nesse nível, com um stoploss a R$ 3,26" ...; O EURUSD a 1,0926, com queda de 0,41%; e o ouro a 1.266, com queda de 0,23%.
Fique ligado!

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