Inflação: A Revanche

19 de outubro de 2016

A inflação errada


Ontem foi publicado o CPI, o índice de inflação nos EUA. Como já mencionei, embora não seja a métrica usada pelo FED para estabelecer sua política monetária, é o indicador que o mercado usa para medir a evolução dos preços. O índice ficou em 1,5% a.a. e, como se pode observar a seguir, está se aproximando da meta estabelecida pelo FED de 2% a.a.


Ao se excluir os itens mais voláteis, gasolina e alimentos, o nível demonstra certa estabilidade ao redor de 2,2% a.a.

Porém, ao se estratificar a inflação entre serviços e produtos, ambos sem considerar a energia, o resultado não é muito animador. No gráfico a seguir nota-se claramente que a inflação vem sendo comandada pelos serviços, principalmente alugueis e serviços médicos, cuja ação da autoridade monetária tem efeito mínimo no controle desses preços. Por outro lado, os produtos ainda se encontram em deflação.


Essas são as complicações do mundo moderno, onde as economias desenvolvidas têm um grande peso na categoria de serviços, e a política monetária não tem o mesmo efeito. Se os juros sobem uma pessoa pode ser levada a postergar a compra de um carro, mas não deixa de ir ao médico e nem de comprar remédios, esteja os juros onde estiverem. O tipo de inflação que está subindo é a errada!

O Wall Street Journal publicou uma matéria mostrando crescimento vertiginoso dos fundos passivos, conhecidos como ETF. Diversas vezes fiz comentários sobre esse assunto, pois acredito que o mesmo irá ocorrer aqui. O número de reportagens sobre esse assunto cresceu significativamente, e está chamando a atenção dos investidores internacionais. O gráfico abaixo mostra o fluxo de recursos nos últimos 25 anos e nota-se que, a partir de 2003, uma reversão em favor dos ETFs.


O motivo não é só porque os fundos passivos têm taxas de administração mais baixas, e sim porque a performance dos fundos ativos é muito ruim no tempo.


Como o investimento em ações aqui no Brasil é muito pequeno por parte das pessoas, a popularidade não é tão evidente. Por outro lado, parece que já em 2017 vários fundos com essa característica serão lançados na área de renda fixa, onde poderão atrair um público muito maior. Se eu estiver correto, os bancos irão sofrer uma queda em suas receitas, uma vez que, são os maiores administradores dos fundos de renda fixa. A conferir!

E para terminar o assunto de mercado de hoje, uma estatística chamou minha atenção, onde o nível de caixa atualmente em todos os fundos internacionais, é maior que o da crise de 2008. Essa ação foi motivada pelos vários temores atuais, dos quais destaco: Receio da alta dos juros; eleições nos USA; risco de crédito.


Se por acaso não acontecer nada de grave dos receios apontados, os ativos de risco poderão subir bastante, caso esse pessoal resolva comprar ações e títulos para recompor a suas carteiras. Em outras palavras, boa parte do mercado já está posicionado para um cenário adverso.

No post –contando os dias --- fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”mantenho as mesmas recomendações acima. Aumentou levemente a chance de comprar um pouco mais barato – US$ 1.250/US$ 1.200”


O primeiro nível apontado acima foi atingido e respeitado. Depois de permanecer ao redor desse nível por 2 semanas, recuperou-se nos últimos dias.

- David, por que você não comprou, já que o mercado te deu essa oportunidade?
Quero enfatizar o que eu disse no post: ...”as chances de compra nos níveis acima ficaram mais factíveis, e segundo que o metal deverá ficar um bom tempo num movimento de correção”.... Acredito que o ouro ficará um tempo nesse intervalo, sem romper o nível de US$ 1.375. No gráfico acima tracei o movimento que espero.

Se isso acontecer, o acompanhamento do movimento nos próximos dias, irão dar ao Mosca a chance de venda, antes de comprar provavelmente próximo de US$ 1.200. Todo esse raciocínio vai por terra abaixo se o metal ultrapassar US$ 1.375. Esses são os meus motivos, o próximo trade deverá ser de venda.

Na próxima semana não haverá a publicação do Mosca, porém vou estar de olho, e qualquer mudança importante ou alteração de estratégia nos trades que se encontram em curso, postarei.

O SP500 fechou a 2.144, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,1682, com queda de 0,57%; o EURUSD a 1,0972, sem variação; e o ouro a US$ 1.268, com alta de 0,53%.
fqiue ligado!

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