Inflação: A Revanche

31 de outubro de 2016

PT perde de goleada!


Enquanto nos EUA a reabertura da investigação sobre os e-mails de Hillary cria um fato novo (velho!), na disputa pela Casa Branca, o resultado do 2º turno das eleições para prefeito aqui no Brasil, deixa um recado muito claro dos eleitores brasileiros, o PT com Lula se tornou um partido nanico. Em contrapartida o grande vencedor foi o PSDB.

Não se pode deixar de considerar as abstenções em conjunto com os votos brancos e nulos, que atingiram a 32,5% nas capitais, indicando que 1/3 da população está muito insatisfeita. Mesmo muito elevado era, de certa forma, esperado dado que, diariamente, um novo caso de corrupção é revelado envolvendo políticos de todos os partidos.

Sobre as eleições americanas, não acredito que a ação do FBI, comentada acima, possa causar uma reversão em favor do candidato Trump. Um leitor do Mosca me forneceu o link de um site Five thirty Eight que utiliza um modelo baseado em diversos parâmetros para prever quem será o próximo presidente e mais importante, nunca errou em suas previsões. Veja a seguir a mais recente projeção, onde Clinton mantém folgada vantagem.


Outra matéria da Bloomberg relata que, no longo prazo, tanto faz quem será o vitorioso nas eleições. Essa afirmação baseia-se no fato que o Presidente eleito não conseguirá praticar suas promessas, se o Congresso continuar dividido. Além disso, uma estatística elaborada nos últimos 160 anos indica um retorno na bolsa de valores, conforme o gráfico abaixo.


Tanto faz que partido ganhou as eleições no passado, o retorno foi de 11% a.a. Pode ser que, na situação atual, o resultado ao final dos 4 anos de governo seja bem diferente, pois motivos não faltam. Mas antes de enumerá-los, temos que frisar que, durante esses 160 anos aconteceu de tudo: duas grandes Guerras, quedas significativas da bolsa em 1929, 1937 e mais recentemente em 2008, e mesmo assim a média manteve-se a mesma. Não deixa de ser surpreendente.

Essa mesma matéria aponta outra estatística que dá mais sustentação a seu argumento, a de que no longo prazo é indiferente qual partido ganha as eleições. A volatilidade medida na bolsa apresentada abaixo, indica que após às eleições o seu nível decresce a níveis muito baixos.


Parece que para os americanos o melhor a fazer é sair de férias e voltar somente no próximo ano. Ah, antes que eu me esqueça, não levem o celular!

Nesta semana que estive fora, uma de nossas posições ficou sob fogo cruzado. O dólar depois de ter atingindo uma mínima contra o real a R$ 3,10, reagiu e fechou na última sexta-feira à R$ 3,205, uma alta de aproximadamente 3,5%. Vários foram os motivos apontados: primeiro o programa de repatriação, que mais parecia uma briga de adolescentes. De um lado Rodrigo Maia tentava costurar um acordo entre o governo e os governadores, para um novo modelo de repartir o imposto, do outro lado os potenciais declarantes queriam definir uma posição a favor da foto, mas acabou não ocorrendo mudanças; os dados mais animadores dos EUA, fizeram com que aumentassem as apostas para elevação dos juros em dezembro, que é dada como muito provável; e por último a investigação dos e-mails relatada acima.

No post esqueceram-de-mim, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” não existe mais muita margem de manobra para o dólar, permanecer contido nesse triângulo descendente. Quero notar aos leitores que, esse tipo de formação tende a romper para baixo, no caso, uma queda do dólar. Um fechamento abaixo de R$ 3,16 poderá ser o estopim para novas quedas” ...


E acabou acontecendo a queda, porém houve uma reversão conforme mencionei acima, e hoje a cotação se encontra a R$ 3,18.

- David, e agora, houve alguma mudança em suas previsões?
Do ponto de vista técnico, não estava esperando esse último movimento. Respondendo diretamente a sua questão, pode ser que a queda esperada a R$ 2,90 não aconteca, e  o que estamos presenciando seria reversão do dólar.

- Então vamos zerar!
Calma amigo, eu disse pode ser! Vou dar meus argumentos do por que continuar e quais são os motivos de meus receios. Vamos começar primeiro pelo segundo.


Este é um gráfico de mais médio prazo e as flechas em verde indicam, o que se denomina em análise técnica, double key reversal, onde o mercado atinge uma mínima, porém fecha a semana na máxima, um indicador de reversão de tendência. Além do mais, o nível de R$ 3,10 é importante, e pode indicar o final do movimento de queda.

Já em relação aos motivos do por que continuar, no gráfico a seguir de mais curto prazo as cotações ainda respeitam os contornos das duas linhas paralelas em sentido descendente, sem nenhum motivo para não acreditar que a direção mudou.


O que fazer em situações como essa? Se fosse uma decisão totalmente 50/50, eu sugeriria zerar e ficar fora do mercado, mas a possibilidade de queda do dólar ainda tem uma chance um pouco maior, razão pela qual opto ainda por permanecer.

Se por acaso formos estopados, eu anotei acima também os níveis que passam a ter importância, primeiro R$ 3,35 que se ultrapassado é a primeira indicação de possível mudança. Logo em seguida R$ 3,60/3,65 onde provavelmente vai valer um trade a ser definido se de compra ou venda de dólar, dependendo do shape do movimento de alta.


Agora, uma coisa é certa, se a chance de queda existir ainda, o dólar terá que começar a cair nos próximos dias, não pode ficar "enrolando" muito tempo.


O SP500 fechou a 2.126, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1892, com queda de 0,49%; o EURUSD a 1,0982, sem variação; e o ouro a US$ 1.278, com alta de 0,14%.
Fique ligado!

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