Inflação: A Revanche

17 de outubro de 2016

Esqueceram de mim


Enquanto o mundo se vê envolto com riscos políticos nos EUA, numa eventual vitória de Donald Trump, no campo econômico a possibilidade de elevação dos juros, por parte do FED, está colocando os analistas em cheque a fim de avaliar quais os impactos que tal medida poderá ter nos ativos. Na sexta-feira comentei sobre o ‘ dólar-dólar’ e sua evolução nos meses mais recentes.

Por outro lado, é notável que pouco se tenha noticiado sobre o impacto dessas mudanças na 2º economia do planeta, a China. Seria natural que, o dólar se fortalecendo perante as outras moedas, o mesmo deveria acontecer em relação ao Yuan. A China adotou uma política de manter a cotação de sua moeda atrelada ao dólar, quando iniciou o processo de abertura de sua economia em 1994, e já no primeiro dia desse ano, promoveu uma desvalorização de 50%. Essa paridade manteve-se fixa até 2005, onde a partir daí, por grande pressão internacional, passou a valorizar sua moeda lentamente.

De 2005 até 2014, o yuan apreciou aproximadamente 27%, como pode ser visto no gráfico abaixo. Desde então, para não perder competitividade em relação às outras moedas, o yuan passa a se desvalorizar - escala invertida.



Ontem a moeda chinesa alcançou a menor valor em relação ao dólar desde 2008 e agora encontra-se bastante próxima do patamar de 6,80 – 6,85, atingido durante a grande crise. Para relembrar, naquele momento o governo Chinês atuou de forma expressiva a fim de manter a cotação de sua moeda estável. 

O volume de reservas vem caindo, ocasionado pela saída de investidores, que se encontram preocupados com a saúde econômica da China. Embora esses valores não suscitam nenhuma ameaça a sua estabilidade, uma vez que, o nível de reservas de US$ 2,8 trilhões é extremante confortável, o grande perigo seria uma demanda por parte dos chineses com receio da perda de valor em suas poupanças, oriundas de uma desvalorização mais forte da sua moeda.

Já sua bolsa de valores, o índice Shanghai B shares, que apresentava uma performance estável nos últimos meses, sofreu uma queda repentina ontem à noite, nos últimos 90 minutos de 6%. No gráfico abaixo se pode observar esse movimento, e agora está muito próximo do nível de 330 que, se rompido, poderia imprimir uma perda adicional de 20%.


Assim como no filme Esqueceram de Mim, produzido nos anos 90, onde Kevin McCallister foi deixado acidentalmente para trás pela sua família nas férias de Natal, a China não se encontra no foco das maiores preocupações. Diferentemente do filme, onde o menino tenta resolver os problemas sozinho e termina tudo bem, no caso da China o resultado poderá ser mais complicado e danoso para o resto da “família”.

A cotação do dólar contra o real encontra-se ainda indefinido. No post aperte-o-cinto-o-piloto-e-voce: ...”O gráfico não deixa dúvida, brevemente o dólar terá que decidir se continua subindo, ou irá buscar novas mínimas ao redor de R$ 2,90”...



Embora vocês possam ficar um pouco desconfiados de que o Mosca estaria manipulando os gráficos, é natural em correções fazer os ajustes das retas que suportam um determinado movimento. Essa é a razão de no gráfico atualizado a seguir, que as retas diferirem do gráfico acima.


As forças que observo no curto prazo que hora puxam o dólar para cima e hora para baixo, se resumem a: Para cima estaria a possibilidade de elevação dos juros por parte do FED, que vem impulsionando o dólar contra a maior parte das moedas; para baixo o término do prazo para o programa de repatriação de recursos, amplamente divulgado pela imprensa, que se encontra em discussão mudanças na lei sobre considerar a foto ou o filme. Em função das muitas tentativas por parte do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na busca de costurar um acordo entre as partes, mais parece uma peça de teatro! Não se sabe ao certo quais seriam os valores a arrecadar, eu estimo da ordem de R$ 70 bilhões, onde a maior parte deverá ter como contrapartida, uma entrada de dólares. Se minha cifra estiver correta, o valor em em moeda estarngeira é expressivo, aproximadamente US$ 20 bilhões.


Mas o momento está próximo, não existe mais muita margem de manobra para o dólar, permanecer contido nesse triângulo descendente. Quero notar aos leitores que, esse tipo de formação tende a romper para baixo, no caso, uma queda do dólar. Um fechamento abaixo de R$ 3,16 poderá ser o estopim para novas quedas e assim, proponho um trade de venda de dólar nesse nível, com um stoploss a R$ 3,26.

O SP500 fechou a 2.126, com baixa de 0,30%; o USDBRL a R$ 3,2044, sem alteração; o EURUSD a 1,1001, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.254, com alta de 0,36%.
Fique ligado!

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