2020: O risco vai compensar?

11 de dezembro de 2019

Os BC's com a palavra



Como comentei ontem, hoje teremos dois bancos centrais com decisões importantes. Na verdade, o que conta não nem o movimento esperado, pois ambos já telegrafaram o que pretendem fazer.

No caso do Fed, é esperado que Jerome Powell reforce o sinal de que a política de queda de juros, está suspensa na reunião do banco central, alguns de seus colegas podem estar pensando em quando devem elevar novamente. O mercado de trabalho está apertado sob todas as métricas que se observa, esse pode ser um ponto que os membros levem em consideração.


A previsão de taxas do FOMC até 2022 será acompanhada de perto. Enquanto economistas os veem em espera pelos próximos dois anos, um número considerável de diretores do Fed pode preferir retomar a elevação das taxas já em 2020. O gráfico conhecido como dots, provavelmente vai revelar a preferência da maioria.

Outro assunto que certamente será levantado na secção de perguntas e respostas será o aperto de liquidez vivenciado pelo mercado financeiro americano. No final de ano é sempre esperado um aperto de liquidez em virtude de os bancos zerarem parte de suas posições para a publicação de balanços. Esse ano tem um complicador adicional, os bancos não têm excesso de reservas como no ano anterior, e a queda das bolsas no final de 2018 adicionou caixa ao sistema pelas posições que foram reduzidas, e neste ano o SP500 encontra-se nas máximas.

O mercado de Repo, que consiste nas operações de mercado aberto com garantia de títulos do tesouro, visando a troca entre as instituições financeiras, como se pode verificar a baixo, mostra claramente que algo muito estranho está acontecendo. O mundo espera que o Fed saiba entender e controla essa situação.

Já no Brasil, o mercado mantém uma ampla expectativa quanto a um corte de 0,50 % na taxa de juros hoje, para 4,5% ao ano, os agentes aguardam com ansiedade o comunicado em busca de novas pistas sobre o rumo do afrouxamento monetário no Brasil. Com a divulgação do IPCA-15 de dezembro, que apontou uma elevação da inflação mais forte em função da pressão das proteínas de carne, em conjunto com a publicação do IGPM-10, uma primeira previa do mês de dezembro em 1,83%. Esse último resultado não deve assustar tanto, pois sua composição difere muito do IPCA. Para fazer um paralelo, deve-se observar o componente IPC – Preços ao Consumidor do IGPM, cujo resultado foi de 0,59%.

Pelo sim, pelo não, acredito que o Banco Central Brasileiro deverá fazer uma indicação sutil quanto os próximos passos, apontando para uma situação neutra, ao invés de indicar mais uma queda na próxima reunião, que é o esperado pela maioria dos analistas.

Amanhã será a vez do BCE, sob nova direção. Não se espera que o BCE atue novamente, tendo acabado de apresentar um grande pacote de medidas em setembro. No entanto, Lagarde sem dúvida será questionada sobre qual é sua estratégia para reavivar a inflação e o que ela pensa de medidas específicas, como flexibilização quantitativa ou taxas de juros negativas. A melhor aposta de Lagarde é jogar pelo seguro e evitar fazer promessas que ela não sabe se pode cumprir. Leva anos para construir uma reputação no banco central - mas apenas alguns minutos para prejudicá-lo.

Os resultados anunciados pelo Fed ficaram de acordo com as expectativas, em virtude de compromissos assumidos, fica para amanhã comentários mais detalhados.

Os bancos centrais estão com a palavra nessas próximas horas. Mas o que parece que sumiu da face da terra é a tão temida inflação das últimas décadas!

 
No post saindo-do-túnel, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “Resolvi colocar uma sugestão de venda ao nível atual de € 1,11 com stoploss a € 1,12, com a metade do risco habitual, pela pequena convicção” ... Como o evento citado acima acontecendo amanhã – reunião do ECB, o movimento no euro poderá ser mais convincente que o da última semana, até o momento nossa posição teve pouca oscilação.

O rompimento da linha cinza superior pode dar início ao movimento de alta que eu estou esperando a um bom tempo. Dependendo da forma que ocorra posso me envolver nessa direção. Por outro lado, caso o nível de 1,10 seja rompido, aumenta a chance de nosso trade ser bem-sucedido.

- David, se você está em dúvida por que propôs essa operação?
Primeiro é muito saudável ficar em dúvida, pois permite sempre uma outra análise caso o mercado vá contra sua expectativa, depois é uma questão de probabilidade, qual das situações você considera mais provável, e por último, neste caso específico, eu entrei com metade do risco, e com um stoploss bastante curto.

O SP500 fechou a 3.140, com alta de 0,24%; o USDBRL a R$ 4,1204, com queda de 0,63%; o EURUSD a 1,1132, com alta de 0,36%; e o ouro a U$ 1.474, com alta de 0,73%.

Fique ligado!

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