2020: O risco vai compensar?

6 de dezembro de 2019

Problemas na cozinha



Foi publicado o IPCA de novembro que ficou em 0,51%, em 12 meses passou de 2,54% para 3,27%, ainda abaixo a da meta do Banco Central de 4,25%. A principal causa para a elevação dos preços foram os efeitos, no setor global de proteínas animais, da gripe suína na China, que levou a uma enorme redução da produção chinesa de carne de porco, super consumida pelo país asiático. Com isso, a China está pagando um ágio sobre o preço externo da carne bovina brasileira. Com essa prática de pagar ágio, a China passou a absorver quantidades crescentes da exportação brasileira. Para se ter uma ideia, em 2016, 20% da exportação de carne do Brasil ia para a China. Hoje, essa proporção é de 55%.


Mas não foi só a carne que teve impacto sobre o índice, a Habitação passou de ( -0,61% para 0,71%), que subiu puxado pela energia elétrica – a tarifação estava em bandeira vermelha, agora passou para amarela.  Contando com menor volatilidade, a média dos núcleos de inflação, acelerou de forma modesta (0,21% para 0,23%).

Outros fatores que mitigam uma alta generalizada da inflação podem ser notados nos preços livres que se encontram ainda abaixo de 3%, passou de 2,66% para 2,94%), e principalmente o índice de difusão permanecendo no mesmo patamar de 55%.

O choque de alimentos acabou se antecipando, era esperado que seus efeitos iniciassem a partir de 2020, desta forma, a Rosenberg acabou ajustando sua previsão do IPCA em 2019 para 4% a.a., mas mantendo em 3,5% para 2020, projetando que os efeitos de segunda ordem deste choque não terão dimensão relevante sobre os demais preços; por fim, os efeitos da recuperação mais moderada, bem como da introdução nova POF (*), devem colaborar por uma inflação mais baixa.

(*) visa mensurar as estruturas de consumo, dos gastos e dos rendimentos das famílias e possibilita traçar um perfil das condições de vida da população brasileira a partir da análise de seus orçamentos domésticos.

Acredito que com esse cenário de inflação para os próximos meses, acrescido da recente desvalorização do real, o Banco Central deve terminar o ciclo de redução de taxas, na próxima reunião em dezembro, promovendo uma última redução de 0,5%. Sendo assim, a taxa Selic deverá permanecer por um tempo em 4,5% a.a. Isso deverá ocasionar uma reprecificação pelo mercado, das taxas de juros, principalmente as pré-fixadas que continham embutido mais quedas.

- David, será que a inflação vai voltar?
Não acredito que isso irá ocorrer, veja que os motivos dessa elevação são específicos e momentâneos. Tanto os alimentos como a energia tendem a se acomodar mais à frente. Por outro lado, a interrupção por parte do Banco Central, me parece prudente nesse momento.

A criação de empregos nos EUA no mês de novembro foi excepcional, com 266 mil novas vagas, levou a taxa de desemprego para 3,5% a menor em 50 anos (imagino o que O Trump está postando em seu Twitter agora), os salários em 12 meses se elevou para 3,1%. Observando os setores onde ocorreu essas contratações, foi positivo em todos os segmentos, mesmo na manufatura que se encontra fraco ultimamente.


Então, o que isso significa para o Fed? Powell e seus colegas estão quase certamente muito satisfeitos com este relatório, que oferece algumas justificativas de sua visão de que a economia está em um bom lugar e que não há necessidade de cortar as taxas novamente.


Apesar de expressar preocupações sobre uma desaceleração inspirada na guerra comercial, os empregadores estão respondendo a um mercado de trabalho apertado com salários um pouco mais altos. Isso também será bem-vindo ao Fed, que ficou desapontado com os ganhos insignificantes dos salários. E não há nada de inflacionário no relatório - nenhuma taxa de indicação precisaria subir mais cedo para evitar preços muito altos.

Na próxima semana vou comentar sobre a nova previsão dos economistas em relação aos juros nos EUA, e essa estatística ocorreu antes da publicação de hoje. Realmente, a vida de eocnomista não é fácil!

No post aposta-atômica, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: 

... “Barreira para a baixa – Para que a correção do movimento de baixa, que ocorre desde o final de 2018, termine é necessário que esse nível de 1,95%/2% não seja ultrapassado” ...

... “Porta para a alta – Por outro lado, se essa região acima não conter os juros e o nível de 2,3% for rompido, podemos abandonar por um tempo a ideia que o nível de 1,45% seria visitado novamente” ...

 
Passados duas semanas sem atualização no Mosca, se o mercado fechar nos níveis atuais de 1,85%, elevam-se as chances do primeiro cenário prevalecer.

A correção que acontece desde o início de setembro está se configurando mais longa e complexa. Acima tracei um cenário possível de acontecer, que levaria os juros a “tomar um folego” e voltar a cair mais adiante. Tracei uma região em vermelho que é bastante importante não ser ultrapassado, pois caso isso aconteça, aumentam as chances da opção mencionada acima “porta para alta”, caso os juros ultrapassem 2,3%.

Continuo sem inclinação de propor um trade nesse mercado, ainda é muito incerto como as cotações se comportarão nas próximas semanas, aliás, desde o início de outubro, as mesmas ficaram contidas num intervalo restrito em 1,7% e 1,8%, ora tendendo para um lado, ora para o outro, minando qualquer tentativa de resultado.


O SP500 fechou a 3.147, com alta de 0,96%; o USDBRL a R$ 4,1419, com queda de 1,04%; o EURUSD a 1,1055, com queda de 0,43%; e o ouro a U$ 1.459, com queda de 1,09%.

Fique ligado!

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