2020: O risco vai compensar?

22 de novembro de 2019

Aposta atômica



No próximo ano haverá eleições para presidente nos EUA. Historicamente, os presidentes que no primeiro mandato tiveram uma boa ascensão econômica foram reeleitos, entenda-se como, bolsa de valores subindo.  Nesse quesito, Trump teria os pré-requisitos para dobrar seu mandato, porém o processo de impeachment pode complicar sua vida. Como provavelmente, não existe um outro nome do partido Republicano que seja competitivo, e considerando sua elevada rejeição por parte da população, é bom analisar o que existe do lado dos Democratas.

Um nome que surgiu como favorito neste momento, é a candidata Elizabeth Warren, professora da Universidade de Harvard que se tornou famosa por seus fulminantes interrogatórios de banqueiros facínoras, que tinham levado o país para o abismo da Grande Recessão. A jurista, com retórica combativa e progressismo da velha escola, tornou-se a grande dama da esquerda dos EUA.

A candidata norte-americana tem mais de um plano. Até agora, quase 20. Se diferencia da infinidade de candidatos de seu próprio partido pela campanha de grande envergadura que está realizando: com propostas que redefinem a economia; com um plano para lutar contra a epidemia de opiláceos; um plano para impor uma taxa aos que chama de “ultra bilionários”; um plano para acabar com a dívida de Porto Rico; um plano para reduzir a influência das grandes corporações no Pentágono; um plano que garanta o acesso de todas as mulheres ao aborto; um plano para acabar com as dívidas que asfixiam os estudantes universitários; um plano para promover manufaturas ecológicas; um plano para garantir que qualquer presidente dos EUA em exercício possa ser acusado. E muitos outros, sem dúvida não vai conseguir realizar tudo que pensa.

Não bastasse isso, resolveu apoiar a soltura de Lula aparecendo nas redes sociais fazendo o gesto característico com a letra “L”. Com um discurso de conduzir uma política externa baseada em democracia e direitos humanos, o oposto do que Trump faz, fortalecendo governos autoritários, como o Brasil. Esse parece aquele caso quando se diz “se hay governo soy contra”, porque, não posso acreditar que uma mulher com formação jurista possa defender o Lula.

Não é para menos que o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg estuda se candidatar. Não sei se o objetivo seria não concordar com uma guinada à esquerda, ou porque ao calcular seu imposto, caso Warren se torne presidente, chega a bagatela de U$ 3,0 bilhões de dólares. Com esse valor, vale pagar qualquer campanha.

Com essa retorica, Wall Street está muito preocupado com um eventual governo comandado por Warren. Um consenso se formou que caso vença as eleições, as bolsas deveriam ter queda importante.
O Wall Street Journal publicou uma matéria que pode ter relação com os fatos acima, afirmando que, os fundos da Bridgewater, dirigido pelo guru Ray Dalio, comprometeu nada menos de U$ 1,0 bilhão comprando em opções de venda do SP500 e Euro Stoxx50 para vencimento no próximo mês de março. Esse valor não corresponde a uma parcela significativa quando comparado ao volume administrado em seus fundos de U$ 150 bilhões.

Houve um aumento considerável nas opções de venda do índice S&P 500. O número de opções de venda em aberto do S&P 500 atingiu o nível mais alto em mais de quatro anos. Também mostram os dados, que houve um interesse crescente nas opções de venda do S&P 500 com vencimento em março.

 Segundo o artigo, não foi possível determinar por que a Bridgewater fez o investimento. Vários clientes disseram que pode ser simplesmente um hedge para uma exposição significativa aos mercados de ações que a empresa construiu. Segundo a própria empresa declarou “Não temos posições que se destinem a proteger ou apostar em possíveis desenvolvimentos políticos nos EUA”. A Bridgewater também disse que suas posições mudam frequentemente e frequentemente são hedges para outros e que ler demais em uma única posição "seria um erro".

Março de 2020 é significativo nas primárias democratas, porque a maioria dos delegados do partido, necessários para capturar uma indicação presidencial, será concedida até o final do mês.

Wall Street começou a oferecer análises do que um presidente Warren poderia alcançar pelo poder executivo e sugerir maneiras pelas quais os investidores poderiam “apostar” numa candidatura Warren. O Morgan Stanley, enviou aos clientes comerciais uma “cesta de risco Elizabeth Warren”, descrita como uma maneira de proteger o risco associado aos seus inúmeros planos.

Recentemente, Ray Dalio publicou uma matéria com o título “ o mundo enlouqueceu e o sistema está quebrado”. Nessa publicação enfatiza o excesso de dinheiro injetado pelos bancos centrais ao redor do mundo, criticando com veemência a implementação de juros negativos, sugerindo que o mundo possa estar num momento de inflexão em termos de juros, pois espera que mais adiante haverá inflação. Neste material, de forma discreta, comenta sobre o risco de Warren assumir a presidência americana, onde projeta fortes quedas das bolsas.

Para um estrategista como Dalio fazer uma aposta desta magnitude, acredito que de tudo que comentou, e considerando o vencimento curto desatas opções, mirou no risco Warren. Minha leitura é que, caso ela vença as eleições as bolsas deveriam cair significativamente. Calculando qual seria o preço de exercício destas opções, aponta para uma queda superior a 15% do preço atual. Se estiver certo, e as bolsas caírem, para cada 1% de queda do SP500 abaixo dos 15%, o retorno é de U$ 1,0 bilhão. Por outro lado, se nada disso acontecer, seu prejuízo será pequeno em seus fundos. Essa é uma “aposta atômica”! A conferir ...

No post o-sonha-se-transformou-em-pesadelo, fiz os seguintes comentários sobre o juro de 10 anos: 

... “Barreira para a baixa – Para que a correção do movimento de baixa, que ocorre desde o final de 2018, termine é necessário que esse nível de 1,95%/2% não seja ultrapassado” ...

... “Porta para a alta – Por outro lado, se essa região acima não conter os juros e o nível de 2,3% for rompido, podemos abandonar por um tempo a ideia que o nível de 1,45% seria visitado novamente” ...

Embora tenha-se passado duas semanas desde a última atualização, nenhuma definição surgiu, ficando aberto os dois cenários – um pouco mais provável a baixa. A única coisa que parece clara é que o juro está numa correção.

Não tenho nenhuma sugestão a dar nesse ativo, a tônica de queda que prevaleceu durante os últimos 12 meses, terminou em final de setembro. Desde então, os juros ficaram contidos entre 1,45% – 1,95% nos extremos, tendo ficado mais no meio deste intervalo, como agora.

Será que na próxima semana de Black Friday, o juro vai entrar em liquidação? No início de dezembro haverá última reunião do Fomc, e embora ninguém espere um movimento de corte de juros, serão publicadas as projeções da autoridade monetária, e dali o mercado poderá extrair alguma informação sobre como o Fed enxerga a economia – ou não enxerga, que parece ser o mais provável! Hahaha ...


O SP500 fechou a 3.110, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 4,1964, sem alteração; o EURUSD a 1,1022, com queda de 0,32%; e o ouro a U$ 1.462, com queda de 0,14%.

Fique ligado!

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