2019: Quem dá menos!

7 de novembro de 2019

Sinal de vida



Vou começar fazendo algumas observações sobre o Megaleilão dos excedentes da cessão onerosa do pré-sal, que decepcionou os investidores. Pela repercussão publicada, antes desse evento, combinado com a queda do dólar observada nos últimos dias, tudo fazia a crer que seria arrecado os R$ 106 bilhões projetados. Mesmo que não houvesse pagamento de ágio, essa projeção seria um sucesso.

Nós que não somos do ramo sabemos que o petróleo é uma commoditie em declínio, não que irá se tornar escassa como fazia crer estudos de décadas atrás, mas porque os carros usando energia elétrica se encontram em franca expansão bem como a preocupação com o meio ambiente, muito destacada pelos jovens. Mas não posso assumir que, essas empresas de petróleo não consideraram esses fatos.

Por tudo isso, fico com as seguintes dúvidas sobre esse resultado. As empresas estrangeiras não participaram do leilão - com exceção de duas empresas chinesas com participações diminutas acompanhando a Petrobras, por qual motivo: preço; desinteresse; ou falta de confiança no governo?

Não é anormal empresas interessadas num leilão participar da concorrência mesmo que não tenham intenções de compra, seus objetivos são conhecer mais a fundo os projetos e entender a precificação feita pelo vendedor. Agora é incomum criar uma expectativa de sucesso, sem que o vendedor tenha indicações fortes que haverá demanda. Alguém comeu bola!

Vou comentar rapidamente o resultado do IPCA de outubro. O índice do mês publicado foi 0,10%, superior a expectativa de - 0,07%. A variação acumulada em 12 meses passou de 2,89% para 2,54%, abaixo do piso da meta (2,75%). Os preços livres também apresentaram queda passando de 2,90% para 2,66%, enquanto a difusão permanece estável ao redor de 55%.


A projeção da Rosenberg para o IPCA em 2019 é de 3,4% e 3,5% para 2020.  Notem no gráfico a seguir que, desde 2017, a inflação permanece abaixo do centro da meta, isso indica que o banco central deveria ter baixado os juros há mais tempo. Podemos concluir que a inflação continua sem inflação!


Na Europa alguns resultados recentes apontam para uma pequena melhora, ou talvez não piora! O PMI de serviços em 52. 2, levantado pela empresa Markit, foi um pouco superior as expectativas.


As vendas ao varejo na zona do Euro também ficaram acima da expectativa dos analistas, embora mesmo nesses últimos meses, onde os resultados em geral foram horríveis, não chegou a ficar negativo.


E por último, o índice de surpresa publicado pelo Citibank, depois de chegar a níveis próximo de -100, se recupera aproximando-se de 0. Embora essa marca não deveria ensejar grande comemoração, haja visto que, das últimas vezes, ao atingir essa marca voltou a cair. Quem sabe desta vez será diferente.


Os juros dos títulos alemães subiram das mínimas atingidas em agosto. Não me entendam mal, não estou querendo dizer que finalmente ultrapassaram a barreira do 0%, apenas ficaram menos negativos. Essa alta fez com quem estava com esses títulos na carteira, tivesse um prejuízo dobrado, tanto no carregamento da posição, bem como na marcação a mercado. Para quem entendam melhor esse efeito recomendo a leitura do post a-matemática-do-juro-negativo.

Será que a Europa está dando um sinal de vida?

No post a-mais-valiosa-opção-de-venda, fiz os seguintes comentários sobre o SP 500: ... “No momento a bolsa se encontra exatamente no ponto de ruptura a 3.025. No trade proposto, sugeri um stoploss a 2.970, mas prefiro apertar um pouco mais esse nível para 3.000. O motivo é que, se o rompimento é para valer, a bolsa não tem nada a fazer muito distante do patamar de hoje” ...

Na semana passada eu estava receoso quanto a um possível false break, porém passados esses dias e considerando a evolução de preços nesse período, se pode praticamente descartar essa hipótese. No longo prazo, a bolsa continua com um objetivo apontado há algum tempo pelo Mosca de 3.250, e outros mais acima, conforme relatado no post nem-o-cambio-impacta-mais-inflação. Mas mesmo que, esses objetivos se mostrarem corretos, muita água vai rolar até lá.

No curto prazo, o nível de 3.125 parece ser um ponto onde o SP500 pode entrar numa correção. Enquanto estiver contido entre as duas retas paralelas, o nível projetado parece factível.

A não ser que haja uma explosão de preços fazendo com que o SP500 acelere sua alta acima dessas retas, o movimento se mantem confinado entre elas. Sendo assim, vou atualizar o stoploss para o nível de entrada 3.030. Caso aconteça a explosão de preços, vou analisar com mais detalhes se altero o objetivo de curto prazo.

O SP500 fechou a 3.085, com alta de 0,27%; o USDBRL a R$ 4,1004, com alta de 0,42%; o EURUSD a 1,1049, com queda de 0,14%; e o ouro a U$ 1.468, com queda de 1,50%.

Fique ligado!

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