2019: Quem dá menos!

8 de novembro de 2019

O sonho se transformou em pesadelo



Não vou comentar a decisão do STF de modificar o entendimento sobre prisão em segunda estancia. Esse tipo de situação me faz crer que o Brasil ainda tem um extenso caminho rumo a moralidade. Talvez um dia, na geração dos meus filhos ou netos. Na minha, perco as esperanças. Vamos observar a reação da sociedade e principalmente do Congresso que poderá reverter essa medida.

Durante alguns meses o mundo viveu um inferno, com a insegurança ocasionada pela guerra Comercial entre China e EUA, Brexit, e a fixação do mercado sobre quando começaria a recessão, os mercados reagiram em conformidade. Talvez o único ativo que acabou sofrendo menos com essa situação foram as bolsas de valores. Já no mercado de bonds, se disputava qual seria o montante total de títulos com juros negativos, batendo recordes diários. Nos EUA, não podia ser diferente, ou melhor, tão diferente. Com a curva de juros ainda no território positivo, a atenção se voltava no diferencial de juros entre os vencimentos curtos e os longos, cuja obtenção de resultados negativos nessa métrica, apontaria a iminência de uma recessão.

Porém, no início de setembro, o jogo começou a mudar, os juros mais longos estacaram a queda e iniciaram um movimento de recuperação. O primeiro sinal de aperto de liquidez no mercado interbancário americano surgiu. No post ataque-pela-retaguarda, o Mosca relatou como a taxa de fundos de curto prazo chegou a 4,75%, notem que naquele momento o mercado estava apostando quantas quedas de juros ainda teria pela frente. O Fed decidiu intervir diariamente, e logo em seguida anunciou um programa para compra de títulos segundo uma frequência de U$ 60 bilhões por mês.

Passados 2 meses dessa ação, seria razoável imaginar que o volume de intervenção tivesse retrocedido, pelo menos marginalmente, mas ao contrário, tem crescido.


O leitor poderia ser levado a imaginar que o ritmo de compra de títulos pelo Fed poderia estar muito lento. Pela ilustração a seguir, não parece ser esse o caso. Uma estimativa visual nos leva a um total de U$ 300 bilhões.


A emissão de títulos é feita pelo Tesouro que possui contas separadas do banco central. Talvez o motivo que justifique esse aperto seria pela emissão de bonds por parte do governo com retenção desses valores no caixa, sem que essa liquidez circule pelo mercado. Eles não se falam?


Essa pressão associada a expectativas menos ruins para a economia mundial, fizeram com que as taxas de juros nos EUA sofressem uma reversão. Nos mercados futuros esperava-se uma queda de aproximadamente 0,50%, agora o que precificado é mais uma queda de 0,25%.


Sem entrar na tecnicidade, a forma como o Fed está atuando tem como subproduto a abertura de taxa entre os títulos curtos e longos. Acredito que sua intenção ao implementar dessa forma, seja dupla: gerar liquidez com papeis curtos e dificultar a inversão da curva de juros. A melhora observada, além da atitude do Fed, ocasionou que, o diferencial de juros ficasse positivo qualquer que seja a métrica de vencimento adotada, veja a seguir.


Assim como, existem noites que temos pesadelos horríveis, outras somos presenteados com sonhos. Porém, ambos passam, pois, a maioria das noites não se sonha. Assim parece ter acontecido nos mercados, os pesadelos de alguns meses se tornaram sonhos com um momento mais positivo. Agora o que é incrível, é como essa mudança na curva de juros não se tornou manchete dos jornais, só do Mosca! Aqui também vale aquela tônica que é mais fácil vender desgraça.

No post melhor-não-entender-de-contabilidade, fiz os seguintes comentários sobre o juro de 10 anos ___ : ... “Notem que estabeleci dois patamares com definições muito diferentes:

Barreira para a baixa – Para que a correção do movimento de baixa, que ocorre desde o final de 2018, termine é necessário que esse nível de 1,95%/2% não seja ultrapassado (esse é um pequeno ajuste das afirmações anteriores onde mencionei o patamar de 1,9%).

Em outras palavras, se o juro ainda tem chão para cair, ao atingir o patamar acima, o movimento de queda deve ganhar tração.

Porta para a alta – Por outro lado, se essa região acima não conter os juros e o nível de 2,3% for rompido, podemos abandonar por um tempo a ideia que o nível de 1,45% seria visitado novamente” ...

No post acima tinha observado outras possibilidades que acabaram sendo eliminadas, haja visto que, os juros se encontram na região apontada como “barreira para a baixa”. Naturalmente, a probabilidade de alta agora é mais elevada, porém é importante que o nível de 2,05% seja rompido.

Por enquanto todas as possibilidades continuam abertas, tem para todo gosto!

- David, entendo sua dúvida, mas com um revólver na cabeça qual seria sua opção, juro sobe ou desce?
Sinceramente nessa situação, o melhor seria rezar! Hahaha ...

No gráfico com janela mensal publicado a seguir, se pode notar que os últimos 3 meses houve oscilações de preços, sem que houvesse algo mais definitivo. Não saberia o que propor nesse momento.

Como apontei no gráfico, ocorreu o que se denomina de triple botton, que não deixa de ser uma indicação pela dificuldade de o juro cair abaixo de ~ 1,5%. Em outras palavras, se essa reversão indicar um mercado de alta de juros, pode ser significativa. Mas isso não é definitivo, é necessário que o movimento continue para cima e se acelere.


O SP500 fechou a 3093, com alta de 0,26%; o USDBRL a R$ 4,1637, com alta de 1,55%; o EURUSD a 1,1016, com queda de 0,30%; e o ouro a U$ 1.458, com queda de 0,64%.

Fique ligado!

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