2020: O risco vai compensar?

17 de setembro de 2019

Ataque pela retaguarda



Num mundo repleto de notícias sobre juros negativos onde a cada dia mais títulos acrescentam a lista, é estranho, muito estranho, receber um gráfico apontando a explosão dos juros no mercado interbancário americano.

Para o leitor que desconhece o funcionamento mais especifico das transações de troca de reservas entre bancos, vou fazer uma breve explicação. Pela manhã, acontece o mercado interbancário onde as instituições financeiras com caixa negativo vão ao mercado para zerar suas posições. Como garantia fornecem títulos do governo, de tal forma que, se essa instituição quebra durante a noite, quem emprestou o dinheiro fica com seus títulos. Ou seja, não existe o risco de crédito do tomador.


Bem, o que acabou acontecendo ontem? As taxas desta troca de reservas atingiram 4,75% a.a., e os principais motivos apontados pelo mercado são:
1.       Elevado oferta de papeis do tesouro americano para financiar seu déficit;

2.       Balanços dos intermediários financeiros tomados (essas operações citadas acima têm limites), além de restrições regulatórias de final de ano;

3.       Um sistema bancário próximo à escassez de reservas.

Talvez uma repercussão secundaria pode explicar a expressiva alta ocorrida nos juros de títulos americanos mais longos na sexta-feira, comentada no post um-dia-pode-ser-muito-tarde.

É desnecessário dizer que esse movimento - sem um catalisador claro - é uma indicação aberta de que a liquidez nos mercados de financiamento overnight acabou de romper, e se encontra muito comprometido por estar negociando tão acima da taxa efetiva de fundos.

Embora não tenha havido um catalisador imediato, a razão por trás da explosão da taxa na segunda-feira é uma combinação de fatores, incluindo a liquidação dos leilões do Tesouro, e o espaço para financiamento, já que as empresas retiraram dinheiro estacionado em bancos e fundos do mercado monetário para efetuar seu pagamento trimestral de seus impostos.

O que traz a pergunta: como determinar se o aperto no financiamento em dólares causará outro episódio importante de risco para financiar o mercado de U$ 64 trilhões? Se o Fed quiser antecipar a escassez de financiamento e injetar agressivamente liquidez no sistema, nada o impedirá de seguir os passos do BCE e indicar outra rodada de QE num futuro próximo.

O problema para o Fed é que, após o massivo movimento atual, de explosão das taxas de troca de reservas, o aperto de financiamento pode ter seria consequências não apenas para a economia, mas para o mercado. Significa que, apesar de um excesso de US $ 1,4 trilhão de reservas, um ou mais bancos ficam subitamente sem liquidez, o que cria um problema muito maior para o Fed que a própria China.

O objetivo do post não é criar um terrorismo indicando que o financiamento dos títulos americanos sofre algum tipo de restrição, mas sim, que o aumento da dívida pública oriunda da farra de benevolências do presidente Trump, estão causando um efeito na liquidez do sistema bancário. É esses eventos nem sempre estão no controle do banco central.

Já presenciei diversas ocasiões semelhantes onde as taxas de juros literalmente explodiram. Me recordo nos anos 80 quando a Suécia passou por uma corrida cambial que elevaram seus juros a 400% a.a. Aqui no Brasil, na época do plano real, devido ao elevado saque de papel moeda, o banco central ficou sem armas no curto prazo para enfrentar a alta dos juros, que somente se normalizou depois do aumento de papel moeda.

Esse é um episódio para lembrar os bancos centrais que só estabelecer a taxa dos fundos de curto prazo não é suficiente para que o mercado funcione normalmente, é necessário que a condição de liquidez permaneça em equilíbrio e principalmente o público não perca confiança na autoridade monetária. Fica aqui o alerta!

No post bolha-da-incerteza, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Se a bolsa americana está preparada para novas altas a partir de agora, é fundamental que não aconteça retrações muito expressivas no curto prazo. Caso contrário, a formação técnica apresentada em vermelho é possível, sem que a tendência de longo prazo seja danificada” ...

Na última semana a bolsa ultrapassou a penúltima barreira para que possa atingir novas máximas. Na verdade, ainda falta a última etapa que seria o nível de 3.027, e aguentar a realização natural que acontece nesses momentos, para não se tornar um false break.

Mesmo com a explosão dos preços do petróleo, ocorrida em função do ataque de drones as refinarias da Arábia Saudita, o estrago na bolsa foi pequeno, isso porque, o mercado acredita que a interrupção do fornecimento de óleo seja momentânea.

Vamos imaginar que tudo ocorra da forma esperada e a bolsa ultrapasse o nível acima, deveríamos esperar uma alta ininterrupta até os 3.700 ou pode acontecer algo mais sinistro no meio do caminho que atrasaria esse objetivo?

O nível de continuidade ou não, apontado no gráfico acima é compreendido pelo intervalo de 3.100/3.130, fiquem com esse número na cabeça, se não lembrarem, o Mosca vai chamar a sua atenção. O importante é ter claro esse obstáculo deveria ser ultrapassado no cenário de continuidade. Nesse momento não saberia classificar qual o mais provável, mas o mercado poderá dar indicações, desde que, o mercado ultrapasse as barreiras de curto prazo. Até lá, e melhor não ficar sonhando.

O SP500 fechou a 3.005, com alta de 0,26%; o USDBRL a R$ 4,0773, sem variação; o EURUSD a 1,1071, com alta de 0,68%; e o ouro a U$ 1.5012, com alta de 0,29%.

Fique ligado!

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