2020: O risco vai compensar?

6 de setembro de 2019

Ainda não



A ilustração do post ilustra bem o momento em que vivemos. Com quase U$ 17 trilhões em títulos que oferecem juros negativos, encontrar algum que rende alguma coisinha, e que não seja nem venezuelano nem argentino, é desafiador. A grande questão é se esse movimento se expande para outros países, o EUA inclusive, ou daqui há pouco, tudo não passará de história retornando à normalidade. Se souberem alguém que tem a resposta, nos avise!

O mercado já fez suas apostas pesadas que a economia americana está na vertente de uma desaceleração que a levaria a uma recessão. Esse é o consenso do mercado, pelo menos, apontado nos mercados de juros, com sucessivas quedas espelhadas nos contratos de futuro. Para se ter uma ideia, o gráfico a seguir aponta a probabilidade de 4 ou mais reduções de 0,25% dos juros ainda em 2019 (considerando que uma já ocorreu). O que pode ser mais questionável é a extensão da queda econômica.

Para que essas previsões se concretizem é necessário que os dados apontem neste sentido. Sendo assim, a atividade econômica deveria estar apontando desaceleração bem como o mercado de trabalho, com uma defasagem estimada de 6 a 9 meses, piorando. Em relação ao primeiro quesito, o índice de surpresas calculado pelo Citibank dá um resumo desses vários indicadores. Sob essa ótica, os resultados recentemente publicados apontam para uma melhoria em relação ao que os analistas esperavam.


Em relação ao emprego, hoje foi publicado a criação de 130 mil vagas no mês de agosto, ficando abaixo da previsão de 150 mil. A taxa de desemprego se manteve estável em 3,7% e o rendimentos por hora cresceu 3,2%. Os resultados são levemente piores que os históricos, a média da criação de empregos nos últimos 3 meses foi de 156 mil abaixo da média dos últimos 8 anos de 190 mil.


Os últimos números de empregos fornecem evidências de que a economia dos EUA está perdendo impulso, mas permanece em situação estável, graças a um mercado de trabalho sólido e aos consumidores que continuam a chegar às lojas, apesar da desaceleração do crescimento global e do aumento dos atritos comerciais.

As evidências de uma desaceleração global se aprofundaram em agosto. Relatórios recentes mostraram que a produção econômica na Alemanha, a quarta maior economia do mundo, contraiu no segundo trimestre e a produção industrial na China, a segunda maior economia, abaixo do esperado.

Até o momento, os traders de bonds não podem comemorar suas apostas nem tampouco jogar a toalha. As evidências são insuficientes para justificar qualquer lado. Ainda não!

Localmente foi publicado o IPCA de agosto em 0,11%, a taxa de 12 meses ficou em 3,43%, acima da do mês de julho em função da eliminação das taxas mensais mais voláteis do ano anterior. Na tabela a seguir, como é de conhecimento de meus leitores, gosto de acompanhar dois parâmetros: Preços Livres que permanecerem estáveis em 3,32%, e a Taxa de Difusão em 57%.


O que mais eu poderia falar que já não foi repetido inúmeras vezes nas publicações do IPCA dos últimos meses? Nada! Caminhamos para um país com inflação sob controle e com juros ainda elevados (sobre essa última colocação, estou copiando o Trump em seus Tweets? Hahahaha ...)

No post quando-emoção-prevalece, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “o que se pode fazer será entrar no mercado quando houver uma retração, que acontecerá em algum momento. Pelas minhas observações, a queda de 2,8% até 1,45% faz parte dessa onda 3. Caso a correção começasse agora, seria de se esperar uma retração entre 1,75 a 1,95%, mas não existe ainda indicação de ser esse o momento” .... Na última semana ocorreu um fato que poderá dar um certo alento em nossa expectativa de correção. O motivo se encontra a seguir no gráfico semanal.


Na semana os juros de 10 anos fizeram o que se denomina em análise técnica Key Reversal Week, a mesma formação comentada no post de ontem sobre o ouro. É necessário a confirmação no fechamento que o nível esteja acima de 1,55%, muito próximo ao nível atual. Caso fique abaixo desse nível, essa formação é abortada. Em todo caso, as observações valeriam como exercício.

Caso haja a confirmação, o mais provável é que aconteça uma correção “tortuosa” e com duração de algumas semanas, atingindo o intervalo entre 1,75%/1,95%. Também não se poderá descartar uma penetração mais profunda que levaria o juro ao patamar de 2,10%, algo que parece impensável hoje, mas que a análise técnica aponta.

- David, não sei como você tem coragem de colocar um número como esse de 2,10%!
Vou te revelar um fato, quando calculo os pontos nos gráficos fico ausente do meu juízo de valor, justamente para que não sofra nenhum tipo de restrição, o cálculo é de forma mais ou menos mecânica. Depois posso fazer uma análise mais abrangente, porém raramente excluo essas possibilidades aparentemente menos prováveis.

No caso especifico dos juros, mesmo assumindo sua baixa chance de acontecer, a elevada aposta do mercado nesse sentido pode gerar uma frustração mais adiante, bastando por exemplo a economia mostrar sinais que, ao contrário que todos esperam, não desacelerar.

Mas tudo isso ainda é muito tênue, os sinais ainda são de mais queda no curto prazo, a não ser que, o sinal de reversão que apontei se mostrar mais fortes, e isso saberemos na próxima semana, principalmente se o nível de 1,60% for ultrapassado.
 

O SP500 fechou a 2.978, sem alteração; o USDBRL a R$ 4,0740, com queda de 0,80%; o EURUSD a 1,1026, sem alteração; e o ouro a U$ 1.505, com queda de 0,89%.

Fique ligado!

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