2020: O risco vai compensar?

27 de setembro de 2019

Efeito colateral



Estamos acompanhando a abertura do processo de impeachment contra o Presidente Donald Trump – sempre ele chamando a atenção! Desta vez parece que se meteu numa enrascada com consequências mais sérias.

A Presidente da Câmera dos deputados, Nancy Pelosi, que é do Partido democrático, está no comando desse processo. O risco existe para os dois lados: no do presidente o impacto na sua intenção de reeleger, do lado dos democratas, se o mesmo for inocentado, os eleitores poderiam alegar que o processo foi uma caça às bruxas por democratas vencidos. É importante frisar que o partido republicano tem a maioria do Senado o que diminui as chances de seu impeachment.

É quase certo que um processo de impeachment será iniciado contra o presidente Donald Trump. Embora o resultado seja incerto, os mercados financeiros atualmente assumem que Trump terá pouco tempo para outras questões até as próximas eleições e que sua situação política enfraqueceu consideravelmente. Na realidade, isso significa que haverá muito mais pressão política na Casa Branca para diminuir a guerra comercial com a China. Está se tornando cada vez mais evidente que a guerra comercial está tendo um grande impacto na economia global e, portanto, na economia dos EUA, especialmente porque cria muita incerteza.

Um segundo efeito importante dos eventos nos últimos dias é que, a candidatura presidencial de Joe Biden para os democratas nas próximas eleições, se tornou menos provável. Ele até foi ultrapassado por Elizabeth Warren em uma importante pesquisa de opinião recente. É possível que ela se torne a próxima presidente, pois Trump perderá sua vantagem. No mercado de apostas essa situação já se encontra visível nos preços.
Isso é da maior importância para os mercados financeiros, significando que a política mudaria da ultradireita para a extrema esquerda. Por exemplo, Warren quer reverter quase todas as medidas adotadas por Trump. Ela quer um sistema de assistência médica “Medicare for All”, com pagamento único, e as principais dívidas que os estudantes tiveram que acumular para estudar devem ser eliminadas. Ainda mais importante para os mercados é que ela é uma forte defensora da Teoria Monetária Moderna - uma política pela qual os déficits públicos são financiados pelo banco central em uma extensão muito maior (através da criação de dinheiro excedente).

Conclui-se, portanto, que o crescimento econômico dos EUA poderá ganhar um novo impulso através da diminuição da guerra comercial e de déficits públicos muito maiores financiados monetariamente. Isso também anunciaria a perspectiva de aumento da inflação nos EUA. Contrasta fortemente com a situação na Europa, onde a economia está à beira de uma recessão e, por enquanto, são improváveis ​​déficits públicos muito maiores.

Isso se resume ao seguinte para as taxas e preços de mercado.

·         As melhores perspectivas de crescimento e a diminuição da guerra comercial são positivas para os mercados de ações;
 
·         Melhorar as expectativas de crescimento e inflação e a perspectiva de maiores déficits públicos aumentará as taxas de juros de longo prazo nos EUA - e as do resto do mundo em certa medida;
 
·         Um fator negativo para EURUSD é que o desempenho das economias dos EUA e da Europa divergirá ainda mais.
   
A perspectiva de maior crescimento é positiva para as ações, mas os planos de Warren serão motivo de preocupação para as empresas.
 
Se isso persistir, o mercado de ações terá que enfrentar um forte aumento nas taxas de juros de longo prazo. As preocupações com a deflação mudarão para preocupações com a inflação se Warren se tornar presidente e implementar sua política inflacionária.
 
Isso significa que o dólar enfraquecerá no cenário de um aumento substancial dos déficits duplos - déficits em conta corrente e déficit nas finanças públicas.

Ainda é muito cedo para descartar a reeleição de Trump pois sua postura agressiva contra uma candidata não muito conhecida pode ter efeitos imprevisíveis. Esses são os efeitos colaterais de quem acredita que pode tudo, que não tem limites!

No post acabou-moleza, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “alguns níveis aonde aumentam as chances de os juros permanecerem dentro do “caixote”:

.         1,75% - Já foi
·         1,95% -  próximo teste
·         2,10% -  nesse caso, a probabilidade de o juro ficar dentro do “caixote”, por bem mais tempo, se eleva bastante...

... “O gráfico publicado abaixo parece mais provável que o nível de 1,95% será testado em breve, principalmente se não recuar até 1,7%” ...

Essa semana, depois de atingir uma mínima de 1,63%, o juro voltou ao nível de 1,7% valendo as observações apontadas acima. Ainda é cedo para qualquer conclusão, porém tudo indica que o movimento de queda que perdurou desde o final de 2018 resolveu dar uma parada.
Estamos distantes de um mês, da próxima reunião do Fed no dia 29 de outubro, aonde ainda existe a possibilidade de um corte de juros. Caso isso não aconteça, vai sobrar para a última do ano no dia 11 de dezembro.

Com o assunto de seu impeachment em andamento, o Presidente Trump não tem tido muito tempo para criticar o Fed e seu escolhido para presidir a instituição, Jerome Powell. Provavelmente ficara fora do ar por algum tempo.

Um levantamento feito pelo Deutsche Bank mostra claramente a guinda que os EUA estão dando na questão de comércio internacional. Se todas as tarifas anunciadas forem implementadas, os EUA passam a ser o pais com o maior nível de tarifa entre os principais países, inclusive os emergentes (Brasil abrangido).

Abaixo a tabela contendo os resultados acumulados dos trades proposto pelo Mosca durante o ano de 2019.


O SP 500 fechou a 2.961, com queda de 0,53%; o USDBRL a R$ 4,1600, sem variação; o EURUSD a 1,0938, com alta de 0,16%; e o ouro a U$ 1.496, com queda de 0,60%.

Fique ligado!

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