2020: O risco vai compensar?

11 de setembro de 2019

O remédio que pode matar



Para a maioria dos analistas, a performance dos juros americanos e do SP500 é intrigante. De forma sucinta, haja visto que, esse assunto é ventilado com frequência no Mosca e em diversas análises, a queda dos juros observados nos últimos meses tem como argumento a desaceleração da economia mundial, sendo assim, deveria ter impacto negativo na bolsa que se encontra na eminencia de romper sua máxima histórica.

Mas e se, os investidores acabarem se equivocando em suas expectativas de: outra onda de cortes nas taxas de juros, flexibilização quantitativa, e outras medidas de política monetária?

O mercado antecipa dois cortes nas taxas das próximos duas reuniões do Fed, e provavelmente uma terceira em dezembro. Além disso, os investidores quase universalmente esperam algum tipo de ação agressiva por parte do BCE, em sua próxima reunião na quinta-feira. Enquanto isso, parece que nas últimas semanas um número crescente de "insiders" do mundo da formulação de políticas, saíram em público questionando a relevância e potência da política monetária, destacando a necessidade de mudanças nas políticas fiscais, regulatórias ou comerciais.

Em suma, eles estão devolvendo a bola aos políticos. Tome o testemunho de Christine Lagarde na semana passada ao Parlamento Europeu, que externou o obvio, ou estaria dando um recado ao mercado que tem expectativas irrealistas sobre a continuidade na queda dos juros.

Este último é dificilmente inconcebível, dado que o potencial futuro ativismo do BCE viria carregado de consequências. Taxas de juros mais baixas arriscariam empurrar os bancos, companhias de seguros e fundos de pensão para o lodo. Mais aquisições de ativos de renda fixa seriam complicadas pela escassez de títulos da Alemanha, Finlândia e Holanda disponíveis para compra.

Além disso, a natureza da atual debilidade econômica realmente justifica tal ativismo? A atual desaceleração, diferentemente da maioria de seus antecessores, não foi desencadeada por um aumento nos preços do petróleo ou em taxas de juros mais altas. Como resultado, não poderia ser menos cíclico por natureza e mais estrutural? A indústria automobilística está inegavelmente lutando por razões que têm pouco a ver com a renda disponível, elevação do preço da gasolina, ou aumento dos custos de financiamento. Ao mesmo tempo, a indústria aeroespacial sofreu seis meses horríveis após o fiasco do Boeing 737 Max. E é claro, as tensões comerciais não fizeram nada para ajudar.


Se as causas da desaceleração são de fato mais estruturais do que cíclicas, os membros do conselho do BCE podem muito bem estar se perguntando em que nível as taxas de juros européias vão acelerar a demanda chinesa por carros alemães. Ou quanta flexibilização quantitativa eles precisam fazer para consertar  os problemas de engenharia da Boeing. E se forçar os bancos a vender seus empréstimos ao BCE fará com que Donald Trump e Xi Jinping resolvem suas diferenças. Tudo está totalmente desconectado.


Isso traz de volta ao dilema que os investidores enfrentam. O mundo de hoje é caracterizado por baixo crescimento, baixa inflação e bancos centrais que podem contar com a impressão de dinheiro, a fim de comprar ativos sem valor, descabidamente. Nesse mundo, um investidor de pensamento correto deve começar a “pagar” mais caro, pelo crescimento onde quer que esse crescimento possa ser encontrado - seja nos EUA, tecnologia, bens de luxo europeus, etc.

Feito isso, o investidor ainda enfrentará o risco de que o crescimento global desaponte, seja por causa da guerra comercial, uma implosão no crescimento da China, uma crise europeia renovada ou outra razão. Para proteger sua carteira contra esse risco, esse investidor tem uma opção simples: a compra de títulos do governo de longo prazo.

Historicamente, o portfólio de escolha otimizado e amado por boa parte de analistas de todo o mundo, tem uma carteira equilibrada, com 60% de ações de crescimento, e 40% com títulos de longo prazo. No entanto, recentemente, isso passou a parecer menos e menos como um portfólio otimizado, e cada vez mais como uma “carteira muito arriscada ”. Nas avaliações atuais, esse portfólio não oferece mais diversificação. Em vez disso, é um portfólio que aposta totalmente na continuidade: intervenção bancária e taxas de juros cada vez menores. Dado parte da retórica vindo dos banqueiros centrais recentemente, esta é uma aposta que agora pode estar cada vez mais arriscada.

A febre é um sintoma que pode ser ocasionada por diversos motivos. Quando aparenta ser uma virose o médico busca remédios que fortalecem o seu combate, uma vez que, não existe medicação especifica. Acontece que se a febre não cede, outras tentativas se fazem necessárias, evitando colocar o paciente em risco. Um paralelo com a situação econômica atual, parece que os bancos centrais estão buscando combater a “febre” através da baixa dos juros de forma artificial, e não está funcionado, pois pode não ser uma “virose” o problema.

Se insistirem nesse caminho, as distorções podem caminhar em problemas mais sérios de desbalanceamento econômico. Talvez, ao perceber isso, vários clamaram recentemente por outros mecanismos, como estímulos fiscais. Para a adoção desses “medicamentos”, e principalmente na zona do euro, é necessário a assunção pelos políticos de medidas que podem afrontar amarras pré-estabelecidas.

No post mordendo-linguá, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “o rompimento do nível de 101.500 completaria as 5 ondas anotadas no gráfico, em seguida, se espera um movimento de correção que levaria o índice novamente abaixo dos 100.000. Seria nesse movimento que vou sugerir um trade de compra, cujo nível terá que ser melhor definido” ...

Como alertei no post, o gráfico acima é de curtíssimo prazo o que pode dar uma visão amplificada de movimento. Voltando aos parameters mais corriqueiros de análise, a bolsa brasileira se encontra em melhores condições de romper a máxima histórica de 106.500.

O objetivo de longo prazo que venho buscando para o Ibovespa é de 110.000, que se encontra próximo. Nada impede que continue subindo, se ultrapassar essa marca, porém o mais provável sería  ocorrer uma correção mais demorada na sequencia.

Mas antes de contar vitória, a bolsa precisa sair desta correção. Sendo assim, somente depois de ultrapassar a marca acima isso se concretizara. No momento, não me sinto compelido a sugerir nenhuma posição.

O SP500 fechou a 3.000, com alta de 0,72%; o USDBRL a R$ 4,0656, com queda de 0,35%; o EURUSD a 1,1010, com queda de 0,30%; e o ouro a U$ 1.495, com alta de 0,69%.

Fique ligado!

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