2020: O risco vai compensar?

23 de setembro de 2019

O voto do robô



Ultimamente pouco se tem comentado sobre a evolução dos robôs, com a crescente preocupação do mundo estar à beira de uma recessão, este assunto foi colocado de lado. Porém como um exército que marcha rumo ao seu destino, os robôs continuam a substituir os humanos. 

A campanha de Donald Trump foi baseada na ideia que os empregos transferidos dos EUA para a China deveriam voltar ao país de origem. A guerra comercial travada entre esses dois países é uma tática usada pelo presidente americano nesse sentido. Porém, a situação do mercado de trabalho Chinês já não é mais a mesma que se imaginava no passado.

Desde a virada do século, o crescente domínio econômico da China certamente parece um mandato do céu. Como um setor manufatureiro dos EUA foi destruído pelo chamado Choque da China, os trabalhadores americanos viram seus empregos desaparecerem.

Mas muita coisa mudou desde o início dos anos 2000. A China não é a força invencível que era antes. De acordo com a empresa de consultoria Oxford Economics, os custos unitários da mão-de-obra na China - basicamente, salários ajustados pela produtividade - eram cerca de um quarto dos EUA em 2003. Agora, eles são quase iguais.

Existem várias razões para a mudança. A primeira, é claro, é a guerra comercial do presidente Donald Trump - as tarifas tornaram os produtos chineses menos competitivos e a incerteza sobre quais tarifas adicionais ele pode impor cria custos para quem pensa em comprar da China. Mas a erosão da competitividade chinesa antecede Trump. Os salários têm aumentado constantemente há anos:

É provável que essa tendência não seja revertida em breve. A China não tem mais uma mão-de-obra rural barata, que pode trazer para as cidades, para manter baixos os custos de fabricação. Sua população em idade ativa está diminuindo milhões de pessoas todos os anos, com quedas ainda maiores por vir.


Se a produtividade estivesse acompanhando o crescimento dos salários, a posição competitiva da China estaria segura. Mas a produtividade tem sido lenta desde a Grande Recessão:


Em outras palavras, a ameaça competitiva da China parece estar diminuindo, pelo menos no que diz respeito aos trabalhadores dos EUA. Os campeões industriais da China nas indústrias de tecnologia e automotiva ainda podem oferecer concorrência às empresas americanas, mas terão que competir com inovação e não com custos.

Isso significa que os trabalhadores americanos começarão a ver seu salário crescer mais rapidamente? Possivelmente, segundo Karl Smith da Bloomberg Opinion. Ele acredita que o recente aumento dos salários como parcela do produto interno bruto poderia ser o prenúncio de uma nova tendência de aumento da remuneração do trabalho e queda da desigualdade:


Esses são certamente sinais encorajadores, mas seria prematuro concluir que a diminuição da concorrência chinesa tem algo a ver com a modesta recuperação salarial. Uma explicação alternativa óbvia é que os ganhos salariais são apenas o resultado da maior expansão econômica desde a Segunda Guerra Mundial. Os salários também aumentaram como uma parcela do PIB nos anos 90, apenas para retomar sua queda depois que o boom terminou.

Na verdade, existem evidências de que o recente aumento modesto dos salários tem pouco a ver com o repatriamento da atividade manufatureira da China. A proporção de importações de manufatura dos EUA em relação à produção de manufatura doméstica aumentou, não diminuiu, nos últimos anos:


Pode ser que a concorrência chinesa tenha proporcionado aos trabalhadores americanos a sua maior concorrência no passado, mas a tecnologia será o desafio no futuro. A manufatura pode voltar às costas dos EUA, apenas para ser dominada por robôs, levando muitos dos demais trabalhadores da manufatura para o setor de serviços com salários mais baixos e menos sindicalizados.


Dois dos maiores campos de batalha política da década passada foram as manufaturas chinesas e as riquezas de Wall Street. Donald Trump, Bernie Sanders e Elizabeth Warren não estariam onde estão hoje sem eles. Mas assim que todas as lutas e votações terminarem, os robôs receberão a última palavra sobre ambos.

O fato de os robôs estarem nas fábricas não vai chocar ninguém, embora ainda possa decepcionar qualquer eleitor de Trump que espera que a guerra comercial do presidente revive o emprego nas fábricas. A era da dominação industrial da China certamente acabou, algumas fábricas retornam aos EUA, mas ao contrário de gerar empregos, grande parte desse trabalho será feita por máquinas. Não por coincidência, o emprego nas fábricas está caindo nos estados da Pensilvânia e Wisconsin.

Um pouco mais surpreendente é a aquisição robótica do setor bancário. Os algoritmos já realizam muitas negociações, é claro, transformando a Bolsa de Valores de Nova York em nada mais do que um estúdio de TV colorido. Mas as máquinas continuam invadindo as finanças o tempo todo, levando a cortes de empregos em todo o setor.

O Presidente Trump busca a todo custo trazer as fábricas que no passado foram transferidas para o exterior, principalmente para China. Não podemos saber qual a sua real intenção, se genuinamente quer aumentar o emprego ou atrapalhar a China a se tornar a grande potência daqui alguns anos. Independentemente do seu motivo, em relação ao eleitor americano, não irá fazer muita diferença, a não ser que espere que os robôs votarão nele nas próximas eleições!

No post rumo-incerto, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “uma retração aconteça no intervalo compreendido entre R$ 4,01 – R$ 3,96. Depois, uma reversão deveria levar o dólar a novas máximas contra o real. Se esse percurso seguir esse rumo devo sugerir um trade de compra de dólar naquele intervalo” ...

O dólar chegou a mínima de R$ 4,02, porém, principalmente após a reunião do COPOM, subiu e agora se encontra muito próximo das máximas recentes a R$ 4,18. Se minha ideia em termos de análise técnica estiver correta, estaria faltando uma pequena correção para poder seguir no seu caminho da alta.

- David, essa máxima que você se refere é R$ 4,1950. O que fazer se ultrapassar?
Teoricamente deveríamos comprar o dólar no rompimento, mas parece que o movimento recente está “incompleto”, conforme mostro a seguir.

- O que é essa área cinzenta?
Existe a possibilidade um rompimento da máxima com uma reversão logo em seguida, o que se denomina como false break. Apenas deixei registrado para caso algum leitor decida entrar na compra do dólar num rompimento de R$ 4,20. Se for esse o caso, sugiro um stoploss curto.

Fiz algumas simulações de onde poderia terminar essa alta. Embora tenha registrado em posts anteriores os níveis de R$ 4,40 e R$ 4,85, e enfatizado o primeiro como o preferencial, o segundo está ficando mais provável. Mas tudo não passa de hipóteses onde os preços precisam confirmar níveis anteriores. Fica somente registrado, e voltamos a esses resultados caso o rompimento de R$ 4,20 se confirme.

O SP500 fechou a 2.991, sem variação; o USDBRL a R$ 4,1709, com alta de 0,57%; o EURUSD a 1,0992, com queda de 0,24%; e o ouro a U$ 1.523, com alta de 0,47%.

Fique ligado!

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