2020: O risco vai compensar?

5 de setembro de 2019

Ninguém se entende



Desde que a Inglaterra decidiu se separar da União Europeia em 2016, não consigo imaginar a quantidade de material publicado pelos bancos com análises das diversas possibilidades de separação. Confesso que, no início acompanhava com mais assiduidade, mas ultimamente parei.

Eu desafio qualquer britânico, analistas incluídos, para que dê uma solução, pois ninguém se entende. Como as próprias pesquisas indicam, existe uma parcela equânime entre os que querem sair e os que não querem, e pior, durante esses três anos quase ninguém mudou de lado.

O mais recente Primeiro-ministro, BoJo, tentou dar uma de “esperto”, e usando uma saída legal existente, solicitou a Rainha Elizabeth para fechar o Parlamento. Imaginou que, desta forma, por bem ou por mal, em 31 de outubro resolveria esse imbróglio. Os legisladores britânicos impuseram derrotas duplas ao primeiro-ministro Boris Johnson, frustrando seu esforço de tirar a Grã-Bretanha da União Europeia.

As pancadas consecutivas na quarta-feira para o governo minoritário de Johnson reduzem significativamente as chances de o Reino Unido deixar o bloco abruptamente em 31 de outubro, sem um acordo para minimizar a interrupção econômica esperada. Mas eles também aumentam um período de incerteza política e econômica para a segunda maior economia da Europa.

Os legisladores votaram 327 a 299 a favor de uma proposta que exige que o governo busque uma extensão de três meses para o prazo do Brexit se não concordar com a UE, até 19 de outubro, em novos termos de separação que atendam à aprovação do Parlamento. Atualmente, o Reino Unido está programado para sair em 31 de outubro.

A Câmara dos Comuns, também rejeitou na quarta-feira o pedido de Johnson para as eleições gerais de 15 de outubro, embora o impasse entre o Parlamento e o primeiro-ministro provavelmente ainda deixe o Reino Unido a caminho de sua terceira pesquisa nacional em quatro anos, embora mais tarde no outono. O mercado já aposta como muito provável que aconteça novas eleições.

Johnson já prometeu não buscar nenhuma extensão, dizendo que mais atraso seria uma afronta aos eleitores que optaram por sair da UE em um referendo em 2016. Isso prepara o terreno para novos confrontos com o Parlamento. Johnson não conseguiu reunir a maioria de dois terços necessária no Parlamento para convocar uma eleição em 15 de outubro. Os parlamentares da oposição temem que uma votação rápida possa dar a Johnson uma oportunidade de reimpor uma divisão de 31 de outubro sem qualquer acordo.




Os impactos dessa indecisão nos negócios desse país são enormes. Muitas empresas estudam sair do Reino Unido caso o Brexit aconteça. O quadro a seguir mede qual foi o impacto nos investimentos, emprego e produtividade nesses últimos três anos.

A confusão continua no Reino Unido de tal forma que, o BoJo recém empossado, pode perder o cargo em novas eleições. O que os britânicos deveriam se perguntar e se um novo Primeiro-ministro tem a solução mágica de conseguir um consenso. Eu desisto, quando chegarem a conclusão vou saber pelo noticiário. O que me parece a distância é que nem um lado nem outro está confiante em sua posição. O que posso concluir desses últimos acontecimentos é que o mercado gostou, pois, a libra subiu 3% nos últimos dois dias.

Os mercados estão reagindo de forma impulsiva em virtude do anuncio da China e os EUA retornarem a mesa de negociação em outubro, esse movimento nos colocou de volta no mercado com um trade no SP500, no rompimento do nível 2.940, considere o stoploss a 2.900.

O ouro também está sentindo o baque, apresentando uma queda de 2,6%, assunto de hoje do Mosca. No post encarando-realidade, fiz os seguintes comentários: ... “ Venho enfatizando já faz algum tempo que, o ouro poderia atingir um nível de grande importância. Se uma queda se suceder a partir desse patamar, o próximo movimento irá definir se é realmente uma correção, ou a alta do ouro se esgotaria, originado um novo movimento de baixa de mais longo prazo” ... ... “O que irá determinar se é um caso ou outro será o shape desse movimento, e mesmo sendo mais improvável uma queda mais forte, não se pode descartar do ponto de vista técnico.

Embora a queda hoje foi substancial, ainda não é suficiente para descartar nem que continue subindo, nem que uma reversão aconteceu. Se até amanhã, fechamento da semana, o metal ficar nos preços atuais, um indicador baixista será observado com implicações importantes. Essa observação denominada de Key reversal week- acontece quando numa semana os preços atingem patamares superiores à da semana anterior e fecham abaixo da mínima observada na semana precedente, como aponto no gráfico a seguir.

 
Fiz uma hipótese que o ouro estaria entrando num período de queda de suas cotações, embora ainda exista a possibilidade do objetivo calculado de U$ 1.560/1.580, seja atingido no curto prazo. Sendo assim, os parâmetros apontados a seguir valem como exercício.

Acredito que as premissas se encontram bastante claras no gráfico. Como tudo isso ainda é hipotético, só gostaria de frisar que, quando e se ocorrer, o shape nos dará indicação do que é mais provável acontecer.

Os leitores percebem os diversos reforços que faço em favor do uso de análise técnica, enfatizando em diferentes ocasiões pontos a serem considerados. O caso recente do ouro merece destaque também. Nesses últimos meses a argumentação em favor da compra de ouro tiveram vários argumentos, mas acredito que a queda dos juros foi o que mais circulou. No post grifado acima, dei minhas observações sobre esse argumento, do qual não concordo integralmente, mas quem sou eu para ir contra o que o mercado acredita?

Para quem embarcou nesse argumento, projeta preços crescentes para o ouro, afinal, não se vislumbra alta nos juros.

Isso me remete a situação atual, como comento hoje, o ouro poderá estar entrando num período de baixa, mas é fundamental saber se, essa baixa deva ser aproveitada para se montar posição de compra, ou ao contrário, implementar trades de venda. Essa dúvida é muito pertinente e eu não consigo responder agora. A diferença entre o Mosca e os fundamentalistas, nesse caso, é que estou aberto para qualquer uma das situações, sem um viés de antemão, aguardo o mercado me “avisar” o que fazer, enquanto no outro caso, não se tem dúvida, se vai as compras.

Posso afirmar que minha posição é muito mais tranquila e com perspectivas de preservação de capital superiores a possível teimosia de ter que defender uma opinião, arriscando mais capital que seria desejado.

O SP500 fechou a 2.976, com alta de 1,30%; o USDBRL a R$ 4,1083, com alta de 0,34%; o EURUSD a 1,1035, sem variação; e o ouro a U$ 1.518, com queda de 2,19%.

Fique ligado!

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