2020: O risco vai compensar?

21 de novembro de 2019

Mal-acostumado



A ciência comportamental apresentou grande evolução nos últimos anos e passou a integrar o mundo das finanças. Essa nova teoria está em contraste com os modelos clássicos de avaliação de portfolios como por exemplo a fronteira eficiente. De que servem os modelos matemáticos que levam em consideração decisões lógicas se o ser humano também usa seus sentimentos em seu em seu processo decisório.

Algumas empresas estão coletando informações das decisões feitas por seus gestores afim de compreender os motivos que os levam a tomar decisões erradas. A mais comum diz respeito a tendência de vender os ativos com pequenos lucros e manter os que tem prejuízo – normalmente se tornam grandes. Isso está em acordo com a tese do economista Daniel Kahneman, no qual, um prejuízo de 5% tem um impacto emocional muito maior que um lucro de mesma magnitude. Sendo assim, existe uma tendência a querer “recuperar” uma perda. 

Trinta anos de pesquisa em ciência do comportamento ensinou como o cérebro humano está conectado e como as emoções conduzem as decisões. Ainda assim, os gestores de portfólio ativos - mesmo que estejam em uma guerra feroz com os fundos de índice - estão desperdiçando seu excesso de retorno ao cometer erros previsíveis.

“Informação e até computação, hoje em dia são commodities. O valor deve estar em nosso pensamento crítico e intuição humana ”, disse Brandon Snow, diretor e CIO da Cambridge Global Asset Management, que administra US $ 160 bilhões em ativos.

A Cambridge criou sistemas para rastrear decisões e ajudar seus gestores de fundos a evitar erros comportamentais conhecidos, como a ficar com posições perdedoras por muito tempo.

“Vendo meus vencedores cedo demais e mantenho os perdedores. Isso tem resultados importantes ”, disse Snow. "Meu grupo viu um padrão semelhante", acrescentou. Agora que possui quase três anos de dados robustos em sua equipe, a Cambridge está criando um sistema de parceria e associando gestores de fundos que não possuem uma habilidade - como um comportamento de vendas prematuras de posições vencedoras - com outra pessoa que possui esse talento específico.

A Cambridge coleta informações diárias de gerentes e analistas de portfólio, incluindo a quantidade de sono, exercício, vida pessoal e se estavam felizes ou tristes. A empresa está procurando padrões. Duas vezes por semana, ela analisa as melhores e as piores ideias e avalia questões como o que o gestor venderia se precisasse.

Snow disse que, quando analisou sua própria atividade operacional, descobriu que 40% de suas decisões sobre posições pequenas e ações pequenas não agregavam valor. "São 40% do poder do meu cérebro", enfatizou.

Para completar um pouco esse pensamento, queria acrescentar um trabalho elaborando pelo JPMorgan avaliando o resultado de sugestões fornecidas pelos maiores gurus de Wall Street, quando alertaram para possíveis crash na bolsa de valores. Para fazer essa medida, o analista criou um gráfico comparando o retorno relativo, retirando U$ 1,00 do índice SP500 e o colocando num fundo de bonds. Notem que cada opinião foi dada em momentos diferentes, assim, não se pode comparar esses resultados entre si.


E você, já pensou ou computou como toma suas decisões? Tenho certeza que essa “falha” de comportamento já ocorreu em algum de seus investimentos. Ficar com ações perdedoras por muito tempo é o caso clássico, ou vender rapidamente uma posição com lucro. É muito difícil para o ser humano aceitar erros. Especificamente nas perdas, nossa mente cria “obstáculos” para liquidar o que se mostrou errado. Pensamentos como: vai melhorar; o mercado está errado; se eu sair não retorno mais, e muitos outros só o distanciam da decisão correta de realizar o prejuízo e partir para outra.

Eu não sou exceção, ocorreu diversas vezes e ainda ocorre hoje em dia. Mas o Mosca está imune neste sentido, pelo menos nas perdas. O motivo é o milagroso stoploss, guardião do seu patrimônio. 

No post a-chave-mestra, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Acredito que em algum momento deve ocorrer uma correção, das pequenas, mas quem sabe! Desta forma, resolvi apertar o stoploss para 3.070, e aguardar o que ocorre primeiro: ou o nível de 3.125 ou nosso stoploss” ...

Na última terça-feira, nossa posição foi liquidada conforme observação acima. A máxima neste dia foi de 3.127 recuando em seguida. Será que o Mosca acertou na mosca? Primeiro, que tanto faz uma precisão dessas. Se aconteceu foi bom, mas só isso não é bom inflar o ego, segundo que a reta que estava contendo essa alta não foi rompida na parte inferior.

Caso essa máxima ocorrida dê curso a uma mini correção, deveríamos entrar novamente na bolsa no intervalo apontado acima entre 3.070/3.040. Essa correção faria um certo sentido, pois sempre que ocorrem rompimentos dessa importância, o mercado retorna ao ponto de ruptura para o que se denomina last kiss.

Por outro lado, o mercado pode continuar subindo do ponto atual até o próximo nível de 3.160, onde a reversão poderia tomar rumo.

Tudo isso agora são conjecturas, o que vai importar é o que o mercado vai dizer. Let´s the Market speak!

Muito se diz que não se deve colocar os ovos numa mesma cesta quando o assunto se refere a um portfólio de ações em diversos países. A ideia por trás é que se as ações de um determinado país tiver retorno negativo pode ser compensado por outras de outro país. Tudo isso é valido, se a correlação entre elas for baixa. Mas isso não e´mais válido, como o gráfico abaixo aponta, até 1995 essa correlação era razoável em 0,5. Acontece que, dai em diante a correlação passou para níveis muito elevados de 0,85. Sendo assim, é melhor apostar no mercado mais promissor e esquecer os outros! 


O SP500 fechou a 3.103, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 4,1930 sem variação; O EURUSD a 1,1063, sem variação; e o ouro a U$ 1.464, com queda de 0,68%.

Fique ligado!

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