2020: O risco vai compensar?

6 de novembro de 2019

Senta que o Leão é Bravo



Na guerra comercial entre EUA e China não tem Leão manso, mas como está em jogo diversos interesses conflitantes as vezes é necessário ficar frio. Como comentei recentemente, os ventos se voltaram contra Trump, que além agora em curso processo de impeachment, não pode correr o risco de chacoalhar a bolsa de valores. O tempo é contra ele.

Já do lado Chinês, seu Presidente, Xi Jinping está fazendo suas projeções para escolher qual dos candidatos a eleição americana, é o da sua preferência, não deve ser fácil esse julgamento, pois tanto os Republicanos como os Democratas, não têm temas favoráveis a aquele país. Pode até ser que, preferem o Trump, mas mesmo se for, o fará sofrer no curto prazo.

Além disso, 2020 é um ano importante do ponto de vista político na China, sendo assim, Xi também quer guardar um pouco de gordura para o próximo ano.

A denominada “fase 1” dessa negociação parece ter dado uma desacelerada. O tom positivo dos vazamentos e das queixas relacionadas ao comércio na semana passada, decaiu nas incertezas em torno dos relatórios de que Pequim que está exigindo reduções maiores nas tarifas, antes de se comprometer com o acordo da 'Fase 1', o que Trump descreveu como praticamente terminado.

E no último vazamento, provavelmente destinado a minar os mercados americanos, o SCMP relata que a viagem planejada do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil na próxima semana possivelmente chegaria muito cedo para ele assinar o acordo comercial "Fase 1". Analistas nos últimos dias especularam sobre a viagem para uma cúpula de mercados emergentes em Brasília, com muitos esperando que isso podia representar uma oportunidade para o Presidente Chinês, Xi, parar nos EUA, e selar o acordo, já que o Chile cancelou a cúpula da APEC que deveria sediar a assinatura do acordo ainda este mês.

Infelizmente, como aprendemos nos últimos dias, os dois lados ainda não chegaram a um consenso. E isso provavelmente não acontecerá até que o presidente Xi retorne com segurança a Pequim. Talvez igualmente desanimador para alguns, o SCMP citou fontes chinesas alegando que, Xi, não concordaria em uma reunião nos EUA, a mais recente indicação de que um acordo sobre o local da reunião se tornou uma questão secundária séria nas negociações.

Enquanto isso, a mídia chinesa está relatando que Pequim está exigindo a remoção de todas as tarifas americanas da guerra comercial antes de concordar com um acordo parcial, uma posição que Washington rejeitou repetidamente como infrator.
Mas por que eu acredito que a China estaria “enrolando” o acordo? Basta ver a reação do mercado em relação a moeda chinesa. Algumas semanas atrás, era tido como certo uma desvalorização mais forte para a moeda chinesa, uma forma de combater a imposição de tarifas americanas. Depois de romper a barreira psicológica de 7,00 yuans, chegou a 7,20 yuans rapidamente, e tinha alguns analistas projetando níveis bem superiores. Ontem as cotações retornaram a 7,00 yuans.


Esse é um parâmetro importante para os chineses pois apontam para um retorno da confiança por parte dos investidores internacionais. Mesmo amargando resultados econômicos ruins no curto prazo, acreditam que no futuro próximo possam retornar à normalidade. Já os americanos, e especificamente o Presidente Trump, não tem tanto tempo, precisa manter a economia no curso.

Os mercados esperavam que o Banco Central da China cortasse as taxas desde que introduziu uma nova estrutura de tarifas prometendo reduzir os custos de financiamento. Na terça-feira, finalmente entregou, reduzindo sua linha de empréstimos de médio prazo de um ano, para 3,25%, 5pb abaixo da taxa anterior de 3,3%. A mudança confirmou que as autoridades chinesas estão realmente empenhadas em facilitar a política, que os mercados começaram a duvidar por causa do longo atraso do PBOC nas taxas de movimentação.

Desde que as autoridades mantenham uma série constante de tais medidas, os investidores ficarão seguros de que o governo não está dormindo ao volante nem tentando deprimir o crescimento. Com reduções dessa magnitude, e seguindo a tradição chinesa de o fazer em doses homeopáticas (bota homeopática nisso), irão demorar vários meses até que uma redução acumulada mais razoável de 25pb possa ser atingida. Mais uma reação no sentido almejado pelo governo Chinês.

No caso da bolsa de valores americana, com o rompimento da máxima histórica, isso é uma boa notícia no curto prazo, porém pode ser ruim, caso retroceda exatamente quando estiver em campanha. Ele sabe muito bem, que o reflexo da economia e tudo que está relacionado no período em que houver o debate próximo as eleições, podem ser decisivos para sua reeleição. Essa é a razão de esperar sentando, mesmo sendo um Leão Bravo!

No post vida-promissora, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “vou continuar com a hipótese traçada anteriormente, desde que, o nível de U$ 1.540 não seja ultrapassado antes disso, conforme anotado no gráfico abaixo (plano B)” ... ... “O momento de entrada se situa entre U$ 1.440/U$ 1.410, sendo esse último, nosso call de compra”...

Desde a última atualização, o ouro ameaçou romper o nível traçado anteriormente em U$ 1.540, porém, nos últimos dias retornou a casa dos U$ 1.480. Passados alguns meses desde que o ouro atingiu a máxima recente de U$ 1.550, a correção que está em curso, ainda não o levou a níveis que considero mais atrativos na compra. Com os novos pontos recentes, permite uma estratégia mais refinada conforme aponto no gráfico a seguir.

A opção “A” – preferida, o metal poderia atingir a região compreendida entre U$ 1.430/U$ 1.410. Se o ouro caminhar nesse sentido, vou ter proximamente um refinamento. Na “ opção “B” – alternativa, caso o ouro inicie seu movimento de alta nos próximos dias, o rompimento do nível entre U$ 1.520/U$ 1.540, seria uma indicação que deve estar a caminho de novas altas.

Como o leitor pode notar, o Mosca é altista no ouro, só aguarda o melhor momento para entrar.

As 17h30 o SP500 estava a 3.074, sem variação; o USDBRL a R$ 4,0774, com alta de 2,09%; o EURUSD a 1,1069, sem alteração; e o ouro a U$ 1.491, com alta de 0,48%.

Fique ligado!

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