2020: O risco vai compensar?

29 de novembro de 2019

Futuro da mobilidade



Como já comentei anteriormente, vendi meu carro há 18 meses, posso afirmar que é uma delícia. É verdade que eu não me locomovo com muita frequência pois trabalho em Home Office, mas quando necessito chamo o Uber aproveitando o percurso para “trabalhar” e não ficar irritado com o transito de uma cidade como São Paulo. O único carro da casa é da minha esposa que acabo usando raras vezes. Agora, toda vez que chega o pagamento do IPVA, seguro ou o custo de uma manutenção é um mal humor só, pois a comodidade tem um custo. Na verdade, uma pseudo comodidade, pois para mim, o Uber é muito mais cômodo!

Outro dia assisti uma apresentação de Tony Seba, numa conferência patrocinada pelo JPMorgan sobre o futuro do transporte. Vou anotar alguns pontos que considero mais relevantes desse tema:

·         10% das pessoas que vendem seus carros não estão repondo.
·         Energia “limpa” deve causar rupturas nos seguintes mercados: Baterias, veículos elétricos, veículos autônomos, transporte on demand, solar.
·         Os custos das baterias caíram 90% em 6 anos.
·         Um SUV consome em média U$ 15.000 de gasolina em 5 anos, um carro elétrico equivalente custa U$ 1.560 de energia.
·         Um carro normalmente tem +2000 partes moveis, um carro elétrico 18!
·         Um carro de frota roda 100 mil Km/ano. Em 5 anos seria necessário trocar 3 vezes o carro, enquanto com o carro elétrico somente 1 vez.
·         O custo do carro elétrico caiu dramaticamente, sendo assim, em 2025 todos os carros serão elétricos.
·         Considerando que as empresas de transporte autônomo usem: veículo autônomo, elétrico, o custo por Km será 90% mais barato que ter um carro próprio.
·         Em 10 anos, o transporte será feito 90% com empresas de terceiros ao invés de uso de carro próprio.
·         Implicações: Uma família americana vai economizar U$ 5.600/ano; o custo por milha será de U$ 0,10, ou seja, com U$ 1 se pode ir a qualquer lugar; diminuição dramática do trafego; 90% da queda em emissão de CO2; diminuição da demanda de petróleo em 30% levando o preço do petróleo para U$ 20/U$ 25; 1/3 dos terrenos das cidades americanas ficarão ociosos, pois a necessidade de estacionamentos cairá dramaticamente.

Então, não é chocante? Essas são as implicações mais evidentes, porém, devem ter muitas outras com impacto menor. Com essas projeções muitas indústrias e serviços vão sumir e preços em geral irão cair. Isso é que se chama revolução tecnológica!

Em termos de investimento quais os cuidados a serem tomados: primeiro e mais importante evitar as empresas que sofreram o impacto; e depois as que podem se beneficiar. Um setor que irá impactar diretamente é o automobilístico, na verdade, já está sofrendo. Veja a seguir uma reportagem publicada na Business Finance.

A indústria automobilística global continua a se deteriorar, principalmente devido à quebra de consumidores após uma década de baixas taxas de juros e incentivos infinitos.

A desaceleração automática provocou recessões de fabricação em todo o mundo, incluindo centros de produção nos EUA, Alemanha, Índia e China. Uma desaceleração prolongada provavelmente resultará em crescimento global estagnado, à medida que o comércio mundial continuar desacelerando até 2020.

A equipe de economia da Fitch Ratings publicou um novo relatório no início desta semana, divulgado pela CNBC, descrevendo como as vendas globais de automóveis deverão cair a uma taxa nunca vista desde a última crise financeira.


As vendas mundiais de automóveis caíram de 80,8 milhões em 2017 para 80,6 milhões em 2018, o que foi o primeiro declínio anual em quase uma década. As vendas de 2019 provavelmente cairão 3,1 milhões, ou 4%, para 77,5 milhões, a queda mais significativa desde 2008. A desaceleração nas vendas de automóveis tem sido um dos maiores contribuintes para a recessão global da fabricação.

"A desaceleração do mercado global de automóveis desde meados de 2018 tem sido uma força importante por trás da queda na manufatura global, e o cenário de vendas de carros está ficando muito pior do que esperávamos em maio", Brian Coulton, economista-chefe da Fitch, disse em um comunicado.

A China foi rotulada como a principal fonte de queda da demanda. As vendas de automóveis no acumulado do ano caíram 11% em relação aos dez primeiros meses de 2018. Não há sinais de recuperação no setor em 2020. Os EUA e a Europa Ocidental deverão ter um declínio de 2% este ano. O Brasil, a Rússia e a Índia devem registrar uma queda de pelo menos 5,5% no acumulado do ano.

"Estruturalmente, as preocupações ambientais com os carros a diesel - e as respostas regulatórias antecipadas - e o crescimento dos programas de carona e compartilhamento de carros pesam na demanda de automóveis", disse Coulton à CNBC.

A Fitch também alertou que a indústria automobilística global não se recuperará em 2020 e também é provável que a indústria tenha entrado em um período de baixo crescimento.

"Embora não tenhamos um declínio acentuado na produção global em 2020, as perspectivas para o setor automotivo apontam para melhor estabilização do que para qualquer recuperação acentuada", disse Coulton.

Nesse artigo se pode notar que o analista não assistiu à apresentação do Tony Seba, pois não cobre uma visão de longo prazo muito mais severa, apenas diz que o mercado poderá melhorar mantendo os níveis atuais. Muito cuidado com a indústria automobilística e correlatos, vai ter muita consolidação e diminuição ou fechamento de empresas.

Costumeiramente eu posto nas sextas-feiras minha análise sobre os juros de 10 anos, porém, dado o que ocorreu esta semana (nada!), não vou enrolar, prefiro atualizar o ouro. No post duvidas-da-nova-geração. fiz os seguintes comentários: ... “ainda não atingiu o nível considerado mais “seguro” para a compra. No gráfico a seguir, tracei os níveis para essa nova sugestão de trade. Compra no nível de U$ 1.415, com stoploss a U$ 1.375” ...

O ouro está resistindo bravamente em chegar ao nosso nível, com pequenas oscilações nos últimos dias, se encontra agora em U$ 1.460, ainda U$ 50 dólares acima do nível que estabelecemos.

O espaço está se estreitando para uma definição, pois como eu já havia definido anteriormente, a correção que eu estou esperando do ouro pode ter terminado. Se o ouro subir acima de U$ 1.470/U$ 1.490, vou decidir o que fazer, e caso contrário, se continuar em queda, anotei acima nosso call de compra.

Uma observação recente mostra a elevada correlação entre o metal e os juros de 10 anos, sendo assim, não é à toa que ambos ativos se encontram de lado. Notem que, o significado dessa correlação é que, se o juro sobe o ouro cai, e vice-versa.


Se isso se mantiver – correlação, e o Mosca quer apostar na alta do ouro, implicaria numa queda dos juros. Assim como cada macaco fica no seu galho, prefiro analisar cada um especificamente, pois a correlação deste tipo existe até a hora que não existe mais, e isso pode ser exatamente quando você resolveu apostar.
O SP500 fechou (operou somente na parte da manhã) a 3.140, com queda de 0,40%; o USDBRL a R$ 4,2271, com alta de 0,89%; o EURUSD a 1,1022, com alta de 0,14; e o ouro a U$ 1.463, com alta de 0,36%.

Fique ligado!  

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