2020: O risco vai compensar?

5 de novembro de 2019

Decisão sob outra ótica



Estamos presenciando as bolsas de valores atingir novos recordes todos os dias. Na verdade, quando digo as bolsas, deve ser entendido a americana e a brasileira, as de outros países ainda não ultrapassaram esse nível.

Nessas situações, o fator psicológico atua de forma importante. A sensação é que chegamos tarde e basta comprar para começar a cair, afinal, se o preço é o máximo, só poderá cair! Os investidores mais corajosos ultrapassam essa barreira e vão em frente. Aí surge outro sentimento que é a da ganância aonde o céu é o limite. Ambos não são saudáveis.

Como então proceder? A recomendação que posso dar é usar uma das duas técnicas mais conhecidas para avaliar ações: Fundamentalista e Técnica. Vocês que acompanham de longa data o Mosca conhecem minha preferência pela análise técnica, e esse momento atual, pode ser útil em termos didáticos, para entender suas diferenças.

Vou começar pela fundamentalista. Eu participo semanalmente do Comitê de Investimento da Rosenberg. Nesses encontros acontece uma seleção das informações mundiais publicadas na última semana, acrescida de comentários, além de discussões sobre mudanças macro, tema esse, bastante presente ultimamente. Ao final, passo minhas previsões sobre 7 mercados: Juros de 10 anos americanos, SP500, Ouro, Petróleo, Euro, Real e Ibovespa.

Vou me centrar no SP500 onde ocorre uma discórdia de opiniões entre a visão Fundamentalista e a Técnica. Recebi um dos gráficos que apontam para uma bolsa “cara”, que público abaixo. Não só esse, como imagino que o P/L esteja com níveis elevados, bem acima da média histórica.


Mesmo que você não entenda bem a comparação feita por esse analista, a simples observação leva a conclusão que a bolsa está cara.

Para uma pessoa que usa a análise técnica, essas informações tem um valor diminuído. A premissa é diferente, pois a Fundamentalista analisa dados macroeconômicos e microeconômicos, que normalmente não afetam os preços de forma direta. O que eu quero dizer é que, se é publicado um dado negativo, porém o mercado está apresentando um movimento de alta consistente, acontece uma queda temporária. E vice-versa, se a publicação é muito positiva, mas os investidores estão pessimistas, acontece somente uma alta temporária.

A Análise Técnica parte do mercado para tomar suas decisões, sendo assim, informações de volumes, posições compradas e vendidas, devem ser consideradas, porém, o maior fator de decisão são as técnicas adotadas, da qual, eu uso a de Eliot Wave.

Sendo assim, os fatores comportamentais têm impacto importante, onde a ganancia e o medo direcionam os investidores. Sem entrar em detalhes e de uma forma simplista, um mercado está para virar quando, uma quantidade maior de investidores se posiciona na compra (ou venda). Naturalmente, ninguém fica contando as ordens nem os detalhes do pregão, até pode ser feito, mas tem pouca utilidade, pois pode ser um movimento especifico de um dia.

A observação é feita nos preços, lá se busca capturar esses movimentos de forma mais consistente. Vocês já viram alguns termos que eu uso: mercado está “cansado”, false break, key reversal e por aí vai, são indicadores.

Voltando ao SP500, vocês devem lembrar que citei várias vezes que o mercado estava muito negativo com a bolsa, durante um bom tempo. Publiquei uma informação aqui, outra acola, sobre isso. Talvez a que resumiu esse “receio” dos investidores foi a saída de recursos da bolsa. Um artigo publicado pelo Wall Street Journal dá uma dimensão desses valores.

Os ativos dos fundos de curto prazo cresceram US $ 1 trilhão nos últimos três anos, atingindo o nível mais alto em cerca de uma década, segundo dados da Lipper. Uma variedade de fatores está alimentando os fluxos, desde taxas mais altas do mercado monetário até preocupações com a saúde da expansão econômica de 10 anos e um mercado de bolsa “envelhecido”.


No entanto, alguns analistas dizem que pilha de dinheiro mostra que os investidores não tiveram retornos excessivamente exuberantes apesar dos ganhos de dois dígitos do mercado este ano, tendo, portanto, muito dinheiro disponível para comprar quando prevalecem os preços mais baixos.

"Ter caixa sempre me faz sentir bem, ao tê-lo e vê-lo à margem", disse Michael Farr, presidente da empresa Farr, Miller & Washington, que está com o dobro do caixa como de costume. "Isso mantém as coisas um pouco mais seguras."

Os investidores disseram que as reservas crescentes de caixa refletem várias preocupações que se tornaram predominantes entre os gestores nos últimos meses, como as crises na guerra comercial com a China, e os dados irregulares dos EUA, que provocaram momentos de volatilidade nos mercados.

Muitos estão preocupados com o fato de os preços das ações terem subido para níveis insustentáveis ​​em relação aos ganhos das empresas, em um momento em que a economia dos EUA está desacelerando e os ganhos corporativos estão tendendo a diminuir. Uma métrica popular lançada pelo economista Robert Shiller, ganhador do Prêmio Nobel, mostra que as avaliações permanecem próximas das máximas de duas décadas, apesar de terem recuado de suas alturas no início de 2018.

Sandy Villere, gerente de portfólio do Villere Balanced Fund de US $ 2 bilhões, mantém 17% de seu portfólio em dinheiro, acima dos 10% comuns. Villere acredita que as avaliações se esticaram e prefere esperar por uma queda antes de entrar novamente.

É importante notar que, esse excesso de caixa corresponde a valores dos indivíduos, bem como de gestores de fundos. Se a bolsa continuar subindo, os mesmos serão pressionados a entrar ou aumentar as posições.

- David, você está insinuando que ao usar análise técnica não se perde dinheiro?
De jeito nenhum! O que se pode afirmar é que não se quebra, e se usar as técnicas de forma diligente, a probabilidade maior é de ganho.

No Brasil a situação é ainda mais marcante, no post procura-se-uma-porta-de-entrada, forneci uma fotografia da Industria de Fundos brasileira. Lá, enfatizei o enorme montante atrelado a renda fixa, e esse, indexado ao CDI. A migração está acontecendo, os jornais publicam matérias com frequência neste sentido.

A assunção de risco não é linear. Eu costumo dizer que o espectro de risco é como uma pirâmide, onde os investidores de um segmento sobem para o próximo, e normalmente não pulam de escala. Sendo assim, o equilíbrio é lento e deve demorar.

Dado que, durante décadas, era melhor investir no CDI, existem poucos ativos de risco disponível. Eu penso que é possível que aconteça uma bolha nos ativos brasileiros. Vamos acompanhar.

Antes de terminar esse assunto, o leitor pode se perguntar, qual a garantia que não se entre num movimento descabido de alta, uma bolha. É possível que isso aconteça, mas a teoria de Elliot Wave vai fornecendo paramentos, alertando que está perigoso. Mas sem dúvida a melhor garantia é o stoploss, ele te permite navegar quando o mercado entra em máximas históricas, ou numa explosão de preços.

No post quem-tira-mais, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “dois cenários diferentes, que podem acarretar reversões em níveis distintos. O primeiro se encontra muito próximo a 109.000/110.000, e o segundo por volta de 120.000 “ ... ... “o mercado vai no seu sentido, um “obstáculo” calculado surge a frente, segundo a análise técnica. De antemão, não se pode saber se nesse ponto haverá a reversão, e nem tampouco qual sua extensão” ...

Completando o tema de hoje, notem que o critério de alerta é sempre um nível calculado pela AT (vou usar esse acrônimo daqui em diante para me referir a análise técnica). Diferente da AF (análise fundamentalista) que usa outras métricas. Uma reversão pode ocorrer num mercado por muitos motivos e nem sempre por razões da AF. Por outro lado, na AT cada vez que o mercado se aproxima de um determinado nível, o analista tem que voltar suas atenções para verificar se vai ultrapassar ou não.

No caso do Ibovespa, venho enfatizando que o nível ao redor de 109/100 mil pontos é importante. No gráfico semanal a seguir, em se passando o nível atual, o índice aponta para 120 mil.

Segundo meu critério de análise, quando houver uma reversão deve ser extensa, é necessário cuidado. Por enquanto não existe indicação.

É importante frisar que, se o índice ultrapassar os 110 mil, não significa que necessariamente haverá uma reversão a 120 mil, nem que vai chegar lá, apenas que esse ponto é um bom candidato.

O SP500 fechou a 3.074, com queda de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,9929, com queda de 0,55%; o EURUSD a 1,1072, com queda de 0,49%; e o ouro a U$ 1.484, com queda de 1,63%.

Fique ligado!

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