2020: O risco vai compensar?

1 de novembro de 2019

Melhor não entender de contabilidade



Se a Europa está tentando se manter no jogo do crescimento através de empates, o EUA ganhando de 1 a 0 com golzinho no final da partida, e as goleadas da China parecem coisa do passado, de onde pode surgir o crescimento que o mundo tanto precisa?

Um relatório elaborado pela Gavekal aponta para os países emergentes ex-China. Suas razões podem ser resumidas em alguns itens:

Um cenário político global em mudança: Algumas semanas atrás, Donald Trump indicou que estava disposto a declarar "vitória" em sua guerra comercail com a China e seguir em frente. Pouco tempo depois, a União Europeia e o primeiro ministro britânico conseguiu concordar com um acordo do Brexit que fazia sentido para ambas as partes. Estes eventos removeram dois grandes riscos políticos do sistema global e, portanto, agora são negativos tanto para os bonds americanos quanto para o dólar. Alem disso, reduz os custos de financiamento e aumenta o apetite pelo risco. Um dólar americano fraco é geralmente boa notícia para mercados emergentes.

Uma grande mudança na política monetária: Até o mês passado, o Fed ainda sinalizava que manteria seu balanço estável. Os deslocamentos no mercado de recompra dos EUA, o fez abandonar esta resolução. Em vez disso, o Fed agora está expandindo seu balanço novamente. Essa mudança implica uma baixa do dólar americano, o que deve ser uma boa notícia para os mercados emergentes.

A China voltou a injetar liquidez e facilitar a política: Os dias de estímulos maciços já se foram há muito tempo. Mas a liderança está certificando-se de que o crescimento chinês não desmorone, e o ciclo do mercado emergente é tipicamente um grande beneficiário do estímulo chinês.

A combinação de um dólar americano no pico e um estímulo chinês, normalmente é suficiente para defender um caso para os mercados emergentes. Mas parece que algo mais está acontecendo. Em quase qualquer lugar que você olha os mercados emergentes, você encontra reformas fiscais significativas (Brasil, Índia), mudanças regulatórias importantes (Brasil, Índia, Indonésia) ou interesse significativo em reduções de taxas de juros (Índia, Brasil, Indonésia, Rússia etc.). Em resumo: estímulo no lado fiscal, estímulo no lado regulatório e estímulo na frente da política monetária.

É certo que o impacto do estímulo fiscal pode ser limitado em países como como Índia ou Indonésia, onde poucas pessoas realmente pagam impostos. No entanto, o outro lado da moeda é que taxas de juros mais baixas terão muito mais impacto estimulativo do que nas economias desenvolvidas. Corte de juros de -40bp a -50bp pouco fazem, exceto tornam a vida impossível para os bancos, companhias de seguros e fundos de pensão, dos países desenvolvidos. Mas reduzir as taxas de 7% para 5% promove consumo, gastos de capital e aumento da assunção de riscos.

Considerando tudo isso, por que os investidores ainda não se entusiasmaram com as perspectivas de crescimento em mercados emergentes? Uma explicação possível é que, na última década, os investidores se acostumaram a olhar para esses mercados através do prisma da China. Dado o tamanho da economia chinesa e o impacto do ciclo econômico chinês em outros mercados emergentes, esse viés faz sentido. Nos últimos anos, a China e os mercados emergentes de fato tendiam a se mover como um único. Como resultado, dadas as perspectivas modestas para crescimento chinês, a maioria dos investidores parece ter chegado à conclusão de que as expectativas para outros mercados emergentes não são tão convincentes.

Esta conclusão pode revelar-se apressada e simplista. Em um mundo em que o dólar não está mais subindo (seja por causa da guerra comercial, um Fed mais atenuado ou riscos reduzidos do Brexit), os mercados emergentes ganham muito do foco político. Hoje, a maioria deles está usando esta janela de oportunidade para adotar políticas estimulantes.

Em 2003, poucos investidores acreditavam que a China contribuiria metade de todo o crescimento global do PIB nos próximos 10 anos. No entanto, ao longo da década passada, aproximadamente metade do crescimento global foi de fato produzido pela China, um quarto por outros mercados emergentes e um quarto pelas economias avançadas.

Dadas as opções políticas atualmente em desenvolvimento nessas três zonas, seria tão difícil imaginar que, na próxima década, metade do crescimento global poderia vir de mercados emergentes ex-China, um quarto (ou menos) da China e um quarto das economias desenvolvidas?

Dado o cenário macro, isso poderia facilmente provar o caminho de menor resistência: na próxima década, com o crescimento combinado do Brasil, Índia, Indonésia, Rússia, Vietnã e outros que superam o crescimento na China e provavelmente nas economias desenvolvidas também. Felizmente para os investidores, isso é cada vez mais provável e esse cenário está longe de ser precificado pelas moedas, mercados de títulos, mercados de commodities, ou mesmo por mercados emergentes locais de ações.

Esse é um relatório bastante otimista para os mercados emergentes. Não fosse a sua origem, poderia ser encarado como torcida. A fundamentação é convincente, a condição para essa região é bastante favorável. Não tenho como avaliar os países asiáticos, mas um dos países citados é o Brasil. Para nós que aqui vivemos, já se pode notar importantes mudanças, embora ainda não tenha se traduzido em crescimento mais robusto do PIB. Porém, consertar 20 anos de desgovernança do PT, políticos acostumados a agir de forma desonesta, não é em 12 meses que se resolve.

Como o estudo aponta, o nosso crescimento será diferente de como era no passado, que era centrado na Indústria e exportações, agora o que se vislumbra é o crescimento via consumo, onde o crédito vai fazer toda a diferença.

Jair Bolsonaro não tem ideia do valor de sua equipe econômica, não fosse o Ministro “Posto Ipiranga” estaríamos agora, além de toda a bagunça criada pela sua família, a economia estaria sem perspectivas, um caminho semelhante ao da Argentina na gestão Macri. Essa situação me faz lembrar um momento onde eu trabalhava no BFB e meu chefe saiu de férias. Na sua ausência, montei uma posição gigante em LTN, no início do plano Collor. Apostei que a inflação ficaria muito baixa e os juros SELIC da época iriam cair. A diretoria nem percebeu minha posição e nem o lucro que ocorreu. Bastou meu chefe voltar para ele me chamar em sua sala e perguntar “ estes dados contábeis estão certos? ” Respondi afirmativamente. “Que porrada! ” Bons tempos ...

Sonhar faz parte da vida, e caso essa análise estiver correta, os países emergentes vão passar para primeira divisão, em bloco. Só espero que o Brasil esteja nesse grupo, e tem tudo para estar, basta o Presidente se preocupar com outros problemas e deixar Paulo Guedes continuar seu trabalho. Espero que não sobre tempo para o Bolsonaro olhar a “contabilidade! “. Hahaha ...

No post sempre-alerta, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “Notem que estabeleci dois patamares com definições muito diferentes:

Barreira para a baixa – Para que a correção do movimento de baixa, que ocorre desde o final de 2018, termine é necessário que esse nível de 1,95%/2% não seja ultrapassado (esse é um pequeno ajuste das afirmações anteriores onde mencionei o patamar de 1,9%).

Em outras palavras, se o juro ainda tem chão para cair, ao atingir o patamar acima, o movimento de queda deve ganhar tração.

Porta para a alta – Por outro lado, se essa região acima não conter os juros e o nível de 2,3% for rompido, podemos abandonar por um tempo a ideia que o nível de 1,45% seria visitado novamente” ...

Nesta semana o juro chegou a atingir a máxima de 1,80% para em seguida reverteu, situando-se agora em 1,70%. A atualização do gráfico a seguir deixa nosso cenário exposto acima ainda incerto, pois do mesmo jeito que pode sugerir a formação de um triângulo, que levaria o juro a novas mínimas, inversamente poderia estar se preparando para novas altas.

- David, deixa ver se eu entendi, pode acontecer qualquer coisa? Come on!
Olhando pelo seu prisma a resposta nesse momento é sim. Mas para não ficar sem rumo, vou estreitar os níveis onde poderíamos ter uma pista melhor, basta que o mercado saia de onde está.

No cenário de baixa, o primeiro rompimento a 1,6% levanta um alerta cuja confirmação viria abaixo de 1,5%/ 1,45%. Por outro lado, passar 1,8%, levanta suspeitas que uma alta pode estar se formando, com confirmação acima de 1,85%/1,90%. Não é à toa que o juro se encontra hoje a 1,7%, exatamente no meio desses intervalos.

Qualquer tentativa de se posicionar agora é temerosa. Se vocês se recordam, eu comentei que 70% do tempo o mercado permanece em correção e somente 30% em movimento direcional. A disciplina é não buscar operar nessas situações e colocar um viés opinativo sobre os gráficos. O objetivo não é estar certo o compromisso é com o bolso!


O SP500 fechou 3.066, com alta de 0,97%; o USDBRL a R$ 3,9944, com queda de 0,53%; o EURUSD a 1,1161, com alta 0,11%; o ouro a U$ 1,512, sem variação.

Fique ligado!

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