2020: O risco vai compensar?

2 de dezembro de 2019

O elefante na sala



Publiquei no ano passado um post a-opinião-de-quem-importa, com algumas ideias de Ray Dalio, o gestor de fundos que para ser seu cliente é necessário um deposito de 50 “paus” – notem que a unidade do “pau” neste caso é U$ 50 milhões. Naquela publicação, Dalio já expressava sua preocupação com o mundo, pois na sua visão, a situação se parecia com a que ocorreu em 1930.

Uma entrevista recente ao canal da Yahoo, coloca algumas de suas preocupações, dos quais selecionei alguns trechos.

“ Hoje existem três coisas que não existem desde a década de 1930: uma lacuna de riqueza que impulsiona o populismo à esquerda e à direita, a ausência de uma política monetária eficaz e uma potência mundial emergente (China) desafiando uma potência mundial existente (os EUA) ”

“ Estamos perto do fim, nos estágios finais, do nosso sistema de moeda de reserva - é um sistema monetário fiduciário. Não apenas temos taxas negativas, mas também temos déficits muito maiores ... e isso não é metade da história. Porque a história maior são os passivos não financiados ... esses são passivos dos fundos pensão e passivos de dívida ".

"O sistema não funciona, ficou louco, então a razão pela qual o sistema está quebrado é porque não é um sistema de oportunidades iguais. Há reclamações justificáveis sobre educação ... ele precisa ser reformado de uma maneira que funcione melhor - nós podemos aumentar o tamanho da torta da mesma maneira que você pode dividi-la melhor. "

Dalio disse que grande parte da fonte de desigualdade está no sistema público de educação. Precisamos reprojetar a educação pública de uma maneira que promova um desempenho econômico mais amplo, e que possa envolver a permissão de que os acadêmicos e os políticos que estão na vanguarda tomem as rédeas.

Mas as apostas são tão altas que, independentemente do custo da reforma, os EUA provavelmente vão querer pagar, porque, se não o fizermos, em breve "vamos nos matar".
"Se você não consertar, vai ter uma revolução ... e vai expulsar todos os capitalistas."

Queria lembrar os leitores que, a aposta de compra de opções de venda, num volume de prêmio de U$ 1,0 bilhão –comentada pelo Mosca no site aposta-atômica, foi feita pelos fundos da Bridgewater, gestora de fundos comanda por Ray Dalio.

A vida de gestores de hedge fund não é fácil, pois eles se comprometem a gerar retornos em qualquer cenário, de alta ou de baixa, dos mais diversos ativos. A aposta em que Dalio se engajou é de timing imprevisível, e também, de assertividade indefinida. No caso em questão, com a compra das opções de venda, seu prejuízo em dinheiro é limitado, mas de imagem muito grande, pois prever uma derrocada, ele tem contra, a grande maioria que torce para que não aconteça.

Se fosse um economista, tudo bem, daqui um tempo, ou seria um gênio ou esquecido, mas para quem “coloca na reta” é diferente, pois é inquestionável sua carreira de sucesso. Vale ficar atento.

Os economistas também não estão muito animados, uma pesquisa realizada pelo Wall Street Journal, perguntou quando eles achavam que haverá uma recessão. A maior parte das respostas se encontram entre 2020 e 2021.


Em termo de taxa de juros, o mercado precifica quedas no próximo ano, que não estão de acordo com as projeções do Fed, mas tem mais, alguns economistas preveem queda de 100 pontos no próximo ano, que não terminam aí, continuam até praticamente 0% em 2021. 


No post a-realidade-confronta-as-expectativas fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “Na última semana o dólar está buscando romper definitivamente a barreira dos R$ 4,20, sendo que, existe ainda a possibilidade (baixa) de que isso não aconteça. O gráfico a seguir de janela mensal aponta uma confluência no nível de R$ 4,45, o que faz desse nível o maior candidato de objetivo” ...

Na semana passada, o banco central entrou de forma mais incisiva no mercado cambial, vendendo dólares quando ocorria algum stress. Isso acalmou o mercado no curto prazo, sem que ficasse claro nos preços, qual será o próximo movimento – continuidade da alta, ou uma correção mais extensa. No dia seguinte decidi fechar a posição comprada em dólares e aguardar maiores definições.

Muito se tem falado sobre os motivos que levaram a essa alta do dólar, mas na opinião do Mosca, o maior fator é por conta da fraqueza das moedas de países da América Latina. O gráfico a seguir mostra o índice dessas moedas apurado pela Bloomberg. Entretanto, a queda não é igual para todos os países da América, pois no lado direto desse gráfico se nota que o peso mexicano não teve um comportamento semelhante.

Estou em dúvida do que deverá acontecer no curto prazo. Vou buscar explicar a seguir, quais serão as indicações que dariam curso ao cenário. Minha dúvida se resume a responder se a alta que ultrapassou o nível de R$ 4,21 foi ou não um “false break”. Para essa análise vou usar a janela de 240 minutos (tem se mostrado muito útil na análise de moedas).

Enquanto o dólar estiver contido no intervalo entre R$ 4,27 e R$ 4,16, observado de hoje, o futuro do dólar é incerto. Se as cotações permanecerem neste intervalo nos próximos dias, é possível que surja uma luz, em função do shape deste movimento.

Caso haja um rompimento acima de R$ 4,27, a opção “false break” é eliminada, prevalecendo os níveis apontados acima como objetivo. Abaixo de R$ 4,16 e principalmente R$ 4,12, a alta não passou de um false break.

Essa é a situação hoje que não permite nenhum diagnostico para as próximas semanas. O Mosca permanece aberto para qualquer uma delas, basta o mercado nos indicar o que quer fazer.

Hoje na reunião da Rosenberg, me foi perguntado se a entrada de um elefante – leia-se banco central, não me levaria a reavaliar minhas premissas. Minha resposta é que elefantes acontecessem nos mercados, não só eles, tem também os trogloditas (Trump?). O que realmente me interessa são os preços do mercado.

Respondi da seguinte forma:  o elefante que realmente importa são os preços, se caem de forma consistente, na entrada desses elementos estranhos, vou considerar na reavaliação do cenário, e sempre protegido pelo stoploss; agora, se o elefante faz barulho, mas não altera os preços, o mercado seguira seu curso.

O SP500 fechou a 3.114, com queda de 0,85%; o USDBRL a R$ 4,2162, com queda de 0,47%; o EURUSD a 1,1082, com alta de 0,61%; e o ouro a U$ 1.462, sem variação.

Fique ligado!

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