2020: O risco vai compensar?

3 de dezembro de 2019

Bom para os dois



Hoje foi publicado no Wall Street Journal uma matéria indicando que o preço do petróleo está num nível bom para os produtores e para os consumidores. Essa afirmação me faz lembrar uma frase que se comentava anos atrás, que uma operação com o Banco Safra era boa para os dois. Acontece que os dois não era o cliente e o banco, mais sim os dois irmãos sócios do banco.

O petróleo em geral ficou entre US $ 50 e US $ 60 por barril nos últimos seis meses e está no ritmo de seu melhor ano desde 2016, após uma forte queda no final de 2018.

Por ser fundamental para as indústrias de transporte, e o transporte em geral, o petróleo é usado por alguns investidores para avaliar a dinâmica da economia. Os preços enviaram um sinal alarmante quando caíram no início do ano, pela preocupação de que a demanda em queda resultasse em excesso. Mas o progresso recente em direção a um acordo comercial inicial entre EUA e China e a estabilização de dados econômicos em todo o mundo alimentaram apostas em um cenário melhor para o consumo.

A estabilidade é um benefício para os grandes produtores de energia em todo o mundo, muitos dos quais reduziram a produção para aumentar os preços. A companhia estatal de petróleo da Arábia Saudita, conhecida como Aramco, deverá abrir seu capital nos próximos dias e buscar uma avaliação de US $ 1,6 trilhão a US $ 1,7 trilhão, o que poderia torná-la a maior oferta pública inicial de todos os tempos. A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo e espera-se que se junte a outros grandes produtores da OPEP para estender cortes de produção quando o grupo se reunir no final desta semana em Viena.

Embora o petróleo ainda esteja bem abaixo das máximas de abril, alguns analistas dizem que, os preços são altos o suficiente para sustentar os lucros de algumas empresas de energia, sem aumentar drasticamente os custos de gasolina para os consumidores e prejudicar o crescimento econômico. Juntamente com ganhos em ações, rendimentos do Tesouro e metais industriais como o cobre, que são cruciais para a fabricação, os movimentos do preço do petróleo também mostram como os investidores ficaram otimistas depois de temer uma recessão há apenas quatro meses.

Mas por que esse artigo chamou a atenção do Mosca? Embora eu não publique com constância, eu acompanho de forma técnica com frequência. Numa janela mensal, o óleo não parece muito promissor no longo prazo. Desde o pico atingido um pouco antes da grande recessão de 2008, quando os preços chegaram próximo de U$ 150, um movimento de queda se iniciou, e essa queda se encontra dentro de um grande triângulo descendente que indica uma maior chance de rompimento para baixo.

Essa ideia estaria em linha com as projeções de Tony Seba, comentado no post futuro-da-mobilidade... “diminuição da demanda de petróleo em 30% levando o preço do petróleo para U$ 20/U$ 25” ... Mas essa é uma projeção de longo prazo onde tanto os economistas como o Wall Street Journal terão inúmeros argumentos para mudar de opinião.

Num prazo mais curto, e ironicamente, o petróleo se encontra também dentro de um triângulo menor, também descendente. Mas aqui a análise permite visões distintas como aponto a seguir.

Embora ambas as alternativas levam o óleo ao patamar de U$ 45 (a ser melhor calculado mais a frente), na alternativa amarela, haveria uma alta inicial levando o petróleo a U$ 65, para em seguida chegar ao nível apontado acima, enquanto que, na alternativa azul, esse nível seria atingido mais cedo.

Ainda que não sugiro nada no momento em termos de trade, o que eu antevejo é que o preço atual, que é bom para os consumidores e produtores, em alguns meses, será melhor para os consumidores.

No post perspectiva-histórica-dos-juros, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “ Na região em amarelo, compreendida entre 106.000/104.500, podemos considerar normal; abaixo, e até 103.500 (vermelho), o nível de retração pode se considerar estendida; e no máximo (verde), a contenção deveria se reter pela reta cinza, ao redor de 102.000” ...

Parece que desde o início de novembro a bolsa brasileira entrou num processo corretivo de curto prazo. Se os eleitores do Mosca acham que eu quis “secar” a alta, ao prever que seria difícil ultrapassar a marca dos 110 mil numa boa, não é verdade, afinal estamos com posição! Apenas, quis enfatizar que os dados técnicos indicavam esse cenário. Uma visão de mais curto prazo, aponta para uma correção que se forma desde então.

Conforme indiquei acima, no intervalo contido entre 105.000 e 109.500, a bolsa pode estar negociando (corrigindo) para iniciar um novo movimento de alta, é nesse cenário que estamos acreditando em nossa posição. Abaixo do mesmo, será necessária uma análise mais detalhada.

Hoje as bolsas no exterior estão sofrendo quedas propiciadas por ELE. Se você tem dúvidas quem seja ele, basta olhar nos últimos tempos e associar quem é que causou mais conturbações nos mercados mundiais. Donald Trump! Com suas recentes declarações de imposição de taxas ao aço brasileiro e argentino, e hoje pela manhã, a França em produtos de luxo. Em relação a China, disse que o acordo poderá acontecer depois das eleições de 2020. Será que ele é tão egocêntrico que não tem dúvidas que será reeleito?

No caso do Brasil e da Argentina, o motivo que ele usou para esse aumento, seria que, os dois países usaram o câmbio para desvalorizar suas moedas, e terem vantagens em produtos exportados aos EUA.

Ou ele realmente é ignorante em termos de política cambial, ou não tinha outro argumento melhor. Se for pelo primeiro motivo, tenho certeza que tanto o banco central brasileiro, e principalmente o argentino, adoraria ver o Fed vender dólares para comprar reais e pesos argentinos. Seria muito bem-vindo!

O SP500 fechou a 3.093, com queda de 0,66%; o USDBRL a R$ 4,2063, com queda de 0,40%; o EURUSD a 1,1081, sem variação; e o ouro a U$ 1.477, com alta de 1,05%.

Fique ligado!

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