2020: O risco vai compensar?

12 de dezembro de 2019

Meio gráfico basta


O Mosca entra de “férias” no final do ano. Neste ano a publicação regular vai parar no dia 19/12, voltando no dia 13/01 do próximo ano. Como de costume, algumas publicações serão feitas neste meio tempo, sendo assim, sugiro que consultem seu meio de acesso nesse período.

Estou preparando a inclusão de uma nova forma de comunicar com meus leitores, vou implementar um canal no Youtube. Já faz algum tempo que pretendia usar esse meio, porém pelo desconhecimento achava ser complicado. Depois da insistência de algumas pessoas e com a ajuda do meu filho, estamos próximos de colocar em prática.

Quando do lançamento pretendo fazer um vídeo introdutório que explicara o seu conteúdo, de forma sucinta. A periodicidade das publicações não decidi ainda. Os vídeos serão de 2 a 3 minutos de um ativo especifico, dentro dos mercados que costumo cobrir. Você terá acesso através do Facebook, Linkedin, Twitter, mas a forma mais direta seria me seguir no Youtube, pois receberia uma notificação sempre que eu incluir um novo vídeo. Assim que tudo estiver pronto para o lançamento, eu aviso.

Durante os próximos 5 dias vou fazer a análise técnica dos mercados que cubro com uma visão de mais longo prazo. Vocês já devem saber que não gosto muito de usar o calendário gregoriano, mas como todo mundo usa e acredita que a vidrada do ano é “milagrosa” quem sou eu para questionar! Hoje será vez do SP500.

Mas antes disso gostaria de complementar com alguns pontos sobre o FOMC. O último Comitê de 2019 também foi o menos interessante. Os chefes de política monetária do Fed concordam amplamente entre si, também concordam com o destino da política monetária, e os mercados concordam com eles. Muitos acham que o “gráfico de pontos” que mostra as previsões da taxa de juros de cada membro do FOMC sobreviveu à sua utilidade. Mas mostra pelo menos uma unidade espetacular.

Olhando mais adiante, a grande maioria dos membros não espera mudanças nas taxas, no próximo ano. Existem apenas quatro dissidentes, e eles esperam somente uma alta. O mercado ainda discorda disso, com os futuros sinalizando um corte na taxa no próximo ano, mas não mais. Esse corte é improvável até julho. Então, todo mundo está acreditando num período de calma.


Enquanto isso, Jerome Powell também enfatizou o atual cenário mais brando do Fed em sua conferência de imprensa, destacando os riscos para o lado negativo e não para o lado positivo. Dessa vez, ele evitou escorregões ou surpresas.

Embora esse tom de Powell possa ter outros objetivos – acalmar Trump que estava torcendo por um corte? Não existe nenhum membro que expressou essa possibilidade no “gráfico de pontos” – os dots, nem ele próprio. O que o Mosca enxerga é que, em situação normal de temperatura e pressão, as taxas estão baixas e deveriam subir, mesmo considerando um crescimento estimado de 2% a.a. Para bom entendedor, meio gráfico basta.

- David, por que você fez essa graça de meio gráfico?
Basta olhar do nível de hoje para cima! Hahaha ...

Em relação ao Copom, também a leitura do Mosca difere do mercado, na minha avaliação, o BCB fechou o ciclo de baixa de juros. Só se acontecer algo inesperado, haveria mais cortes. Também, mesmo que eu esteja errado, que diferença vai fazer 4,5% para 4,25%! A conferir.

O Mosca está sugerindo localmente que, os investidores modifiquem sua carteira para buscar melhores rendimentos. Na semana passada abordei esse assunto no post __ “ Escadas do risco”___. Parece que o Estadão de hoje leu o Mosca e deu destaque em sua primeira página “ Juro no menor nível leva à busca por novas aplicações”, A ilustração abaixo já diz tudo!


Nas próximas publicações de longo prazo que início hoje, vocês notarão que o cenário contemplará possibilidade opostas, uma de alta e outra de baixa. Até aí não difere do passado, acontece que agora elas, na maioria dos casos, têm probabilidades semelhantes, o que fará 2020 um ano de muita cautela, razão do tema do próximo ano: O risco vai compensar?

O dia para comentar sobre o SP500 não poderia ser melhor, pois rompeu a máxima novamente, com gusto. No final de 2018, no post a-ilusão-das-previsões, fiz os seguintes comentários: ... “Meu cenário mais provável seria uma queda que está em curso até o nível de 2.500, para em seguida voltar a subir onde atingiria 3.150 (↑ 26%), ou preferencialmente 3.550 (↑ 42%)” ...

Não acertei na Mosca, afinal sempre são necessários ajustes do nível durante o processo, mais ficou bem próximo.

Minha visão de longo prazo ainda é de alta, porém 2020 pode ter uma armadilha postergando esse objetivo mais para frente. Vou denominar esses cenários como: Triangulo maldito e Bola para frente.

Bola para frente: Esse cenário deveria levar o SP500 a 3.700 (17%), que se ultrapassado projetaria 4.500 ( 42%), resultados nada desprezíveis considerando o nível atual de taxas de juros. Como sempre, não consigo ter uma ideia precisa do timing, mas seguramente o segundo nível ultrapassaria 2020.

Triangulo maldito: Neste cenário, haveria uma pausa do SP500 ao atingir 3.250, objetivo do trade que se iniciou hoje, cujo stoploss será fixado em 3. 120. Como se pode verificar no gráfico abaixo, um movimento que deveria ultrapassar o ano de 2020, se iniciaria nesse nível – 3.250, e teria um objetivo de queda inicial ao redor de 2.600 ( 20%). Marquei no gráfico a contagem desse triangulo, para quem conhece Elliot Wave. Neste caso, em 2020 estaria completando a onda C, faltando a D e F, que deveria ocorrer em 2021 ou talvez 2022.

- David, a situação é perigosa, como você pretende fazer?
Realmente é necessário muito cuidado, e vamos agir como sempre, ouvindo o que o mercado tem a nos dizer – Let’s the market speak. Antes que você me pergunte, a probabilidade entre ambos é dividida, tenho uma pequena preferência por uma delas, mas prefiro não revelar para que vocês não se influenciem, deixo a sua imaginação. Minha atuação daqui em diante, bem como o “tom” que usarei, deixarão pistas.

Fico imaginado o que os analistas que tinham uma visão pessimista, e até catastrófica, estão pensando, pois nenhuma de suas premissas foram eliminadas. Sendo assim, acredito que na melhor das hipóteses estão sem posição, e os mais agressivos devem estar vendidos. Minha ênfase neste sentido é para que vocês possam perceber a força da análise técnica, pois pelo menos o Mosca tinha uma visão construtiva para o mercado desde 2018.

Mas isso não deve servir para encher o ego, maior destruidor de lucros, junto com a onda B, mas sim, reforçar a força desta ferramenta.

O SP500 fechou a 3.168, com alta de 0,86%; o USDBRL a R$ 4,0905, com queda de 0,81%; o EURUSD a 1,1128, sem alteração; e o ouro a U$ 1.469, com queda de 0,13%.

Fique ligado!

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