A Coragem e Sabedoria de dizer não #USDBRL

 


No fim de março de 2025, o Banco Regional de Brasília (BRB), estatal do Distrito Federal, anunciou a compra parcial do Banco Master por R$ 2 bilhões, operação que ainda depende do aval do Banco Central (BC). O que chama atenção é o contraste: o BRB, com imagem de solidez, casa-se com o Master, conhecido por CDBs de alto risco que poderiam consumir 42% do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de quebra. É um matrimônio que levanta sobrancelhas — e suspeitas. Seria uma jogada técnica, como defende o BRB, ou há interesses ocultos por trás dessa união improvável?

Eu já vi esse tipo de "noivo" antes. Em 1987, Edmar Cid Ferreira, então dono do Banco Santos, me convidou para uma conversa em sua mansão no Morumbi, cercado por obras de arte impressionantes. Ele queria que eu fosse diretor de um banco que estava montando. "Tenho acesso a todos os fundos de pensão e não teremos problema de funding, eu mando em quase todos eles", disse, com uma segurança que me deixou desconfortável. Eu, um executivo padrão da época — um "Faria Lima de hoje" —, consultei meu amigo e ex-sócio, Emir Capez, que alertou: "Esse cara é picareta, cai fora." Desisti. Dias depois, Edmar ofereceu metade do banco, US$ 5 milhões na época (hoje, uns US$ 15 milhões ajustados). Hesitei por um segundo, mas respondi com um "Je vais réfléchir" e saí. O Banco Santos quebrou em 2005, e Edmar caiu. Escapei de uma fria.

Agora, vejo paralelos no Banco Master. Sob Daniel Vorcaro, o Master é uma "aventureira" do mercado: charmosa, mas arriscada. Vorcaro ostenta um estilo de vida que poucos banqueiros exibem: uma mansão de US$ 37 milhões em Orlando, outra de R$ 280 milhões em Trancoso, um jato de R$ 80 milhões e uma festa de debutante de R$ 15 milhões para a filha, com DJ Alok e estrada asfaltada para calar os vizinhos, segundo o Estadão de 31 de março de 2025. Esse luxo é financiado por uma máquina de captação agressiva: até junho de 2024, o Master tinha R$ 45,6 bilhões em depósitos a prazo, muitos em CDBs com taxas de até 140% do CDI — um risco que o BC parece ter ignorado por tempo demais.

O BRB, por outro lado, é o "cavalheiro de fachada". Em entrevista ao Estadão em 29 de março, Paulo Henrique Costa, presidente do banco, chamou a compra de "técnica", destacando sinergias como o crédito consignado e o câmbio do Master. Metade dos CDBs será absorvida, rolada a taxas de mercado, enquanto R$ 23 bilhões em ativos — como precatórios e os bancos Voiter e Will — ficam fora. "Estamos comprando um Master diferente", disse ele. Mas a narrativa esbarra em um detalhe incômodo: Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula, integra o conselho de administração do BRB desde maio de 2023, nomeado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Mantega, figura central no governo petista e ligado a políticas intervencionistas, traz um cheiro de influência política. Sua presença sugere que o Palácio do Buriti — e talvez Brasília além dele — sabe e apoia a operação. Se o governo está a par, o BC, subordinado ao Executivo, dificilmente dirá não, apesar dos 360 dias de análise.

Essa junção é um enigma. O BRB é um banco sem sofisticação, focado em varejo e imobiliário no Distrito Federal, sem expertise em mercados complexos como câmbio ou capitais, áreas onde o Master atua. Já o Master se meteu em transações alavancadas e arriscadas, como os CDBs que exploram o FGC — um fundo coletivo que bancos menores usam como propaganda, oferecendo retornos altos com a promessa de segurança. O BC reagiu a isso em 2021, exigindo contribuições extras, mas como deixou o Master crescer tanto sem freios? A dúvida ecoa: se o risco era tão óbvio, por que o regulador demorou a agir? Tudo parece obscuro demais, e onde há sombras, há interesses que não vêm à luz.

Minha segunda experiência com Edmar reforça essa desconfiança. Após deixar o Deutsche Bank, um headhunter me ofereceu um cargo de diretor de fundos, sem revelar o banco. Era Edmar outra vez. Ele lembrou de mim e apresentou um plano que julguei inviável em cinco minutos. "Edmar, isso não vai dar lucro", avisei. Ele viu que eu era "careta" para seus esquemas e me dispensou. Escapei de novo. Hoje, olho para o Master e o BRB e me pergunto: quem está sendo ingênuo aqui? O mercado financeiro murmura que o BRB pode estar socorrendo o Master, mas Costa nega: "Quando comunicarmos o escopo, ficará claro que esse banco é competitivo." Será?

A metáfora do casamento é perfeita. O Master, sedutor e perigoso, é a "aventureira" que já rodou o mercado e agora busca um parceiro estável. O BRB, com seu terno estatal e a sombra de Mantega, é o "cavalheiro" que projeta seriedade, mas esconde um oportunismo — ou algo pior. No altar, o contrato de R$ 2 bilhões substitui flores, enquanto Vorcaro, saindo da presidência para o conselho, entrega a noiva sem soltar as rédeas. O BC, como juiz, parece inclinado a abençoar, dado o aval implícito do governo. Mas o vestido da noiva está puído, e o noivo carrega um baralho no bolso.

Escrevo isso como quem recusou duas vezes um convite tentador, mas arriscado. O mercado financeiro é um baile de máscaras, e nem todo par é confiável. Essa união pode ser uma jogada brilhante ou um fiasco monumental. Quando o véu cair — se cair —, saberemos se foi amor à primeira vista ou um acordo de conveniência com segundas intenções.

 

Análise Técnica

No post “high-yield-vale-pena” fiz os seguintes comentários sobre o dólar: “Existe a formação de 5 ondas da mínima R$ 5.6316 – não visível no gráfico abaixo. Vamos sugerir uma compra na retração entre R$ 5.7015 / R$ 5.6850. Acompanhem o Mosca”




Embora a retração tenha atingido o limite estabelecido acima, achei por bem esperar mais um pouco. A razão é que a correção foi muito curta em termos de tempo. Em uma janela de 1 hora, pode ser que o dólar esteja completando uma correção denominada “flat”. Se for esse o caso, a oportunidade de compra deve surgir a R$ 5,69. Fiquem atentos ao Mosca.




O S&P500 fechou a 5.611, com alta de 0,55%; o USDBRL a R$ 5,7079, com queda de 0,94%; o EURUSD a € 1,0815, com queda de 0,10%; e o ouro (*) a U$ 3.123, com alta de 1,28%.

(*) Segundo minha contagem, o ouro está se aproximando do nível U$ 3.150 onde pode ocorrer uma reversão – as vezes a extensão pode ser mais ampla. Vamos caminhar com o dedo no gatilho e atualizar o stop loss para-U$ 3.076.

Fique ligado!

Comentários

  1. O banco master gestou um problema durante o governo de direita, com CVM e BCB, que até o final do ano era gerido pelo RCN, fazendo vista grossa regulatória. Inclusive nesse periodo teve a mutretagem da PEC dos Precatórios, gestada pelo Sr Paulo Guedes. O BRB é controlado pelo Bolsonarista Ibaneis Rocha. No final a sua conclusão é que a culpa é do Lula e do Mantega. Isso é piada? Coitado do Galipolo que agora tem que resolver a bomba.

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  2. Não disse que a culpa é do Lula, os seus argumentos são válidos, o BC deveria ter agido antes. No meu entendimento, caso a análise atual merecesse uma intervenção assim deveria ter sido feita e não promover esse casamento sem pé nem cabeça. O que fica sem explicação são os motivos que induziram o governo nesse caminho, e, se a historia é um indicador, justifica minha desconfiança.

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  3. Pensei q pelo menos aqui não aparecia lixo esquerdo4 patas falando asneira como sempre.
    Os precatórios vieram da época de governos esquerdalhas, como da DilmAnta q quase quebrou o país e saiu a pontapes, e claro q em época de pandemia não poderiam ser pagos e fazer o povo passar fome..

    Aliás só pra lembrar os comedores de mortadela, sem cérebro, o governo Paulo guedes, escolhido melhor ministro de economia do mundo TRIPLICOU O BOLSA FAMILIA e encheu a barriga deste povo esfolado e roubado pela esquerdalhas podre

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  4. Não entendi nada o que quiz dizer, pode ser mais claro!

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