2020: O risco vai compensar?

24 de dezembro de 2012

Negando a realidade


Eu faço terapia há muitos anos e uma das lições que aprendi nestas inúmeras sessões é que o nosso inconsciente tem inúmeras artimanhas para ocultar a realidade do consciente, o objetivo principal é evitar o sofrimento, a carne é fraca!

Para quem acompanha o mosca sabe de minhas ressalvas e críticas as ações de nosso governo, em vários posts externei meu ponto de vista. Neste último final de semana fui novamente surpreendido com declarações do Ministro Guido Mantega, sobre os motivos para o desempenho tão baixo, ou melhor, medíocre de nosso PIB, o próprio jornalista deu um tom sarcástico à seus argumentos.

Ao mesmo tempo foi muito esclarecedor se observado de outro ângulo. Numa visão mais “terapêutica”,  percebi que o Ministro está negando a realidade. Este fato é mais preocupante que uma negação temporária da realidade, afinal todos nós precisamos deste tempo. Agora quando uma situação adversa, que necessita de uma ação, é encarada como “normal” aí o problema é bem maior. A Presidenta tinha preparado o terreno para “fritar” seu Ministro, mas a revista The Economist, que quis noticiar em primeira mão, lhe propiciou uma sobre vida.

O Estadão publicou neste domingo um artigo excelente do Professor Pastore: Juros baixos, câmbio depreciado e crescimento medíocre, no link Celso Pastore vocês poderão ler integralmente, veja abaixo alguns trechos.

...Desde o seu início o governo Rousseff pretendia levar a taxa de investimento para 22% do PIB, e crescer perto de 5% a.a. Havia muita vontade, mas nenhum plano...

...Havia a crença de que bastaria estimular o consumo e forçar a queda da taxa real de juros para chegar ao objetivo desejado...

...A taxa de investimentos que era de 20% do PIB caiu para 18,5%, com o fator da produtividade diminuindo...

...Não foi a crise mundial que levou a esse desempenho... A taxa de crescimento do Chile foi de 5,1%; de 5,3% na Colômbia; de 3,8% no México e de 6,2% no Peru, com taxas de investimento de 22,5% no Chile até 25% no México...

...O primeiro erro do governo foi achar que bastaria estimular o crescimento do consumo... com pleno emprego no mercado de trabalho e com a margem de capacidade ociosa na Indústria praticamente eliminada, colhe-se apenas mais inflação...

...O que o Brasil precisa no momento não é de estímulos à demanda, e sim de programas de Investimentos...

Não precisa ser nenhum PHD para entender o que a economia Brasileira precisa neste momento, um bom economista faria um diagnóstico semelhante ao do Professor Pastore, mas como o Ministro acredita que está certo o que vamos colher provavelmente será uma elevação da inflação e um crescimento das importações ao invés de Investimentos.
Freud explica, pelo menos mais convincente que o Ministro!

Fique ligado!

2 comentários:

  1. David... Como já estamos com pleno emprego talvez o caminho seja estimular a emigração de pessoas já qualificadas...

    ResponderExcluir
  2. O problema é que estes processos demoram e nem sempre é bem aceito pelos governos, já imaginou alguns Gregos trabalhando numa obra?

    ResponderExcluir