2020: O risco vai compensar?

18 de março de 2013

Maquiavel 101


Quantas vezes durante a sua vida vocês ouviram falar de um país cujo nome é Chipre? Poucas! É uma ilha localizada ao sul da Turquia, cuja população é de origem predominantemente Grega. Durante o stress do ano passado ocorrido no Club Med, esta ilha nem era citada, uma vez que seus números eram muito inferiores aos de seus vizinhos. Acontece que hoje pela manhã esta ilhota foi manchete de todos os jornais, um dia de glória ao reverso.

Durante o final de semana o grupo Europeu reuniu-se para definir um pacote de ajuda para aquele país e, segundo consta, os alemães impuseram que fosse implantado uma taxa nos depósitos dos bancos locais, variando conforme o volume de recursos de cada conta. Comenta-se também que esta imposição alemã foi por conta de sua Constituição e da proximidade de suas eleições. Ontem à noite o mercado da Ásia recebeu negativamente e como antes pairava um excesso de otimismo, as bolsas caíram e o dólar subiu contra o euro.

Sem entrar nos detalhes, pois ainda dependem de aprovação do parlamento daquele país, parece que esta medida foi tomada para penalizar os russos “ricos”, uma vez que é conhecido ser este o local que as oligarquias e mafiosos fazem seus depósitos, transformando Chipre num paraíso fiscal, e hoje em dia esta qualificação é um palavrão. 


Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, fazê-lo de uma vez só”

Acredito que vocês já devem ter visto esta frase do famoso filósofo e escritor Maquiavel, e a mesma se encaixa perfeitamente neste caso. A situação na Europa está longe de estar resolvida, ouve uma calmaria temporária, porém o sofrimento da população nos países do Club Med será prolongado, e caso o mundo não cresça da forma esperada, a insatisfação vai crescer. Se isto acontecer como vocês acham que os Gregos, Irlandeses, Espanhóis, Portugueses e Italianos vão reagir? Arriscar que uma medida deste tipo seja imposta, ou transferir seus euros para outro país? No post Alemanha-está-ficando-isolada comentei sobre esta “facilidade” que  o euro propiciou aos habitantes da União Europeia, pois caso haja uma corrida bancária não tem nenhum custo, afinal euro é euro em qualquer país.

Então para penalizar os russos implementaram uma medida totalmente inesperada, cujo benefício é mínimo, uma vez que pelos cálculos irá render 7,0 bilhões de euros, vale a pena? Esta situação me lembra o caso Lehman Brothers, que embora totalmente diferente em seu motivo, criou um precedente que obrigou o Governo americano a comprar ações da AIG, intermediar a compra da Merill Lynch pelo Bank of America, entre outros, a fim de evitar uma quebradeira geral .

Nada deverá acontecer no curto prazo, e passados alguns dias, este assunto será matéria de roda pé, com exceção dos cipriotas que vão continuar chorando, mas podem ter certeza que ficou gravado na memória dos habitantes do Club Med e a qualquer sintoma de perigo os saques naqueles países vão começar. Será que os políticos europeus atuais não conhecem Maquiavel 101 básico?

Em relação ao euro eu não tenho muito mais a comentar que o descrito no post direto-ao-assunto pois nada de muito importante aconteceu de lá para cá, em todo caso vou arriscar uma compra se a cotação se aproximar de 1,28 com um viés oportunista, sem muita convicção, afinal esta moeda não tem apresentado grandes oportunidades.

O SP500 fechou a 1.552, com baixa de 0,55%; o real a R$ 1,9855, sem variação; o euro a 1,2951 com queda de 0,96% e o ouro a US$ 1.604, com alta de 0,79%.
Fique ligado!


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