2020: O risco vai compensar?

6 de março de 2013

Você confia no Bernanke?


Sem dúvida que se pode confiar no Bernanke, ele transmite muita confiança, mas até aí dizer que os juros não vão subir até o final de 2015 é outra coisa, não depende só dele. Eu comentei no post dissidência-no-fed as divergências que afloraram na última reunião do FED, e daqui em diante uma certa disputa de egos é esperada, afinal economistas tem este perfil.

Os dados publicados recentemente tem sido positivos, e parece que as áreas de construção de casas e investimentos em equipamentos tem melhorado, se vai se sustentar é outro caso. Por um instante vamos assumir que a economia consiga crescer algo em torno de 2% a 3%, o que isto pode mudar nos mercados? Muita coisa, o FED teria que iniciar um movimento de retirada dos estímulos, pois se nada for feito é só uma questão de tempo para a inflação ganhar força, e isto ninguém quer.

Um analista do Banco Société Générale publicou um relatório cujo título é:  "O retorno do rendimento: Preparando para alta das taxas de longo prazo".

Eles acreditam que 2013 será um ano de mudanças na economia americana, sendo assim o mercado irá precificar o término das compras de ativos e a sua saída. Hoje existe um gap significativo entre os juros atuais e seus valores justos. A grande questão, qual será a velocidade deste ajuste. Seu cenário central assume uma taxa de 2,75% ao final do ano, mas não descartam uma elevação até 3,5% a.a., nos títulos Governamentais de 10 anos. É uma alta e tanto, pois hoje a taxa está em 1,90%! O principal motivo para esta previsão, é que a desalavancagem dos imóveis, pequenos negócios e os Governos estaduais estão começando a retroceder. Ou seja, a melhora atual econômica é mais definitiva.

Desta forma, os juros começariam a se elevar de uma forma gradual para seu valor "justo". Qual é este valor e quão rápido elas podem chegar lá é uma grande dúvida. Veja a seguir suas projeções para os próximos anos.


Vocês sabem bem quanto fico dividido no assunto juros goldilocks. Este cenário, faz parte de uma das minhas hipóteses, mas o que eu tenho muita dificuldade de imaginar é como esta montanha de liquidez será retirada. Primeiro olhando o próprio USA, Bernanke tem um medo enorme de não abortar o crescimento, já repetiu inúmeras vezes sobre este risco, logo imagino que terá uma tendência a "retardar" o processo, depois como se comportara a Europa, Japão, China, UK e outros, vão agir da mesma forma ou vão aguardar? Não consigo imaginar que poderá ser coordenado, parece mais o ... “Cada um por si e Deus por todos.”...

Ainda continuo sem uma opinião definitiva sobre o assunto, não vou ficar surpreso se daqui há alguns meses, estes juros estiverem em 1,5% a.a. Num prazo mais longo a continuidade neste patamar só poderia ser por causa de uma “Japonezização” dos USA, o que seria ruim. Mas também acho factível uma taxa de 2,5% ou 3% a.a., que seria até saudável, o problema está nos níveis de 5% a 6% a.a. num espaço curto de tempo, “sangue na rua”!

Só o acompanhamento dos acontecimentos dará mais sustentação em qual cenário vai terminar a era dos helicópteros.

O SP500 estava(*) a 1.544, com alta de 0,27%; o real a R$ 1,9679, com alta de 0,19%; o euro a 1,2995, com baixa de 0,43% e o ouro a US$ 1.580, com alta de 0,36%.
Fique ligado!
(*) as 17 horas


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