Inflação: A Revanche

5 de junho de 2015

FMI na contra-mão

O mercados estavam em pleno funcionamento ontem e hoje, como já havia antecipado. Eu não pretendia postar, mas dois fatos chamaram a minha atenção: A publicação dos dados de emprego e as declarações da diretora geral do FMI, Christine Lagarde. Embora não devessem ter relação, acabaram tendo. Inicialmente vamos aos dados do trabalho.

Foram criados 280.000 vagas de emprego e a taxa de desemprego ficou em 5,5%, um pouco acima do mês passado. Um resultado sólido e acima das expectativas do mercado. Outro dado positivo, foi o aumento médio dos salários por hora de 2,3% a.a.. Este resultado projeta inflações mais elevadas no futuro.
Outra informação de grande importância para o FED é o participation rate, que indica a proporção de americanos trabalhado em relação ao total da força de trabalho. Este índice também teve uma melhora marginal para 62,9%. Como este indicador vem declinando recentemente em função de fatores cíclicos (recessão) e demográficos (população envelhecendo e jovens voltando a estudar), um gráfico importante é a segmentação da força de trabalho, considerando o grupo entre 25 - 54 anos.
Sob esta ótica tanto o participation rate como o employment population ratio permaneceram estáveis em 81% e 77,2%, respectivamente. Se a recuperação continuar, é esperado que estes indicadores comecem a subir.

Resumindo um ótimo resultado que deveria fazer o FED ficar mais seguro na sua intenção de iniciar o processo de alta dos juros em setembro, conforme os economistas estavam esperando. Acontece que a declaração da autoridade máxima do FMI colocou o FED numa situação delicada.

Nos meus 40 anos de mercado não me lembro de ter visto uma declaração como a Diretora Geral do FMI fez ontem: "O FED deveria postegar sua intenção de subir os juros para o primeiro semestre de 2016". É verdade que uma das funções do FMI é orientar os países em suas políticas econômicas, como no caso da Grécia. Mas isso é feito para aqueles que solicitam algum tipo de ajuda financeira, o que não é o caso dos USA.

Além do mais o assunto é extremamente delicado, talvez um dos mais discutidos nos últimos anos, e mesmo dentro do FED, não existe um consenso. Lagarde deu como argumento o fato do FMI estar: Cortando a projeção de crescimento dos USA; um dólar moderadamente valorizado. "A inflação não está progredindo numa velocidade que pode garantir uma alta de juros, sem risco". Ou seja, ela sugere que é melhor correr o risco de uma inflação um pouco acima do objetivo de 2% a.a., que o risco de uma nova recessão.

Mas o que poderia ter levado uma pessoa em seu cargo fazer uma declaração tão incisiva? Vejamos algumas hipóteses:

1) Ela não conseguiu convencer o FED e resolveu falar - Acho pouco provável, pois seria uma forma de se indispor com a autoridade americana, sem nenhum benefício;

2) Como é muito amiga da Yellen, resolveu fazer o trabalho "sujo", para pressionar os outros membros do FED, que querem o aumento já. Difícil imaginar que tomaria essa posição por amizade.

3) Fez uma declaração com risco baixo - Passado este primeiro momento de saia justa, o que poderia acontecer: Se o FED sobe os juros este ano, o que é provável, e dá tudo certo ninguém vai lembrar do que ela disse, se der errado vai sair como visionária.

Entretanto essas declarações foram feitas ontem, antes da publicação dos dados de emprego, e hoje os comentários da Bloomberg já continham uma certa ironia. Também não é para menos, o timing foi horrível.

Todos nós já passamos por situações semelhantes ao fazer afirmações que rapidamente mostraram-se equivocadas, levamos uma gozação e tudo bem. Agora exitem declarações, e declarações. pois dependendo do seu cargo, podem comprometer a credibilidade da sua empresa. No caso de uma autoridade, com a visibilidade do diretor geral do FMI, muito cuidado deve ser tomado. Isso não significa que, não deva-se explicitar seu ponto de vista, ao contrário as vezes é de vital importância. Agora dar palpites aonde não foi chamado, e pior, ainda indicar que o FED está se precipitado, é pretensioso. Christine, vous êtes sur la piste opposée! Hahahaha ....

O SP500 fechou a 2.092, com baixa de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,1433, sem variação; o EURUSD a 1,1111, com baixa de 1,11% (quanto hum!); e o ouro a US$ 1.171, com baixa de 0,41%.
Fique ligado!

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