Inflação: A Revanche

16 de junho de 2015

O fantasma de 1937

Faltam pouco mais de 60 dias para que o FED suba os juros em 0,25%. Os dados recentes, publicados nos USA, vislumbram essa ação, especialmente os de emprego e vendas no varejo. Os economistas vêm superestimando suas projeções de crescimento da economia há mais de 5 anos, mas segundo o Bank of America, agora poderão se concretizar.

"Gradual, ou de outra forma, esta será a primeira alta de juros pelo FED desde de junho de 2006, e marca um importante ponto de inflexão para os mercados financeiros. Três razões sugerem que o impacto de taxas mais elevadas será menos previsível que o normal, a comparação histórica menos potente, assim como a volatilidade deve se elevar, tanto nos mercados de crédito como de ações".

Na realidade, a razão principal é mais simples, e está demonstrado no gráfico abaixo.
Aqui encontram-se outras razões, do porque o movimento do FED vai nos conduzir a um período de volatilidade que "marcará o início do fim da flexibilização da política monetária maciça.
  • Os BCs possuem um volume em ativos financeiros superiores a US$ 22 trilhões, um número que excede o PIB dos USA e Japão combinados.
  • Os Banco Centrais cortaram as taxas de juros 577 vezes desde o caso da Lehman Brothres, um corte a cada 3 dias úteis.
  • A repressão financeira criou US$ 6 trilhões de títulos do governo com taxas de juros negativas.
  • 45% dos títulos dos governos rendem menos de 1% a.a (nós não estamos incluídos nem de longe! Hahahah...).
  • O mercado de ações americanos está no seu 3º período mais longo de alta.
  • 83% dos mercados globais de ações são suportados pela política de juros 0%.
Alguns países tentaram iniciar a normalização de juros, mas não foram bem sucedidos e tiveram que voltar atrás, como o caso de Israel e a Nova Zelândia, sem contar o caso do ECB em abril de 2011, sob comando na época, de Jean-Claude Trichet, que procurou combater a inflação exportada pela China subindo os juros uma vez. Depois de alguns meses teve que voltar aos juros anteriores, pois a Europa estava entrando em recessão.

Mas não existe um episódio mais notável que o que aconteceu nos USA em 1937, bem no meio da Grande Depressão. Esta é a única vez na história americana, que é análogo ao que o FED vai tentar fazer agora, e não só porque as taxas de juros de curto prazo desabaram a zero entre 1929-1936, mas por causa do balanço do FED que saltou de 5% a 20% do PIB, para compensar a grande depressão.

E assim, a economia começou a melhorar superficialmente, como agora, e como resultado o FED inciou um ciclo de alta de juros em três movimentos, entre agosto de 1936 - maio de 1937, dobrando o depósito em reservas de US$ 3 bilhões para US$ 6 bilhões.
"A estratégia de saída do FED falhou completamente, uma vez que, a oferta de meios de pagamentos contraiu imediatamente. O aperto do FED no 1º trimestre de 1937 foi seguido por uma severa recessão e a um colapso de 49% do índice Dow Jones".
..."Na nossa opinião, está se dando uma atenção inadequada para os riscos de uma queda, cujas habilidades nas ações do FED para agir, estão significativamente prejudicadas"... Terminam com um apelo dramático ..."Por favor, entendam que nós não estamos certos de nada. Pelas razões explicadas não queremos ter nenhuma posição concentrada, especialmente neste momento" ... 

Por coincidência, na última reunião da Rosenberg, coloquei uma preocupação exatamente no sentido deste artigo, mas sem uma evidência mais empírica. Minha colocação foi a seguinte: "OK, imaginem que o FED suba os juros até 0,75% e quando chegar neste momento, a economia comece a fraquejar. Tenho dúvidas enormes que baixando os juros novamente teria algum impacto, ou melhor, poderia até gerar uma reação contrária do mercado". 

Não conhecia em detalhes o que ocorreu em 1937,  ano que do desastre de Hindenburg, o balão de passageiros alemão que pegou fogo e ficou totalmente destruído ao tentar aterrizar. Assim como este desastre quebrou a confiança pública no dirigível, marcando seu fim, também colocou o FED numa situação de descrédito e impotência ao combater períodos deflacionários.

Amanhã termina a reunião do FED, e como de costume teremos acesso ao comunicado, vamos ver se existirá alguma pista para a alta dos juros.

No post dicas-de-um-guru, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...Depois de atingir uma máxima de 58.500 no início de maio, a bolsa vem recuando levemente, situando-se atualmente ao redor de 55.000. Não se pode afirmar que o movimento de queda que estou aguardando, já começou, ou se ainda buscará atingir os 60.000 - 62.000...
Passadas algumas semanas, a possibilidade de queda elevou-se, abrindo espaço para o índice buscar os 40.000 pontos que venho projetando. Não deve ser uma linha reta, mas um caminho mais tortuoso, como o apontado no gráfico acima. Para quem quer se aventurar na venda recomendo um stop a 58.000. Se as previsões se concretizarem, será um belo risco retorno, pois para uma perda potencial de 9%, o ganho pode atingir 32%.

- David, por que não transforma esse momento, numa sugestão de trade?
Já comentei que não acompanho de perto esse mercado, apenas faço algumas inserções de tempos em tempos. Para transformar em um call firme, teria que incluir mais este ativo em minha análises periódicas, e não tenho esta disponibilidade. Agora que você já é um expert, pode fazer sozinho, "go ahead!

O SP500 fechou a 2.096, com alta de 0,57%, o USDBRL a R$ 3,0874, com queda de 1,22%; o EURUSD a 1,1246, com queda de 0,32%; e o ouro a US$ 1.181, com queda de 0,33%.
Fique ligado!

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