Inflação: A Revanche

7 de outubro de 2015

A busca de novos clientes

Para quem é empresário sabe que uma das regras básicas para saúde de seu negócio é não depender de um único cliente. Às vezes é mais fácil planejar isso do que executar, por exemplo, se você é uma grande empreiteira é praticamente impossível que o governo não seja seu principal cliente, a Odebrecht, Camargo Correia e outras, que os diga. Existem alguns ramos que essa concentração é uma condicionante.

Quando o produto final são commodites a situação é diferente, e se esta commoditie é dinheiro, é mais sui generis. Para exemplificar o que eu quero dizer, imagine que o governo queira colocar títulos no mercado, normalmente efetua um leilão competitivo de taxas. Mesmo que tome cuidado nesse momento, para que não haja concentração nos compradores. Como esses títulos são líquidos, eles podem acabar na mão de um único comprador, basta que se ofereça comprar a taxas mais baixas, motivando os outros que compraram a vender esses títulos.

Um movimento deste tipo aconteceu depois da recessão de 2008, quando os Bancos Centrais dos USA, Japão, Europa e outros países desenvolvidos, se engajaram em programas de injeção de liquidez. Como compradores destacaram-se os países emergentes como China, Russia e Brasil.

Entretanto esse fluxo se inverteu e os emergentes passaram a ser grandes vendedores, principalmente para os títulos emitidos pelos USA.
Na última década, grandes superávits comerciais ou receitas oriundas da exportação de commodites, permitiram a vários países emergentes o acumulo de elevadas posições de reservas internacionais. Eles acabavam comprando títulos do tesouro americano por ser o mais líquido, e o dólar por ser considerado como moeda de "reserva".

Como já relatei anteriormente, a China foi um dos grandes vendedores de títulos, principalmente no mês de agosto, depois da mal sucedida tentativa em liberalizar o Yuan. Estima-se que somente esse país vendeu de U$ 120/130 bilhões de dólares. Porém não foram somente eles, a Rússia vendeu US$ 32,8 bilhões, Taiwan reduziu U$ 6,8 bilhões e a Noruega US$ 18,3 bilhões. Outros cresceram, como é o caso da Índia que comprou US$ 36,5 bilhões nos últimos 12 meses, e naturalmente o FED maior detentor de títulos do governo americano, cujo estoque permaneceu estável em US$ 2,45 trilhões.

Essa queda líquida notada na posição dos estrangeiros foi absorvida, em sua maioria, pelos investidores privados.

Enquanto o cenário apontar para um crescimento moderado e baixa inflação, a migração dos títulos que se encontram ainda concentrados nas mãos de governos de países emergentes e o FED, poderão encontrar compradores em outros segmentos. Porém, se essas premissas não se mantiverem, não será difícil encontrar uma barraquinha nas ruas de Pequim anunciando:
"Treasury Bondson sale - US$ 9,99"! Hahaha....

Outro movimento que vem ocorrendo de uma forma lenta e gradual é o uso do Yuan como moeda de pagamento. Ela não tem conversão livre, entretanto mais de 1.000 bancos em 100 países, podem usar o Yuan para pagamentos com a China e Hong Kong.
Os dados do fluxo apresentados acima referem-se ainda ao mês de agosto. A oscilação do Yuan frente ao dólar voltou aos padrões Chineses, quase parados. Serão importantes as informações relativas ao mês de setembro e outubro, a fim de sabermos se, a moeda ficou estável porque as saídas mitigaram, ou porque o BC Chinês está vendendo dólares para conter a cotação.

No post silêncio-inquietante, fiz os seguintes comentários sobre o real:... primeiro para que essa previsão de queda se confirme, é necessário que a cotação caia abaixo de R$ 3,88 e não ultrapasse R$ 4,25... 
...O primeiro intervalo - em vermelho, cujo objetivo é de R$ 3,40/3,50, e o segundo em 
azul, R$ 3,10/3,20...

Uma análise mais detalhada me deixou em dúvida de qual seria a extensão dessa queda que se iniciou em R$ 4,25. Surgem duas hipóteses que passo a explicar abaixo.

Hipótese 1 - "Pequeno refresco"
Neste caso, a correção é de uma onda "menor" e poderia já ter terminado, ou pode terminar em R$ 3,55.
Hipótese 2 - "Vai machucar muita gente"
Neste caso, o mercado poderia estar terminando a primeira fase da correção, e o formato seria como o do gráfico abaixo.
Ou seja, uma onda W teria terminado, em seguida uma nova alta para completar a onda X e terminando com uma queda para formar a onda Y.
- David, não entendo nada do que você está escrevendo, e olha que eu sou alfabetizado! Hahaha...
Entendo sua angústia, mas não tenho outra forma de explicar a não ser esta. Mas vou simplificar, em ambos os cenários é esperado uma alta do dólar no curto prazo, até pelo menos R$ 4,05, exceção na Hipótese 1, se essa correção ainda não terminou.

A dúvida ficará daí em diante, se voltar a cair, ou está a caminho de novas altas acima de R$ 4,25. Notem que o intervalo dos gráficos mais recentes acima, é de uma hora, assim, não dá para usá-los em operações de mais longo prazo, servem mais como indicadores.

Uma regra que se usa em análise técnica e que, quando se tem dúvida é melhor não fazer nada, é como eu enquadro esta situação. Mas provavelmente essa dúvida é também dos investidores, pois existem uns cem deles que está louco para comprar dólar, depois de assistir as altas espetaculares dos últimos meses.

Hoje se realizou a reunião mensal da Rosenberg, e mesmo lá, uma discussão acalorada se deu, quando o assunto foram as contas cambiais. Se por um lado existe a evidência clara da alta do dólar indicando uma elevada demanda, por outro lado, tanto as reservas como o restante dos parâmetros, não são compatíveis com o movimento observado. Várias hipóteses foram aventadas, sem que houvesse uma concordância dos motivos. Ficamos de fazer uma pesquisa mais detalhada.

O SP500 fechou a 1.995, com alta de 0,80%; o USDBRL a R$ 3,8896, com alta de 1,0%; o EURUSD a 1,1242, com queda de 0,23%; e o ouro a US$ 1.145, com queda de 0,14%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário