Inflação: A Revanche

26 de outubro de 2015

Um dos gêmeos passa bem

Eu tenho filhos gêmeos que são bivitelinos, ou seja, não são idênticos. Hoje são jovens adultos e cada um leva sua vida de forma independente. Quando eram pequenos, tinham que competir pela atenção dos país da mesma forma como se fossem irmãos comuns, mas certamente não é a mesma coisa. No meu caso, como são de sexos opostos, as histórias, ou talvez lendas, que quando um estivesse passando por um perigo, o outro sentiria, não aconteceu.

Em economia denomina-se como déficits gêmeos, quando um país tem déficit fiscal e déficit na balança de pagamentos. Segundo a teoria, existe uma relação de causalidade entre eles. Essa vinculação é objeto de desacordos entre os economistas e, apesar da existência de inúmeros estudos empíricos e teóricos sobre o assunto, os resultados permanecem inconclusivos.

Do ponto de vista teórico, o argumento que déficits fiscais empurram as transações correntes para situações também deficitárias, é desenvolvido a partir da seguinte fórmula macroeconômica:

                                                                   CC ≡ SN – I

Onde CC indica o saldo em conta corrente, I o investimento e SN representa a poupança nacional, que engloba a poupança do setor privado e a do governo.

O racional por traz desta fórmula é que, no equilíbrio macroeconômico o investimento se iguala à soma das poupanças nacional e externa. Assim, o excesso de gasto público ou a redução das arrecadações tributárias, geram uma redução da poupança do governo que, quando não é devidamente compensada por um aumento da poupança privada doméstica, resulta na necessidade de absorção da poupança externa, criando um déficit nas contas externas.

Depois desta breve explicação teórica, acredito que seja desnecessária alguma comprovação empírica destes conceitos aqui no Brasil. O principal motivo foi a manipulação dos dados do governo nestes últimos anos, agora assumidos por ele próprio, através das "pedaladas fiscais", o que acarretou numa distorção dos dados públicos.


Dentro dos métodos adotados para avaliação das contas de um país, situações em que se têm déficits duplos, são consideradas preocupantes, e esse é o caso do Brasil atualmente. Acontece que a situação externa vem melhorando nestes últimos meses e não vejo que tenha ganhado grande destaque nos noticiários.

Na última sexta-feira, o BC divulgou as contas externas sob a nova metodologia desde 2010. Em setembro, as transações correntes apresentaram déficit de US$ 3,1 bilhões, sensivelmente inferior a que vinha acontecendo. só para se ter uma ideia, em 2014 no mesmo mês o resultado foi um déficit de US$ 8,4 bilhões.

Acumulou nos últimos 12 meses um saldo negativo de US$ 79,3 bilhões, equivalente a 4,18% do PIB.

É uma queda de 25% do pico atingido no final do ano passado de US$ 104 bilhões. Como estas contas são em moeda estrangeira, não existe "Foreign pedals" ! Hahahaha...

Este resultado foi possível pela redução dos déficits das três grandes contas: Balança comercial com superávit em setembro de US$ 2,6 bilhões; Conta de serviços com despesas líquidas de US$ 2,9 bilhões, redução de 37% quando comparadas com 2014. Destaque para viagens internacionais com recuo de 60% em relação a 2014, o Mickey está em prantos; e a Conta de rendas com despesas de US$ 3,0 bilhões, que se mantiveram estáveis em relação a 2014.

Para financiamento deste déficit, os investimentos diretos foram de US$ 6,0 bilhões, e nos últimos 12 meses US$ 72 bilhões, quase sendo suficiente para cobrir o déficit. Já os investimentos em carteira totalizaram US$ 1,8 bilhões, esta moderação é reflexo da crescente deterioração das perspectivas econômicas e políticas.

As reservas internacionais mantiveram-se estáveis em US$ 370 bilhões, o que pode-se considerar quase que um "milagre", haja visto tudo que vem acontecendo por aqui, além da forte alta do dólar contra o real.

Minha conclusão é que este "gêmeo" do déficit duplo, vem melhorando significativamente, afinal os medicamentos necessários para isso, a desvalorização cambial, foram aplicados com doses excessivas, mas está funcionando. Já o outro gêmeo não está nada bem, pois os medicamentos necessários para sua melhoria dependem de ações do governo que se encontra amarrado.

Diferentemente do déficit externo, onde a desaceleração econômica tende a ter efeitos positivos, no caso do déficit fiscal diminuem as receitas de arredação. Resta assim, ou o aumento de impostos ou corte nas despesas. O primeiro parece não haver vontade política para passar projetos como a CPMF, e a diminuição nas despesas bate na constitucionalidade de sua execução.

Mas será que uma diminuição no ímpeto de implementar um processo de impeachment pode proporcionar uma trégua política, e os investidores estrangeiros enxerguem uma oportunidade de investir aqui, nesses preços de liquidação? Quem sabe!

Os juros de 10 anos estão tão indefinidos, como qual será o time que vai ocupar a última vaga do Brasileirão, e que dá direto a um lugar na disputa pela Taça Libertadores do próximo ano. Existem seis times que tem uma diferença de três pontos entre si, sendo que três deles tem o mesmo número de pontos.

No post A-yellen-levou-um-susto-no-metro, fiz os seguintes comentários: ...se nos próximos dias os juros romperem este nível para baixo, aumentam a chance de atingirem níveis históricos de baixa, ou seja, abaixo de 1,63% a.a.... Porém não foi o que aconteceu, os juros subiram levemente e estão a 2,06%.

Eu apontei no gráfico dois pontos que podem dar uma pista de onde os juros poderão ir. Para cima o rompimento de 2,20% pode fazer com que, o mercado teste os 2,4% , ou abaixo de 1,90%, eles tentariam o teste de 1,63%. Mas parece que em algum momento, não muito distante, deve-se ter uma direção mais clara.

A comparação que fiz acima com o futebol não deve ser muito diferente, ao se fazer uma pesquisa com torcedores ou os membros do FED, estes últimos, para onde irão os juros. Cada membro puxa a sardinha para seu lado, lógico que não existem tantas opções para eles, na verdade três: vai cair, ficar por aí e subir. Nesta quarta feira, teremos a reunião do FED e não se espera mudanças nos juros, mas algumas palavras aqui, e outras acolá, podem levar o mercado para uma direção. Melhor assistir o Brasileirão, que tem data fixa para terminar! Vamos Santossssssssssss....

O SP500 fechou a 2.071, com queda de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,9057, com alta de 0,68%; o EURUSD a 1,1049, com alta de 0,32%; e o ouro a US$ 1.162, com queda de 0,10%.
Fique ligado!

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